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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

À VIDA














À VIDA

E ela estava ali perto de mim
Bruscamente me afligi
Nas horas de solidão sem fim
Maravilham-me as lembranças de ti.
E as lembranças me acodem com insistência
Ora me fazem feliz, ora me entregam à tristeza
É escusado oferecer resistência
Que mais tem a vida senão incerteza?!

Não conto as horas, hoje as esqueci
Ouço o rio que corre, a água leva ligeira
Também eu me entrego a ti
Toda a vida minha companheira.

Mas hoje não conto as horas
Estou verde de esperança
Vermelha como as amoras
Feliz em cada retalho da lembrança.
E na saudade me deixo e esqueço
O tempo que por mim não espera
Já contigo às vezes me aborreço
Deixaste que o tempo me roubasse a Primavera.

Já se me acelera o bater do coração
Ao fim de tantos anos, num entretecer de dias
Já meu corpo tantas vezes me diz NÃO!
Luto com o tempo que só me dá arrelias.

E assim se esgota a Vida
Já a trago quase perdida.

natalia nuno

ATRAVESSO A VIDA

















ATRAVESSO A VIDA


Atravesso a vida
Conheço o travo da solidão
Ando em afectos dividida
Anda o coração
Numa inútil agitação.

Trago urgências à flor da pele
Minha mão já estremece
O meu corpo é explosão
O tempo só me traz fel
Evoca a saudade que não esquece
Rasga-me o rosto e o coração.

Há um nevoeiro que me cega
Um viver à espera do que há-de chegar
Uma sombra que me pega
Que é chicote sobre mim a desabar.

O tempo é uma fatal tempestade
O sangue dentro do coração arrefece
Levo na mala a saudade
Do tempo que não se esquece.
Já quiz partir e esquecer
Mas era só sonho que me perseguia
A morte veio antes de tempo, ver!?
Se era medo o que eu sentia.

Mas eu não quero ir embora
Nem da vida perder o encanto
Já morri muitas vezes, mas por ora!?
Esqueço da vida o desencanto.

rosafogo
natalia nuno

domingo, 26 de dezembro de 2010

SEM O TEMPO SABER


















SEM O TEMPO SABER

Como é difícil o coração comandar
E a Vida não está à nossa espera
Já se morre há que aceitar
É a verdade sentimento que desespera.
Mas com olhos de cegueira
Vou em redor olhando
Sem o tempo o saber
E o sonho me rodeia
Rasgando insónias, deixo-me adormecer.

Na memória lembranças sobrando
As estações vão mudando
Rasgando-me a boca, riso a estremecer.
Envelhecem o anos
E a solidão a crescer.

Desprendo-me da vida
Como folha caída
Já me resvala o poema
Já nem a saudade quer ser meu tema.

Sem ela me sinto nua
Ó saudade desalmada!
Deixas-me aqui na solidão parada
Com a  memória a dormir
Quando vier a Lua?!
Desce à terra meu coração
Cansado de existir.

rosafogo
natalia nuno

A VIDA É ESTE BAILADO













A VIDA É ESTE BAILADO



Não sei se hei-de rir ou chorar
Nem sei se esta saudade é loucura
Saudade duma história secular
Que é sonho, dor e ventura.
Percorro minhas folhas escritas
Tenho andado feita louca
Tantas lembranças bonitas
São agora coisa pouca.

Lembranças são folhas de hera
Que a mim se enlearam saudosas
Amores trazidos da Primavera
Folhas em danças voluptuosas.
São doce prazer que me embriaga
Me fazem reviver com emoção
Lembrança que a memória me afaga
Quimeras, esperanças e ilusão.

A vida é este bailado
Ora festivo, ora de dor
Um dia é dia de noivado
Outro dia ?!
De entregar a alma ao Criador.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 25 de dezembro de 2010

ESTE SILÊNCIO



ESTE SILÊNCIO

Este silêncio
Esta imensidade
Encadeiam-se os dias
Aninha-se em mim a saudade.
Procuro orientação
Para a fome que me apoquenta
Para a sede que trago no coração
Sede de viver,
Só o sonho que me alimenta.

Revivo na imaginação
A essência dos dias passados
Retomo o fio perdido, a direcção
Dos meus sonhos p'lo tempo devorados.
Esqueço do tempo os estragos
Desponta um raio de luz em mim
Largo os pensamentos amargos
Faço da vida festim.

Volta o sol ao meu reinado
Devora-me sempre a mesma ansiedade!?
Nas horas de solidão, o anseio redobrado
Sinto no peito a loucura, a doidice da saudade.

natalia nuno
rosafogo

PALAVRAS LEVA-AS O VENTO


















PALAVRAS LEVA-AS O VENTO


Ignoro onde me levam meus passos
Devo porventura desculpar a vida?
Como recuperar  se só restam traços?
Em boa verdade, me sinto perdida.
Rompo com a própria vontade
Sozinha com pensamentos a esmo
Deixo-me a rememorar com saudade
Para não me esquecer de mim mesmo.

O tempo amadureceu este sentimento
De prosseguir, de me apressar no caminho
Não vá acontecer meu desaparecimento
Numa noite breve, meu descaminho.
Já nem sei com rigor nada a meu respeito
Só sei que estou numa idade diferente!?
Se é dia ou crepúsculo, a hora a que me deito!?
Se muitos ou poucos os passos em frente.

Face ao desconhecido, a imaginação é que tece
Não é medo não, só mau pressentimento!
Mas a Vida já nem aquece nem arrefece!
«Palavras, palavras leva-as o vento».

rosafogo
natalia nuno

PALAVRAS DITAS














PALAVRAS DITAS

Imperfeito este poema que fala de nós
Revirou os retratos das molduras
Desarrumou nossos sentimentos
Ficou no silêncio a estrebuchar loucuras.
Vive  num vale de lamentos
É como um sonho de quem por amor morre
Grita, grita, deixando-me  à toa sem voz.

Poema que me deixa exausta, que corre,
Corre e não deixa notícias de ti
Poema imperfeito, como a vida que morre
O poema mais triste que algum dia escrevi.
Lembra um coração  explodindo
Lembra uma despedida que é já saudade
Tem a força do vento, é tempestade
Poema que é tudo o que estou sentindo.

