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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

pequena prosa poética...paz



pequena prosa poética


"A luz que o sol distribui tão generosamente tudo gera, é ele o olhar da manhã que aquece o dia e esmaga a noite, adoça a vida, com sua mão quente percorre nosso corpo, e depois corre disfarçado por entre as sombras e vai deitar-se por detrás do horizonte, deixa a saudade o cansaço os sentidos adormecidos, e a luz se fecha estrebuchando pouco a pouco. As rosas respiram o orvalho da noite e nos montes tão velhos como o dia a noite faz-se paz...até que ensolarada nasce a vida de novo no dia que clareia..."

natalia nuno
rosafogo

pensamento...


lágrimas são nascente que irrompe do coração, cascatas velozes na memória, rio lavando a pele do rosto, redentoras do tempo e da dor.

natalia nuno
rosafogo

passa a vida...pensamento



a vida é areia que escoa por entre
os dedos por mais hábeis que sejam,
é na verdade uma desolada estrofe difícil de
soletrar...

natalia nuno
rosafogo

domingo, 14 de dezembro de 2014

o fulgor do sonho



sou como o fogo não me detenho
trago comigo a força do vento
no peito uma trepadeira a florir
a memória renascendo, donde venho?
dum sonho maior quase a ruir
venho do tempo sem tempo
da noite e do dia
da memória e da desmemória
do mundo da utopia...

sou labirinto de palavras usadas
arco íris de metáforas esquecidas
desolações que trago caladas
agonizo mas renasço
sempre em outras vidas
não sou navio encalhado
trago sim no coração a negação
dum destino malfadado

sou a noite e o dia do meu corpo
trago o canto consumido na voz
a cada dia  me olho, realidade atroz
sou fogo sempre a arder mais alto
rajada de vento no arvoredo
trago a vida em sobressalto
mas encaro o futuro sem medo...

sou a que ama a natureza e a liberdade
o sol que se abre na planície
vou ser assim até morrer
dou asas ao meu vôo e levo saudade
e a abrasadora sede de mais viver

natalia nuno
rosafogo

sábado, 13 de dezembro de 2014

meu chão...



vejo meu chão a distanciar-se
minhas pernas já não voam
só as palavras ecoam
das searas do meu peito
a aconchegar-se, a jeito...
é inútil recordar
já nada vai voltar
os braços estendo à saudade
que me dá sinais de verdade
meus pés, viajam pelo outono
no peito um grito de socorro
o esquecimento e sono

inclemência que este tempo 
que não pára, forjou!
e esta ferida não sara
e é inverno que chegou...

morri de cansaço
é dia chegado ao fim
o desenho de mim...

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

poção...



súbitamente tantas ideias
vindas não sei de onde
parecem teias
e eu arrebatada pela emoção
deixo falar o coração
de onde vim, para onde vou
o que fui, o que sou
o meu melhor, o meu pior
o desvendar dos meus segredos
os meus medos
tudo deixo nestas folhas sem fim
que são para mim
uma poção, ou um aroma
que me sustenta
labareda que me incendeia
o fogo que me alenta, me ateia.

quanto mais escrevo
mais descontente me sinto
nem sei se devo...
deixo-me de alma despida
deixo o sorriso murchar
podem dizer que minto
escrita é abrigo onde posso chorar

ideias desprendidas, às vezes sofridas
talvez, aparente loucura, sem cura
onde me deixo inconsciente
pois ser-se Poeta também é bravura.

natalia nuno
rosafogo






terça-feira, 25 de novembro de 2014

palavras...apenas palavras



o que há nestas palavras singelas
que não têm graça nem arte
que podereis achar nelas
depois que de mim as aparte?
andam os meus olhos tristes
no coração trago lembrança
se hoje trago tormenta
amanhã trarei bonança
os males que o Poeta tem
os vai cantando ou chorando
com ventura ou desventura
só ele os sente tão bem

quem não as quiser sentir
seus olhos nelas não ponha
a vida é breve e se não se sonha
não vale a pena existir...