Este poema põe meus olhos parados
E é meu sangue a tinta com que o escrevo
Num silêncio maior que o Mundo
Andam meus sonhos desencantados
Falar de Amor já nem me atrevo!
Nem das flores que me trouxeste
Profundo, é o desalento que ao poema devo.
Por ter chamado por ti e não viéste.

Imperfeito é este poema que sei de cor
Nada, nada, sei apenas do teu beijo o sabor.
Tenho medo de esquecer tua voz!?
Ou que este poema se esqueça de nós.

É só mais um poema, a quem empresto,
já quase nada, só  saudade, morreu todo
o resto.

natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

REFLEXO





REFLEXO

Olhei o espelho, um rosto vi

Os lábios mordi

O olhar penetrante...

Havia ali alguém!?

A mim semelhante


Semelhança remota, muito aquém.

Reflexo, sem a essência da hortelã

Ignoro entre ambas o laço

Passaram àridos anos de solidão


Ambas nos perdemos no passo.

E EU

Afoita nesta manhã

Arrastada por um desejo de ilusão

Olhei o espelho, uma,

Duas vezes

E assim com ela me cruzei

E apesar das revezes

Eu no sonho me quedei.

E SONHEI


natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

SEGREDANDO














SEGREDANDO

Falo baixo que é segredo
Aperta-se o peito, calo a boca
Encurta a distância, cresce o medo
Silência a minha alma o tempo que se apouca.
Esta angústia que me dá?!
E como se a vida complicada fosse
Ao certo não sei se será!?
Mas sinto o tempo precoce.

E eu recuso a evidência
E de sonhos falo devagar
Não vá a morte com insistência
Carregada de desejo  me levar.
Obscura e de mistério cheia!?
Com linguagem que não entendo
Anda para aí volta e meia
A sua arrogância erguendo.

Assim a vida caminha
Ás vezes num silêncio mudo
E a saudade que é tão minha?!
Também ela envolve tudo.
Um pouco do que fui em cada dia
Saudades nem sei de quê
No peito a nostalgia
Que no olhar se lê.


rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O POEMA NÃO SABE

O meu poema não sabe nada de mim
Sabe dos regatos a serpentear
Sabe do tempo que passa... enfim!
É feito do meu entender
Do meu pungente sofrer
Do meu recordar...

É ele o meu anseio
O tempo que passa
O meu receio
A saudade que me abraça.



O meu poema, não sabe o que sinto
Se falo verdade ou minto
Feito da saudade que me persegue
Amacia o tempo pra que me entregue.
O meu poema assim me tráz embalada
Nesta noite de bréu
Desesperada, aguardo a madrugada
As horas caindo, feitiço este meu!?
Poema que a vida
Leva pra longe de mim
Como um paixão esquecida
Mas duma saudade sem fim.

rosafogo
natalia nuno

TARDE QUIETA














TARDE QUIETA

Até o páasaro cessou o canto
Adormece na tarde quieta
No meu coração um silêncio agitado
Um desencanto
Que me aperta!
Meu pensamento perturbado.
Emoções reprimidas
Nos olhos uma ansia agreste
Deste Outono de tardes esquecidas
No restolhar das ideias, nenhuma que preste.

Tenho nas mãos o vento
No coração uma alegria inusitada,
da solidão retirada
Meu corpo, casa abandonada
No meio do desalento,
um triste contentamento,
pouco mais que nada.

Neste ritual diário
Desenboca meu olhar no vazio
Vou magicando a eternidade
O tempo como eu sombrio
E uma nostalgia profunda que me dá saudade.

Amargos anos calcorreando a vida
Encurtam  meus passos
Criança perdida
Sombra encolhida
Restam os traços.
Atravesso a tarde como um milagre
Nesta minha idade cansada!?
Uma chuva miúda me devolve a saudade
Deixo-me melancólica e ensimesmada..
Guardo as emoções no peito
Com a saudade me deito.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

E NADA TEM SENTIDO














E NADA TEM SENTIDO

Caíu o dia  e a noite veio chorosa
Sem estrelas e sem luar
E minha alma ansiosa
Em farrapos, põe-se a gritar.
E nada tem sentido
Nem as folhas secas que caíram
Nem o céu que chora comovido
Nem minhas palavras que não respiram.

Caminhei para o  futuro
P'lo tempo fora, e agora!?
Nesta noite tudo é escuro
A convencer-me que é hora.

Que futuro? Que cilada?
Que rumo?
Não sou nada!
Talvez  sombra talvez fumo!?

O dia trouxe tempestade
A noite chora em solidão
No meu sentir a saudade
Dos caminhos, do meu chão.
Andam meus pés já nus
Caminho descalça de sonhos
Nos olhos já  não trago luz.
E a Vida a impor-me dias tristonhos.

Já a noite se enreda na minha dor
Nas minhas lágrimas choradas
Sei estes meus versos de cor
Palavras,
Na garganta entaladas.

domingo, 19 de dezembro de 2010

ALEGRIA TURVA














ALEGRIA TURVA

Não sei se sou trigo se joio
Nem sei se o que procuro
acontece.
Neste sonho me apoio
Mas e se o sonho fenece?
Eu juro!
Que ele é tudo o que Deus me deu
E no meu tempo que esvoaça
O sonho é tudo o que é meu
E assim a vida passa.

Percorro este caminho a esmo
Sigo neste meu rol de saudade
Perco-me nas horas
Perco-me de mim mesmo
Gasta em desabafos de verdade
E tu esperança?!
Já tão pouco em mim afloras.
Comigo trago a saudade.

O tempo que já foi de cambraia
O tempo que já foi de linho
Um gargalhar de catraia
Onde até hoje me aninho.

Trago o coração cheio
É assim que o sinto
Se o tempo se mete p'lo meio?
O vazio pressinto
Lá se vai o meu sonhar
Não sei se sou trigo ou joio
Já nem sei se sei amar
Mas é no amor que me apoio
E neste delírio permaneço
Até meu coração calar.
Tempo dorido onde feneço.

natalia nuno
rosafogo

NÃO SEI AO CERTO














NÃO SEI AO CERTO

Por onde anda minha inspiração
Que não me traz FELICIDADE?!
Rodopia vagabunda
Deixando em meu coração
A saudade.
Na minha recordação abunda
E na foto que tenho por perto
Imagens da MOCIDADE.
Só a inspiração está ausente
Deixando em meu coração
A ansiedade.
E uma dor tão veemente.

Na moldura do passado
Até já nem sei ao certo
Se há no meu rosto algo errado
Que eu já não consigo ver!?
Mesmo estando por perto
Ou não sei, nem quero saber.

Os tempos estão mudados
Por onde anda a inspiração?
Como eu a queria  renovada!?
Andam sonhos desencontrados
Não quero mais esta visão
Quero-me com a vida apaziguada.
Aquietando no coração
A saudade de tudo e de nada.

rosafogo
natalia nuno

LOUCURA














LOUCURA

Este desejo de amar
Que ninguém sabe, mas eu sei
Num pesadelo perdida
Meus anseios a retalhar
A gritar, a gritar e eu vencida
Por este amor que ansiei
De olhos às trevas atirados
Por te amar, por te amar!

Num pesadelo perdida
Por este amor que desejei
Por te amar, por te amar!
Nos meus trilhos rasgados.
Sinto o coração pulsar.
Meus sonhos envenenados.
Por te amar, por te amar!

Meu corpo ainda arrojado
Que floresce só pra ti
Quer-te eternamente a seu lado
Neste desejo apertado
Nesta ilusão de te ter
Mansamente, quer viver.

No pesadelo aos tombos
E tu por aí!
Rasgo o luar pra te ter.
Continuas no meu caminho
Passeias-te nos meus escombros
Sinto-me longe, tão pertinho.
Pedras me rasgam os passos
Já não sinto pulsar o coração
Sem a força dos abraços
Resta a saudade e a solidão.


rosafogo
natalia nuno

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O QUE O TEMPO TECE - Rosafogo.vfb.2010

ENTRE O CÉU E A TERRA


















ENTRE O CÉU E A TERRA


Minhas palavras já parcas
No coração qualquer coisa a moer
A solidão hoje passou das marcas
O tempo é mestre mas me faz sofrer.
Hoje esqueço as horas
O tempo faz e desfaz
A vida não tem melhoras
Já o desafio não me apraz.

Não me quero iludir
Nem tão pouco a vida julgar
Se a ela me quer fugir?!
Sem norte me deixo levar.

Rasgam-se meus ouvidos
Há angústias que me perseguem
Me atormentam os sentidos
Mas as palavras? Essas não me neguem.

Arroxeiam os meus lábios de frio
E as palavras são poucas já!
Quanto tempo de sol? E o vazio?!
P'la minha face escorre,
o tempo,já tanto se me dá.

De quando em quando fico distante
Tão inerte, mordo a revolta!
Nas linhas que escrevo neste instante?!
Arrasto pensamentos à solta.

Já as últimas estrelas desmaiam
No meu olhar rompe a madrugada
Alento aos meus braços que ensaiam,
abraçar mais uma manhã
Que mal começa já é passada.



rosafogo

natalia nuno



rosafogo
natalia nuno

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

SEM TEMPO













SEM TEMPO


Não há pausas na minha melancolia
A saudade surge como um vento triste
Morri na saudade mais este dia
Maldita a vida que ainda insiste.

Tremem as àrvores, tremem de frio
E eu sinto a Vida presa por um fio.

Assim vou andando
Os sonhos ficando para trás
Meus olhos de menina chorando
Aquilo que o tempo me roubou
e foi capaz,
De me deixar vencida
De me vir dizer
Que a dor que trago sentida?!
Há-de deixar-me desfalecer.

Aceno à vida de mim esquecida
Procuro alívio para o desencanto
Vejo ao longe a meninice enternecida
Evaporei no tempo para meu espanto.

Vivo à mercê, triste ou sorridente
E já nada faço para ser diferente.

rosafogo
natália nuno

EUFORIA DO AMOR











EUFORIA DO AMOR


Ouço o bater do coração
De tão perto que está o momento
Minha boca junta-se à tua
Como o germinar dum vulcão
Em mim a larva o fogo, a lua
Em ti o gesto e o intento.
Astro à beira da explosão.

Perdemos-nos, nos encontrando
Num fogo que reacendo
Tuas mãos sempre tentando
Desbravar o que não defendo.

Eu gosto de ti assim
Quando invades a minha boca
Em delírio atrás de mim
Deixo amares-me, fico louca.

Ah!Quando me amas assim!
Nem tu és tu, nem eu sou eu
Vagueamos, e ao voltar a mim!?
Anda meu corpo à procura do teu.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ILUDO-ME NA HORA?!













ILUDO-ME NA HORA?!



Iludo-me na hora?!
O amor não se cansou
Amemo-nos mais uma vez
Sem demora...
Afinal nada mudou.
Só o tempo talvez!

Abro-te minha porta!?
Vem minha vontade sossegar
Que a saudade fique morta
Quero este frio quebrar.
Um dia aprendi a amar-te!
E a saudade se fez sofrimento
Hoje meu querer ganhou alento
Quero num abraço apertar-te.

Meu coração se abriu,
de par em par
Para nos teus braços morrer
Também meu corpo sentiu
Desejo de se entregar
Sem força de se suster.

Anda nosso amor esquecido
Eu, caída no esquecimento
Saudade de haver perdido
Saudade que me dava alento.

Amanhece em meu corpo!?
Que seja eu a tua iguaria,
Doce, como um fruto maduro
Que o meu sonho já esfria!
Sem teu amor amarguro.



rosafogo
natalia nuno

ILUSÃO














ILUSÃO

O tempo se acaba, corre,

Também ele já morre.
Traz-me o tempo este cansaço
Me deixa  num labirinto
Também eu lhe perco o passo
Já nem sei se o que sinto, sinto.

Corre o tempo, quero recusar
Máscaras de choro e riso
Passado inteiro a murmurar
E um futuro indeciso.

Carrego sonhos aluados
Vindos bem lá da infância
Trago os olhos toldados
Debruçados na lembrança.

Este tempo, tudo ignora.
Tudo leva, menos esta melancolia.
Relembra-me a idade a toda a hora
E transforma  em noite meu dia.



rosafogo
natalia nuno

SENTIMENTOS














SENTIMENTOS

Há réstias de cor
No fundo da minha tristeza
e AMOR
nos recantos da minha incerteza.
Esta teimosia
Traz-me emoção e saudade
Instantes de alegria
Momentos breves de eternidade.