estas palavras singelas a que nenhumas
se igualam
falam de mim, delas falam
e se escrever mais algumas
espero não as enjeitem
deixá-las-ei de vontade
oxalá as aproveitem
pois são naúfragas de amor
e saudade.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 22 de novembro de 2014

meditação




Coitado do meu País, as vergonhas por que o fazem passar, dobro as lágrimas quando oiço a Portuguesa, creio que ainda há muitos como eu que apesar de simples, amamos e respeitamos o chão que nos viu nascer, já outros letrados e afins que o des(governam),deviam ter vergonha na cara, para além de o fazerem tapete dos outros países se abotoaram, encheram os bolsos e nos retiraram o pouco que tínhamos e levámos a vida para o conseguir. Malditas criaturas!


natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

minha doce inimiga...



é cinzenta minha inquietação
saudade é chuva que me inunda
o coração...
como o silêncio agora pesa!
ribombam trovões distantes
lembro a reza de menina,
a Santa Barbara Bendita
«que no céu está escrita com
papel e água benta
livrai-nos desta tormenta»,
relâmpagos serpenteiam
por instantes o céu, pelos raios lacerado
que me fascina,
o dia agonizado,
um fragor de granizo
surge sem aviso,
sacode o chão, vindo dos céus,
eu me entrego a Deus

nuvens negras de corvo
luz macia e lenta
e meu coração experimenta
o amor p'lo verso
que surge súbitamente,
vindo dum recanto da alma
inesperadamente a escapar-se por entre
os dedos, apagando os medos
neste fim de dia
negro, de sombras e nostalgia.

por detrás do vidro embaciado
abstracta, olho o arco-íris
imagens me vêm do passado
me arrastam num deambular de sentires
meu coração sente  e despedaça
enquanto a morte se aproxima ... a vida passa.

natalia nuno
rosafogo




sexta-feira, 14 de novembro de 2014

bate-me à porta a saudade....



Todas as forças consumi
evoco agora recordações
contemplo ternamente o tempo
de quando te conheci
sinto um leve rubor com a recordação
era tempo terno, tempo de ilusão
agora as recordações já se sobrepõem,
minha expressão já envelhecida
já lhe escapam os traços,
tudo são interrogações e expectavivas
os sorrisos, os passos... que fez o tempo
da minha vida?
Mergulho no passado
docemente recolhida...

Erro ao acaso pelo cais da vida
bate-me à porta a saudade
e num sonho revejo
com felicidade, e súbita
iluminação interior
os melhores tempos, tempos d'amor

meu pensamento voa
levando meus olhos numa aventura
excessiva,
o coração ama,
o sentimento não extinto
porque é amor o que sinto
viva, viva apelando à vida
degrau a degrau me facilite a subida.

meu coração ainda existe
numa teimosa nostalgia
que me ata à vida...

natalia nuno
rosafogo





pensamento



O passado é remota fragrãncia existente em nós,  o presente é tão inocente, tão criança, que nem a si se conhece... é um sopro cristalino, como pode saber que existe? E o amanhã é folha de trevo difícil de encontrar.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

amor-perfeito...



abres minha mão para ler suas linhas
me assusto com a falta de teus beijos
pressentes espasmos de meus desejos
nos sonhos que em mim desalinhas?

vou-me encostando ao teu peito, agora
deixa-me sonhar sonhos que vêm de ti
não me impeças de caminhar nesta hora
quem sabe... a próxima não estarei aqui!

deixa-me partir quando as rosas abrirem
deixa alimentar o sonho q' em mim viveu
deixa os meus olhos morrendo, ainda rirem

acode aos meus lábios e deixa-me no peito
este vivo amor que um dia me enlouqueceu
explodindo em m' coração, amor perfeito...