Restos, bocados de esperança
E choros, meus desencantos
Nada trago de herança
Só saudades às escondidas
Com medo dos quebrantos

Fragilidades por mim sentidas.

Meu corpo, é muralha gasta
Foi-lhe o tempo tirando a força
Já a Vida de mim se afasta
Correndo que nem corça.
Já meus olhos de menina
Andam procurando o traço
Daquele rosto traquina
A cuja visão me enlaço.

Nos socalcos do rosto
Perdura já a confusão
Não sei qual a razão?!
Do tempo, atalhos lhe ter posto.
Talvez velho desgosto?!
Ou choros de saudade?!
Da vida alguns cuidados
Ou coisas próprias da idade
Ou meus segredos calados!?
Ou da idade que dói!

Nostalgia do tempo que já se foi.

rosafogo
natalia nuno

A VIDA PASSO A PASSO













A VIDA PASSO A PASSO


Sonhos campinas floridas
Com sementes de saudade
Os verdes são nossa vida
Esperança ou fatalidade.

Solidão morro de cansaço
Na tua lívida e triste agonia
Levo a vida passo a passo
Perco a noite vai-se o dia.

Sempre o Amor refloria
Na Primavera ganhava asas
Tua sombra à minha se unia
Somos agora tábuas rasas.
Como foi que o tempo andou?
Deixando nossa vida parada
Nada nos diz, nada nos adiantou
E a gente, que dele nem suspeitava.

Mas seguimos por diante
Que a nossa noite segue enluarada
Luta a vencer instante a instante
E o sonho resiste até ser madrugada.

rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

NÃO PASSO DISTO














NÃO PASSO DISTO

Morre mais um dia
Saudade sempre a crescer
E uma agonia!?
Em meu seio a romper.


Não sei de mim, existo?
Correm as horas
Não passo disto!
Chegadas, partidas, demoras.

Meus sonhos traídos
Já o tempo me vence
Meus olhos caídos
Já nem sei que pense.

Vejo a minha sombra
Frágeis os meus braços
Oiço o som dos passos
Na noite que me assombra.

Silêncios arrastados
Névoas que vão descendo
Meus sonhos isolados
Eu deles me perdendo.

Não sou mais que pó
Sou resto de mim
Liberto ao sonho o nó
Adormeço por fim.

Já não me iludo
A vida se desprende
Só a palavra é tudo
Só ela me compreende.

rosafogo
natalia nuno






É só mais

SONHO INVENTADO














SONHO INVENTADO

Quero espreguiçar-me nas tuas manhãs
Sentir que a Vida ainda é Vida
Lembrar loucas promessas
Sentir-me presa e possuída.
Quero que meças
O meu prazer em ti
Sintas a chama reacendida
A mesma que no teu olhar vi.

Sou terra molhada que te acolhe
Onde a semente se faz brotar
E a minha boca recolhe
Os beijos que lhe queres dar.

Trago este cheiro de ti
E uma saudade desabrida
A teu lado amadureci
Fui botão na primavera.
Como beijo em boca perdida.
Sou hoje velha quimera.

Amparada por teus abraços
Me convidas ao teu abrigo
No silêncio ouço teus passos
Sedenta em ti confio e te digo,
Dos meus desejos,
Desta tensa  saudade,
Do meu corpo gasto viciado,
Do lençol morno p'la ansiedade
Ainda  tua ausência marcado.

Devaneio, este meu sonho inventado.
Onde me enlaço e desenlaço
Sonho p'lo tempo amordaçado
Algo de bom que ainda abraço.
E tudo foi tanto e é pouco ou nada
O que resta desse tempo já gasto
Levo  minha fronte enrugada
Quanto mais me prendo, mais me afasto..

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

AMAR-TE















AMAR-TE
É fazer a viagem de mãos dadas
É às vezes um silêncio vazio
Um jogo de palavras cruzadas
É o fogo descendo, causando frio.
Ficar nesse silêncio que dói
É às vezes não poder calar
O sentir que nos corrói.
O tempo que a passar
Passa por nós num voo rasante
Trazendo à lembrança o fogo distante.

Amar-te
E ainda me espantar

É olhar-te!
E minha mente povoar
de sonhos onde aportaste.

É bravo este amor de verdade
Pois ao ter-te a meu lado
Gôsto de outrora me dá saudade
É um desejo apertado
Sem tamanho nem medida
Sem nunca mais acabar!
Tanta chegada e partida...
E sempre o mesmo desejar.

Hoje e sempre o mesmo ardor
 Longa nossa caminhada
Ainda tão semelhante o sabor!?
De tanta e tanta vez me sentir amada.
Juntos iremos até ao fim
Quero ser a personagem
Quero amar-te sempre assim
Até ao fim da viagem.

Encontrei-te
Pensei que tinha a alma vazia
Amei-te...
Neste meu jeito encantado
Era só  saudade que sentia.
Nosso amor é o meu fado.

natalia nuno
rosafogo
















FALA-ME ASSIM DEVAGAR


 
Fala-me assim devagar...
Que as tuas palavras sejam como rio
Vem, retorna ao teu lugar
Aquecendo meu coração frio.
Fala-me assim devagar...
Com palavras que já não se usam
Que sejam pombos a revoar
Traz-me sonhos que não recusam
Na casa do meu corpo entrar.

Fala-me assim devagar...
Dá-me o abraço que me escapa,
eu espero,
O beijo que se quer esquivar
Nada quero perder, nada quero.
Fala-me assim devagar...
Palavras doces como dantes
Dá tu um nome a este amar!?
Diz...diz que somos amantes.

Fala-me assim devagar...
Diz em que tempo, em que grito!?
Em que chão, em que cidade
Ou se no teu corpo eu habito!?
Nesta hora da saudade.

Que recordações p'ra recordar?!
Acorda-me o corpo, adormecido!
Já não sei quem sou
Nem onde estou.
Levo este doer, ferido,
Sem saber pra onde vou.



natalia nuno
rosafogo

sábado, 11 de dezembro de 2010

IRONIA














IRONIA

Hoje perdi-me na fonte
Longe, muito para lá de além
Deixei-me a olhar o horizonte
A ver o sol morrer e eu também.
Na memória a vida inteira
E a cântara ainda vazia
A fonte ali à beira
E eu com sede, que ironia.

De barro a cântara é feita
E quebra com facilidade
Quebrado  meu coração se deita
Sofrendo de doida saudade.

Enquanto esta dor depura
Me deixo a olhar o céu
A memória já não tem cura
Uma teia de luz lhe valeu.
Vejo a fonte a secar
A noite é breve, o dia finda
Vem a morte celebrar
E a cântara vazia ainda.

Lembra-me a terra onde nasci
O chão pisado na infãncia
O caminho que percorri?!
Era de barro, quebrou
Não sobra um palmo,
só a distância...
E, a saudade que restou.


rosafogo
natalia nuno

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

EM CÉUS DE POBREZA
















EM CÉUS DE POBREZA

Ouço no silêncio da noite, um ruído seco
O vento roubou-me a voz.
Levou-a a alguma viela, algum beco
Da minha terra, da terra dos meus avós.
Por lá ficaram os pássaros de vigia
E eu menina de pés imersos
Esquecida da fadiga
Olhos sem medo, vazia a barriga
Colhendo o sol do dia,
Fazendo versos.

Fiozinhos da nascente
Orvalhados de limpidez
Por lá me fiz gente
Madura de suor e altivez.

Este ruído seco, não me sai da cabeça
Provoca-me e eu parto sem freio,
Antes que a memória amadureça
E me visite a escuridão
Eu volto sim, minha terra ao teu seio
Colher papoilas e pão.

Hoje é dia de vendaval
O vento roubou-me a voz
Sou resto de temporal
Menina , trança, tristeza
Desato da vida os nós
Já fui pássaro de leveza
Na terra dos meus avós.

Fico à escuta de tudo e de nada
Nesta minha ingenuidade
Trago a infância atravessada
Na chama desta saudade.

rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

SÓMENTE SONHO














SÓMENTE SONHO

Imagens do passado já imprecisas
Como a luz que empalidece minha parede
Tempo meu, minha vida também ela indecisa
Resplandecente, real a luz da lua
Lambendo a nostalgia,  minha e sua
Água dos sonhos da minha sede.

Estilhaça o coração o tempo finda?!
É um galopar de saudade
Virá outro dia e a vinda
Será uma pesada continuidade.
Virá um vento sem razão
Que me trará de novo a saudade.
O cheiro da terra,  a verdade.

É nesta hora que fico menina, traquina
Esquecida da VIDA, como criança sonho!
Canso o sol, de o olhar a repousar na colina
Parte, e me parte o coração deixa o olhar tristonho.

Desarmada pelo tempo, já perco meu pé
Mas reforço a minha fé.

No ventre trago a força e o querer,
que é o leme e as asas, com que rumo
E mesmo que não haja nada a acontecer
Remo e vôo à  infância, da realidade sumo.

A vida já não me traz rumores
Nela  não acontece nada!
Tantos sonhos e velhos amores
E eu menina já tão desasada.

rosafogo
natalia

Sonhar é fácil.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

DESCONFORTO













DESCONFORTO


Bastaria um gesto um só!

Ah...mas isto são detalhes apenas
Sou eu a julgar-te!?
Às vezes de mim tenho dó,
E a minhas penas?
Frestas que no meu coração deixáste.

Acontecimentos estão esquecidos
Como quem crê e ama!?
Trago ainda meus versos nos ouvidos
Centelhas da minha chama.
Hoje sinto-me um espantalho
Mas os espantalhos não choram
Valho o que valho!?
Sou brecha nos sonhos que demoram.

Desatou-se este nó
E meu coração gemeu-te, e foi tudo.
Bastaria um gesto só!
Uma palavra mentida, um olhar mudo,
Um desperdício que caíria no esquecimento
Mas não, fiquei estrela sem dono
Ao mesmo tempo num doce amargo pensamento
Espalhando minhas sementes ao abandono
Como um baloiçar magoado, do sol ao vento.

Fico silenciosa de sinais
Com a esperança p'lo chão
Que me importam os demais?
É para ti minha mensagem de desilusão.



rosafogo
natalia nuno

domingo, 5 de dezembro de 2010

DESVARIOS


DESVARIOS

Faz tempo, que do tempo, tempo fiz!
Acaba-se o viver e o tempo basta!
Passou o tempo, que foi tempo de ser feliz?!
É agora o tempo, que desse tempo me afasta.

Trago minha alma perdida num deserto
Coração a bater no peito de ansiedade
E ao invés de alegria, a tristeza trago por perto
Nos meus olhos poços de luz , habita a saudade.

Neste tempo, já nem palavras tenho para dar
O tempo me desarma é senhor omnipotente
Cai sobre mim tão bruscamente!
Só a esperança me vem ainda agasalhar.

É o tempo que passa com firmeza, indiferente
O tempo que se infiltra contra minha vontade
Tempo que goteja sombras sobre mim
Cai sobre mim tão bruscamente!
Eu lhe peço e me despeço é já o fim
Tempo do adeus e da saudade.

rosafogo
natalia nuno

DESALENTO



DESALENTO

Olho meu rosto ao espelho
Mas não me deixo cair em vão
Talvez o espelho esteja velho
Ou sofra de solidão.

Sento-me no chão
Apanho os pedaços
da mágoa
Caídos do coração.
Deixo-me aprisionar nos passos
Do tempo que me quer levar
Atirando-me ao rosto areia
Enredando-me em sua teia
Sem me deixar escapar.

Nada mais me interessa
Fiquem-se meus olhos a olhar
E que a memória não impeça
De ir à fonte me banhar.
Fonte, ponto de partida
Onde ainda vou colher
A Juventude por mim não esquecida
Mas que o espelho quer esquecer.

Caminho ao lado da vida
Apresso-me porque o tudo é nada!
Levei desatenta a vida,
a levo perdida.
Sou sombra, neste espelho mal amada.



natalia nuno
rosafogo

sábado, 4 de dezembro de 2010

AMOR














AMOR

Quem disse ou crê que o amor é só agonia?!
Amor é uma bela rosa com pétalas de emoção
São candidos os minutos ao amar-se dia a dia
É o madrugar dos olhos, saindo da escuridão.