rosafogo
natalia nuno



domingo, 2 de novembro de 2014

em fogo assim vive...o coração



arde-me uma dor no peito que deita 
chama, que inflama, sangra e definha
fantasma que estrebucha está à espreita
que retira a esperança q' do amor vinha

mas de tão pouco serve o sofrer assim
em lágrimas se debulha... o olhar meu!
nas horas inquietas que passam por mim
vive a saudade daquele amor q'era só teu

doença maior, só esta eterna saudade
magia nesta m' longa e solitária travessia
onde o recordar-te é bem que me acaricia

nossos sonhos ficarão para a eternidade
e esta dor no peito... irei senti-la ainda?!
palavras se esgotam, mas a dor não finda.

natalia nuno
rosafogo








sexta-feira, 31 de outubro de 2014

pensamento...



Olhamos as coisas ao nosso redor, vamos direccionando o olhar até ao infinito...será que elas nos olham também, mas não conseguem manifestar-se?

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

minhas mãos...



olho as minhas mãos, fiadas de rosas
e de memórias que pulsam no papel
efervescentes de segredos, tão nossas
laboriosas, trazendo-as à flor da pele

são m'nhas mãos estremecidas de amor
dois ramos debruçados sobre o muro
q' vestem meus versos de saudade e dor
sonhos... onde eu sempre me aventuro

mãos que tudo dizem de mim, as penas
e saudade que escrevem de madrugada
versos em pedaços, lembranças pequenas

fardo de lágrimas, sentida dor e saudade
mãos que de ilusão me trazem enganada
adivinhando nas linhas futura tempestade

natália nuno
rosafogo



quarta-feira, 29 de outubro de 2014

pequena prosa poética...POESIA







Vedes o tempo como voa, e a estrada do céu aberta, anda o coração alerta, não venha a dor e lhe doa,  de monte em monte em bando ou solitário, sempre se encontra um ramo uma fonte uma gota de orvalho... virá depois o amor para um tempo melhor!

 Adoro flores e pássaros desde menina...e a Poesia é minha sina... dela ninguém e nada me priva, enquanto fôr viva, no meu peito soa inteira, mentirosa ou verdadeira, vive paredes meias comigo, suspira quando eu suspiro, não há nada que nela mude ainda que do meu chorar se ria, riu-se de mim ao nascer, anda comigo desde esse dia...a mim mesmo já me perdi, num labirinto que é jogo, mas sempre nela senti, companhia que não rogo....a meio da vida a avistei e nunca mais a larguei! Com ela invento sonhos, levo meus olhos ao tempo da felicidade, desperto os rouxinóis que vivem em mim, sinto-me uma gazela dominando este mundo que é meu...


natalia nuno
 rosafogo

sábado, 25 de outubro de 2014

dói a ausência...



apagaram-se os ecos,
do fumo triste emergem feridas
choros de quem a ausência chora
saudade sobeja
e os dias não passam
sombrios, tristes,
como dor que se abraça,
quando a alma chora

ausência, mal que nos derruba
deixa a vida espavorida
rouba o bem que temos
por ventura ou por desgraça
o tempo passa e não passa
e lá se vai a mocidade
o futuro hirto
o corpo cansado
o rosto enrugado
na alma a saudade

acata-se o destino,
e quando anoitece
lá se foi a graça, logo
amanhece para limpar o pranto
por quem se anseia tanto.

natalia nuno
rosafogo




quinta-feira, 23 de outubro de 2014

versos d'água...




Lembranças vão e voltam
como as ondas do mar
a um ritmo alucinado,
assim a tua vida na minha
é como um verso abandonado
o coração em versos d'água
e a mágoa sempre mais forte,
uivando como o vento norte...

Lembranças morrerão comigo
em silêncio, em meu abrigo,
são agora minha fuga, o
valor que me resta
na solidão desamparada
outonal melodia
aos meus ouvidos assobiada
a noite as aproxima
eu as canto numa rima


Lembranças refrescam a mente
do que ficou ausente
têm o odor a alfazema intensa,
trazem à memória o que o tempo
roubou, são a ponte entre o passado
e o inesperado,
numa saudade imensa
poeta sou num verso as engendro
são meus sonhos ardentes
caudal da minha memória
são estrelas na noite, cadentes
são pássaros em meus olhos
voando por entre lírios de solidão.