Amor é uma chama ardendo, é puro incenso
É a dor real que não se vendo está presente!
É chama que ateia em delírio em fogo denso
Brasa  que dói  que se deseja de tão contente.

Assim quanto mais arde , posto que é chama?!
Mais inflama e não importa de amor morrer-se
Desejo na hora, coração sofrendo, assim se ama.

Ponte do amor à saudade, da saudade à agonia
Mais vale a ferida lenta do que amor perder-se!
Amor, sonho e emoção, entre um dia e outro dia.

rosafogo
natalia nuno

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

SE É DOR AMAR



SE É DOR AMAR

É dor amar, e dor é não amar ninguém!
Amar e não amar é dor sofrida o peito dói
É dor sofrer o desdém do olhar de alguém
É tudo dor , a dor que o coração destrói.

Tanta dor os golpes do amor pelo caminho
Afrouxa já o sol no fim desta encruzilhada
Saudades se transformam em beijo e carinho
E o Amor é já uma lágrima no rosto enrolada.

E se é dor amar?! Amar é a alguém querer
È benção  levar a vida a afrontar bendita dor!
Trazer o sonho e esperança sempre a crescer.

É querer bem , a quem bem nos quer também
Amar é dor, é ferida de quem ama e é sofredor
Sem amor, é ter tudo e nada ter, é ser ninguém.

rosafogo
natalia nuno


Este selinho, bem lindo foi-me oferecido pela minha querida amiga
SONHADORA a quem estou grata pela amizade e presença neste
meu blog.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

AS LINHAS DA MÃO












AS LINHAS DA MÃO






Olhei a palma da minha mão
De linhas bem defenidas
Por cada desilusão
Umas quantas linhas perdidas.
Passou o tempo, eu arrancada
Até que chegou a hora!
Na ultima curva da estrada!?
Uma verdade me apavora.

Já a esperança se estilhaça
E a alegria lágrimas não pára
Assim é a vida que passa
E a saudade que não sára.
Olho as linhas da mão
E a verdade se encaminha
Dizem elas ao coração,
Que triste é a sina minha.

Caminho e deixo pégada
Levo os olhos sem pestanejar
Sigo livre na caminhada
Mas levo a alma a embaciar.

As linhas da minha mão
Morrem quase inteiramente
Mas eu já não luto, não!
A Vida me leva p'la mão
Mas meu rosto levo ausente.
Peço respostas às linhas
Falo-lhes de mil maneiras
Falam das saudades minhas
Mas esquecem as canseiras.

Dizem -me que é curta a viagem
Que há muito acabei de nascer
Que a vida não tem paragem
E que um dia? Vou morrer!

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

NO VAZIO DE MIM












NO VAZIO DE MIM

Hoje o sonho me foge
Já não lhe apanho o passo
No vazio  de mim
Me faço e desfaço.
O sonho me foge hoje
E eu me volto a rasgar!
Perco da vida a cor
Sem esperança pra queimar.
Meu coração sem calor.

Não há cheio, nem vazio
Só uma saudade presente
Que corre em mim como umrio
Numa incontida torrente.

Não há nada nem ninguém
Este sonho passa voando
Tempo meu ficou aquém!?
Já nem dele estou lembrando.
Nesta estação já sem folhas
Sou àrvore de algum dia
Tão quase nada... poeira
Sou um livro que desfolhas
Minha vida e companheira.

Pássaro saido do ninho
Seduzido p'lo chilreio
Deixo-me à beira do caminho
Meu sonho a mais de meio.
Já há muito estou de pé
Já o tempo me faz medo
Mas não gastei minha fé
Coração a Deus concedo.

rosafogo

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

NÃO CONFUNDAM COM TRISTEZA














Tenho a alma perfumada
com a fragrância da nostalgia
Mora em mim esta saudade
uma jarra de liberdade
com flores de fantasia

Não confundam com tristeza
memórias de outros tempos
São todo o meu relicário
um mundo de sentimentos


Não posso mandar para canto
amores, lágimas e pranto
felicidade e resquícios de alegria
nem vivo no desencanto
apenas trago no peito
memórias de outros dias

poema de Nanda Esteves, que de gostar tanto
o trouxe para o ORVALHOS.Obrigada Nanda
me revejo inteiramente nele.









Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=163186&sms_ss=facebook&at_xt=4cf2e8a9161856dc%2C0#ixzz16hD4nrJD

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domingo, 28 de novembro de 2010

SEREI CONTRADIÇÃO













SEREI CONTRADIÇÃO

Meu caminho é já uma imensidade
Trago nele um cheiro a terra molhada
À noite, descanso na saudade
De dia sinto a vida a fugir, lembrança passada.
E há lembranças no meu peito em brasas
Me abandono nelas como se fossem tempo presente
Lembranças chegadas de longe, trazem asas
Impossível é o regresso é sonho sómente.


As desenrolo nas insónias, e me deleito
E nasce um sonho imenso maior que o mar
Sou livre nesta morada onde me deito
E onde fico livre só para amar.

Estas lembranças mantêm vivo meu caminho
e meu querer.
E eu persisto que meu corpo há-de resistir
Hei-de desdobrar o tempo vizinho
hei-de viver
O tempo esse ignora o meu querer,
serei contradição, saberei fugir.

Memórias que são lenha p'ra me aquecer
Que ao recordar me deixam enfeitiçada
De madrugada me deixam adormecer
Para redobrar forças nesta minha caminhada.



rosafogo
natalia nuno

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

AOS OLHOS DO POEMA



AOS OLHOS DO POEMA

Ah...se eu fosse pequenina
No cabelo punha um laço!
E neste verso, bem traquina,
Daria à saudade um abraço.
Criança tem infinita graça!
Ora sorri ora chora...
Quer lá saber da desgraça!?
Se tem beijo e carinho na hora.

Tráz o sonho todo inteirinho
De ser grande algum dia!?
Mal sabe que está tão pertinho
Que o tempo passa rápido e angustia.

Ah...se eu fosse pequenina
Tal como as nuvens seria inquieta
Até me imagino ladina
Borrando o céu de azul,
com pincel de poeta.
Nas estrelas um poema de saudade
Com alicerces de esperança
E com ternura e simplicidade
Oferecia ao Sol meu bibe de criança.