Trago a poesia p'la mão, nas
lembranças que arrebato de mim
onde quer que esteja, pra onde me vire
só elas e o tempo a partir...
tudo o que a vida  deu e não deu
nesta viagem a que me dou
sou chão sem flor...já lembrança sou.


natalia nuno
rosafogo


confesso-me...




confesso-me... nestas linhas ardentes
nosso amor não cristalizou pouco a pouco
prende-me a ti julgando ser amor q'sentes
é na volúpia da m' paixão que ficas louco...

no momento vi em ti homem enamorado
candidamente me entreguei e sem receio
- logo ali nosso amor julguei eternizado
doce o morrer de desejo que em ti ateio.

mas, meu coração é flor que já definha
esqueço até de mim, teu amor é sina minha
como o sol que traz  ao meu dia claridade...

resta o cofre das cartas d' amor guardadas
com promessas e juras por ti inventadas
que são o riso e o pranto da minha saudade.

natalia nuno
rosafogo








terça-feira, 21 de outubro de 2014

meu coração se aperta...







dias de verão tão lentos
sento-me na margem da tristeza
olhando o tempo e a distância
ouço soprar o vento da incerteza
enquanto a vida avança.
à distância um longo caminho
o tempo de amor de antes
palavras mortas em pergaminho
palavras que guardam para sempre
num cantinho o amor dum coração
amante.

esquece-se a lágrima de rolar
o sangue deixa de palpitar
sonhos da vida, ai sonhos meus
de forma clara. dizendo-me adeus...

letra a letra deixo escrito
nos muros da m'inha alma
o que vai...
o silêncio, o vazio...o grito
hoje e amanhã que de mim sai

natalia nuno
rosafogo



pensamento



as nuvens percorrem o firmamento navegando nas alturas, as recordações percorrem o pensamento trazendo-lhe despertares de ternuras.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

ave sem ramo...



andorinhas volteiam no azul do céu
os estorninhos abalam em debandada
olhar que em mim mudou, que fiz eu?
que pelo jugo do tempo fui apanhada

pensei eu que meu coração asas tinha
julguei-me feliz em  doces encantos
viva, era a saudade que me mantinha
e sonhos eram mil... eram eles tantos!

trago agora cabelos de neve extrema
logo a vida envolta em névoa escura
se é a vontade de Deus...ela é suprema!

lá ficou para trás ... a tão florida idade
e tudo o tempo me trouxe, menos a cura,
apenas dos anos restam danos e saudade

natalia nuno
rosafogo
imagem ret. da net.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

meus passos...



num lapso de tempo foi-se a vida
felicidade é como água que corre
de cheio e vazio, descida e subida
tudo à mercê do tempo vive e morre

mergulho num torvelinho de ideias
à mente os anos felizes descuidados
ainda ontem comigo, paredes meias
hoje fardos a cada dia mais pesados

num vôo como águia no céu planando
ou como uma pena levada pelo vento
entre dúvida e esperança vou acabando

meu sonho é vela já meia consumida...
na tremura dos dedos procuro alento
uma razão, raiz que me agarre à vida


natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

enlouquecida...



tal como uma criança que se inebria
eu sinto, sinto meu coração a bater!
o corpo se entrega à dança, rodopia
neste amor, quero deixar-me morrer

intacta, tão grande é minha saudade
tanto quanto o céu entre as estrelas...
jorra o sol bem no coração da tarde
pinta-me o rosto em sombrias aguarelas

sem tempo, sem limite e nem medida
meu temperamento é agora de paixão
olho o negro da noite... negro carvão

embebeda-me de promessas a vida
q' importa ter mais ou menos idade?
se sou Poeta e dou a mão à saudade.