Queria andar de pé descalço p'lo chão
Prender-me ao salgueiro, atirar-me à agua
Ah...este meu delírio é como botão
umbilical, que me prende ao passado com mágoa.

Este poema não tem pés nem cabeça
Nem a minha vontade suspeita de nada
Fi-lo em segredo, à poesia fiz promessa!
De ser menina, aos seus olhos dada.
Neste poema deixo a ternura que me sobra
Palavras de formosura deixo estremecidamente
Palavras simples com que ergo minha obra
E abraço cada palavra comovidamente.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

IMPORTANTE É VIVER













IMPORTANTE É VIVER


É tudo um sonho o que escrevo,
Ou palavras sem sentido?
Virá a morte e a medo
Verei meu sonho perdido?
Não sei se é mesmo verdade
Se estou da vida a me afastar
Numa febril ansiedade
de chegar...
Onde?
A nenhum lugar!

Abre-se a noite e desfaleço
Fico entre o Céu e o Inferno
Entre o real e o irreal permaneço
Entre o outono e o inverno.
Há sempre uma lágrima que o rosto molha
E sempre um pensamento incoerente
Sono leve como uma folha
E o passar do tempo p'la gente!

Sinto-me no limite da esperança
O tempo morre e morro eu
Resta em mim aquela lembrança
Dum tempo que em mim não morreu.



rosafogo

natalia nuno

terça-feira, 23 de novembro de 2010

ENQUANTO VONTADE TIVER

ENQUANTO VONTADE TIVER

Nasci esta noite enquanto a manhã vinha

Despedi-me do ontem, onde já sou fumo

Pesada de tanto passado, vida minha!?

Esperança é nada...nada é meu rumo!



Sempre repetindo a mesma ladainha

Com a saudade do lado esquerdo onde se aninha.



Criança me sinto no palco da Vida.

Trepo às estrelas, páro o meu destino

Esqueço a idade já enegrecida

Sou pássaro farto, cansado, perigrino.



Vivo por aqui!

Morro por ali!



Quando escrevo, sinto-me viva

Inteiramente viva.

Posso escrever o que eu quiser!

Que a minha liberdade é verde

Enquanto vontade tiver

Palavra alguma se perde.

Ela que de alegria e tristeza me criva.



Nasci esta noite enquanto a manhã vinha

Tive medo, que tardasse a madrugada

Que este verso se finasse da angústia minha

E me deixasse de alma quebrada.



rosafogo
natalia nuno

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

COMPANHEIROS DE INFANCIA













COMPANHEIROS DE INFANCIA

Companheiros de Infância
Pobreza, tão comum no nosso passado
Pobres, tínhamos tudo: as ruas e o adro!
Tudo era nosso, o sol, a chuva, o vento
Em demasia a pobreza e o céu estrelado.
Só a brincadeira no pensamento.

Dormimos em colchão de palha
De folhas escamizadas de milho
Brincámos ao pião...à malha!
Descalços, ou com sapatos sem atilho.

Comemos o pão que o Diabo amassou!
Pedimos porta a porta pão por Deus!
Pouca era a roupa, o frio nos assaltou
E bem ligeiros corrias Tu... corria...EU.

Crianças de piolho sempre a aparecer
De ranho no nariz sem importar
Contentes de poder saltar, correr
Na esperança do joelho vir a sarar.
Afectos, também nisso a pobreza?!
Só nos restava a inocência e a destreza
Na rua, uns com os outros brincávamos
E à noitinha, pirilampos apanhávamos.

A pobreza era nossa desconhecida
Na boca, sempre um sorriso, uma cantiga.
Desafiámos o Destino com algum desembaraço
Hoje somos meninos apertados, no mesmo abraço.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 21 de novembro de 2010

APENAS LEMBRANÇA!

















APENAS LEMBRANÇA!

Sabia que mais cedo ou mais tarde
Na solidão dos dias futuros
Haveria de soltar suspiros de saudade
Acendendo na memória, pedaços já escuros.
Nas horas de lassidão
Deixo-me esquecida do presente
Relembro imagens distantes
Esqueço do tempo os estragos
Fico ausente!
Na poeira do pensamento,
na leveza dos instantes
Deixo meus fantasmas amargos.

Do meio do nada
Surge a recordação em mim derramada.
Cada lembrança me traz o sorriso à boca
Cada palavra escrita é linguagem de criança
Lançada ao acaso, coisa pouca!
Apenas lembrança!

E as palavras ganham asas, são esperança
E me sinto eternamente viva.
A recordar...
As minhas raízes a que já não me posso agarrar
Mas às quais me sinto cativa.

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

PARA ALÉM DO TEMPO












PARA ALÉM DO TEMPO


À Vida me agarrei por mais um dia
Contei segredos ao travesseiro
Chega a tarde e me põe sombria
A sós com lembranças d'algum dia
E o passado na memória por inteiro.

A fazer-me lembrar mais um ano
Perversa a Vida, me leva ao engano.

Sempre igual parecendo diferente
E sempre o sonho morrendo com a gente.

Quando tudo parece a chegar ao fim
Há uma raiz que não desprende
Um pressentimento d'outro tempo em mim
O acolher dum sonho que ninguém mais entende.
E é como se meu corpo de novo se tivesse erguido
Liberto do tempo e da idade
E em minhas palavras um sonho estremecido
Este sentimento que em mim se aninha a SAUDADE.



natalia nuno
rosafogo












QUIMERAS

Guardei os sapatos de cetim
E o vestido de levar ao baile
Juntei-lhe perfume de jasmim
Ficou na memória o xaile
Pobre do xaile e de mim!

Desvanecem-se os pormenores
A saudade é tudo o que resta
Dos bordados e bastidores
Dos meus primeiros amores
Quando a Vida era uma festa.

O futuro é corredor escuro
E o amor fogo que ardeu
E não há nada mais duro
Que na Vida o que se perdeu
Vejo-me ao espelho não sou eu
Já nem sei o que procuro.

Olhos às nuvens erguidos
Lembram mãos que se apertavam
Lembram os beijos furtivos
Os abraços que se davam
Cartas escritas se rasgavam

Mas já esqueci os motivos.