natalia nuno
rosafogo


domingo, 12 de outubro de 2014

odor a jasmim... recordar o passado



são poucas as palavras por dizer
sinto-as imóveis na garganta
numa desolada hesitação
e o olhar vai-se a perder
esgota-se na imensa vastidão,
insegura é minha presença
os passos o vento arrasta
a saudade de ti é imensa
cerca-me a solidão...
refugio-me na noite silenciosa
sinto na pele a falta da tua mão
como uma orfã com medo
que cresce em mim e é obsessão.

o silêncio leva-me distante
enquanto a água me ensombra os olhos
deixa em mim a tua recordação
e aquele rio de amor...
odor a jasmim nas margens, é
ternura com  que te abraças
ao meu corpo incendiado,
contemplo agora teu rosto
e sonho, com o sorriso nele derramado

prende-me o sonho colorido
por ele passam os dias da minha vida
perante meu olhar comovido
e a memória quase esquecida

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

tudo se me escapou...



já o sol partiu do jardim,
não encontro em mim
aquela vontade... o pensamento
se esquiva, meu voo é curto e fatigado
a esperança é o fio a que me atenho
e para que viva...
a saudade de onde venho.

voam os pardais de asas empapadas
trago no rosto o final de Agosto
o destempero do tempo
e as marcas pesadas,
já me apresso
antes que o tempo me consuma
à vontade já nada peço
o fogo é extinto, nem passado
nem presente, nem coisa alguma

tudo se me escapou
nada volta ao meu peito, nem o vigor!
resta-me a paz e o ror de horas
em pensamentos vãos
até que as palavras me voltem às mãos...

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

pequena prosa...



Penso em como a felicidade nos fortalece e a dor nos enfraquece à medida que o tempo passa...ver os filhos e os netos tornarem-se homens e mulheres, faz-nos abolir do pensamento a passagem do tempo, faz-nos perder a noção de que ele passa e não perdoa, tocando-nos com a sua mão invisível...e quando nos apercebemos os anos felizes e descuidados passaram, são agora como um rosário de orações rezadas.

natalia nuno

rosafogo

sábado, 4 de outubro de 2014

ponho a mente de vigia...



sem grande barulho abre-se a porta
sem que nela alguém tenha batido
alma d'outra mundo... gente morta
talvez...só coisas do meu ouvido!

no limiar... uma silhueta sumida
parece-me até de candeia na mão
ao olhá-la sua carne parece lívida
e os passos são pesados no chão...

rio-me deste sonho d'tanta loucura
olho a porta num trejeito de troça
mas ali volto a ver uma fina figura
que não é a minha e menos a vossa

brilha nesta noite imenso clarão
um pressentimento entra e invade 
meu corpo que  treme de emoção
à vida vai-se agarrando c'vontade

na verdade não passou duma visão
que espero a outro sonho não volva
q' vacile sempre a morte no meu chão
e que a vida cega e muda tudo resolva.

natalia nuno
rosafogo



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ébria de palavras...



Guardo palavras num frasquinho
como se fossem doce ou vinagre
as vou espalhando pelo caminho
vivendo esp'rança em tempo agre

e assim entre beijos inacabados
o olhar repouso, acalmo o desejo
trago os sonhos com nós atados...
e a esperança na promessa d' beijo

é já na hora tenra da madrugada
q' gritam os pássaros com ternura
na luz que avança leitosa azulada
a gente se ama, é nossa a ventura

amor me fio, janelas escancaradas
deixam entrar os ventos da aurora
e as vestes p'lo chão amarrotadas
é hora do amor... é do amor a hora!

Tudo que tem sombra é sombrio
quando não se alcança o sol à mão
E a vida ás vezes presa por um fio
e aí nos amarra d' dor e compaixão

no pomar tão brilhantes as cerejas
nas moitas sol aceso nos azevinhos
brilham mais m' olhos se os cortejas
acolho o cortejo dos teus carinhos

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 30 de setembro de 2014

tempos de engano...