Tenho que dar ordem à Vida
O tempo é quem tem a culpa
De me trazer esquecida
Sem sequer me pedir desculpa.
Dor sem peso nem medida.

Tardava em adormecer
Amar era um trinta e um
Mas pior era não ter
Na vida amor nenhum.

Que importa!?Que me importa!?
O que lá vai é esquecimento
Trago a viagem já morta
Promessas leva-as o vento.

rosafogo
natalai nuno

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

QUE IMPORTA SE O INVERNO CHEGOU?












QUE IMPORTA SE O INVERNO CHEGOU?

Que importa se o Inverno chegou?
A Vida foi ontem mas também é agora
Que importa se o tempo passou?
Há sempre tempo para amar também nesta hora!
Há muita esperança em mim a acender
Ainda quero voar na largueza do céu
Das palavras minhas asas fazer
E voar neste sentir que Deus me deu.

Quero levar longe meu olhar de menina
Fazer do meu coração seara de trigo
Com papoilas rubras rompendo na neblina
Levar minha saudade e meu sonho comigo.

Nesta viagem onde é rainha a saudade
Levo também toda a vontade de viver
Hoje mora em mim a claridade
E sinto cá dentro o sangue ainda a bater.

Caminho de braço dado com a vida
Há muito que ficou para trás a Primavera
Me sangra ainda no peito me deixou ferida
Mas é o Outono que em segredo me desespera.
E neste Outono da vida que se colhe também
Toda a essência que em tempo se semeou
Se a Vida é o nosso maior bem
Que importa se o Inverno já chegou?

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 16 de novembro de 2010

JÁ NÃO CHORAM OS MEUS OLHOS












JÁ NÃO CHORAM OS MEUS OLHOS

Meus dedos o lenço seco amassam
Pois o choro, já aos olhos não vem
Nasçam as rugas nasçam!
Já não choram meus olhos por ninguém.
Andam caídos em agonia
Às vezes se esforçam por chorar
O rosto se contrai perdeu luz que esplendia
E meus dedos continuam a amassar.

Dentro dos meus pensamentos moram
Aqueles que tanto amei
Por eles sim, meus olhos choram
A saudade que no coração guardei.

A saudade às vezes
Me vence de tão severa
Conspira por me esmagar
Nas asas do pensamento trago a quimera
Por ela me deixo enfeitiçar.
Quero pensar claro e tudo é nevoento
Como se caminhasse no fundo do mar
Onde tudo é abafado, cinzento
Carrego meus olhos tristes,
toldado o olhar.

Já só quero os pensamentos aquietar
Ultrapassar qualquer amarga sensação
Quero as lágrimas de volta,
Preciso de chorar!?
Para acalmar este tonto coração.

rosafogo
natalia nuno

HÁ QUE GANHAR E PERDER













Há que ganhar e perder...

Meu coração bate como se milagre se desse
E se eu voltasse ao dia da partida?!
E se voltasse atrás completamente?!
Ao vento selvagem que no rosto me batesse?!
Rever tudo o que ficou no coração silencioso.
A praça, o fontanário, o casario,
O rio, só ele murmurava, ele sómente!
É como estar em vésperas duma alegria desconhecida.
E tudo o resto se apagar da mente.

Esta ideia que me faz viver e palpitar
Num desejo de irreprimível felicidade
Ah, como fico ensurdecida pelo bater do coração
Fica-me um sorriso na cara, há uma razão!
Hoje só os meus pensamentos falam
Numa ansia louca de libertação
Não querem perder o fio à meada!

Deixar-me tranquilamente envelhecer? Nunca!
Ficar completamente grisalha? Nunca!
São momentos de loucura, não tentem entender.
Ficar com o olhar triste, a palavra em fallha?!
Bastam os anos perdidos!
As mãos que já não conheço!
Chega de sinais do tempo que me despedaçam
Quero de volta todos os sentidos!
O esquecimento? Não obrigada.
Deixem-me tranquila nesta minha maneira de ser
Deixem-me a sós com a poesia amada.
Logo se vê na luta tudo pode acontecer
Há que ganhar e perder...
Por agora quero apenas sonhar, viver.

natalia nuno
rosafogo

A MINHA MUSA












A MINHA MUSA

É minha musa a saudade
Por causa dela chorei
E logo depois mais tarde
Tive saudade e cantei.

Nostalgia me afaga a vida
Deixa embalar na esperança
Lembro a infância querida
E o riso solto de criança.

É minha musa a saudade
Tive saudade e cantei
E logo depois mais tarde
Por causa dela chorei.

Saudade da Mocidade
Saudade que não sarei
Na madureza da idade?!
Só a saudade cantarei.

Saudade exala o perfume
Das folhas do madrugar
Ela ouve meu queixume
Faz-me rir, faz-me chorar.

Na noite a saudade vem
Prende-se no meu cabelo
Eu e ela e mais ninguém
Sabe que ardo no seu gelo.


natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

HORAS CONSUMIDAS













HORAS CONSUMIDAS


O que tinha p'ra chorar
Por algum motivo cansei
Bate o coração sem parar
Feito em cacos em que o quebrei.
Hoje me esqueço, fico tolhida
Sou até espantalho ao vento
Lembro meu princípio de vida
Com o fim próximo me lamento.

Das estrelas que há no céu
Morre uma de quando em quando
Vou morrendo também eu
Ou a vida me vai deixando.

Reina o desassossego no coração
Tenho nos braços a noite inteira
Vivo com ela em comunhão
E a poesia é nossa cegueira.
Com tantas horas passadas
O meu viver é já uma lenda
Exausta das caminhadas
E de não ter quem me entenda.

Já trago a dor a aflorar
Na minha alma gelada
E no pensamento o ressoar
Duma vida quase acabada.
Ponho o resto da coragem
Neste poema que ninguém lê
Levo no rosto a passagem
Já vou longe e ninguém crê.

E nesta imensa descida
O vendaval deflagrou
Minha hora está consumida
E o Sol ainda mal despontou.
Tudo me parece tão pouco
Se a Vida é isto tudo!?
Trago o pensamento louco
E o coração já mudo.
A solidão me embala!
E a saudade me chama!?
Mas a vida já me abala
Me envolvendo em sua trama.



rosafogo
natalia nuno