Continua o vento...
dá gosto ouvi-lo forte nos pinheiros
agora mais lento sobre os cardos roxos,
piam os mochos...
o tempo a fugir e o vento a rugir,
 a água dos olhos a verter
e a esperança a querer morrer,
vai o pássaro voando do seu jeito
vai a vida fugindo-me do peito.

é tal o movimento da ave no ramo
que seu canto parece pedir piedade
pedindo paz ao vento,
também eu clamo
mente solta... quero liberdade!
já não há vento que me atormente
nem pássaro desolado a fazer-se ouvir
nem mal que em mim assente...

o vento está de partida
esquecida de mim, pensamento vazio
olvido a vida, que a vejo a levar-me,
nada, ninguém pode ajudar-me

só não me priva a doce esperança
e o doce amargo da lembrança

natalia nuno
rosafogo




sexta-feira, 26 de setembro de 2014

a culpa é da palavra



a culpa é da palavra
que me leva a aspirar a felicidade
me deixa o espírito agitado
gera em mim a saudade
dissipa-me a ilusão
choro se não a amo e choro
porque a amei
derramo lágrimas em vão
a culpa é da palavra,
que de tanto a admirar
é quimera, sonho difícil
de alcançar...

a culpa é da palavra
um mar a rebentar em mim,
onde chega o prazer e há tanto
por dizer...deste meu viver.
só ela me espanta assim,
salta, salta na minha mente
baila, baila na minha frente
fala-me d' amor, fala-me de saudade
da memória duma vida
toda bordada de matiz
que vem de longe e floresceu,
de longe... onde eu era feliz!

a culpa é da palavra
da sua beleza e melancolia
abelha que vem ao meu ouvido zumbir
borboleta vaidosa que me vem beijar
uma e outra vez  a repetir
que é barca que me leva em alto mar
sempre na minha alma a germinar,
ela que exalta o meu viver
luz divina, que
me faz mais mulher.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

posto o coração em desafogo...sonho



dou asas ao sentimento
e toda a trama se desfaz
caída nos braços do esquecimento
a mente em branco
a realidade a rir-se de mim
e eu em paz...

chove a potes,
a emoção cansa-me,
o pulso altera-se
e o sono vence-me,
a recordação convence-me
e vou um pouco mais aquém
pois ela me leva sempre mais além...

frente a frente fiquei
com a frescura da brisa do rio
e ali me deixei...no sonho
ao passar a ponte o céu clareou
ficou limpo, as coisas ganharam cor
ouvi o ulular do vento nas canas
as rolas cantando ao amor
depois um estranho silêncio
o ânimo afrouxa
deixo-me pela saudade arrastar
pego na trouxa
e vou ao rio lavar...

ah...ser  poeta é ser ninguém,
ser livre e ser vazio, é como
ser nuvem sem água,
ainda assim chorar de mágoa
ir sempre um pouco mais além
trazer os pensamentos à mão
pintar a vida com alma e coração

neste sonhar que minha alma adoça
não há mal ...que mal chegar lhe possa

natalia nuno
rosafogo


domingo, 21 de setembro de 2014

o trinar dos pássaros...


procuro o aroma da infância
tudo a minha mente imagina
o rio os arvoredos, o moinho
o açude, as videiras, o fazer do vinho
os besouros as borboletas e eu menina.
os sons, os reflexos, as sombras
o trinar dos pássaros...terra minha,
a ladeira, o adro e eu ave ao vento
papoila do campo, incendiada
de cores, num voo livre, no coração
amores.
no eterno salgueiro o pintassilgo
a fazer-me vizinhança
cantando comigo ao desafio
e eu tão pequena, tão criança.

nasci olhando o rio, amei-o,
meus olhos rasgaram o arvoredo
hoje trago no rosto sombras do estio
que o embaciam de medo
e que meu coração intuí
que não volto a ser quem fui
mas guardo ainda no íntimo a esperança
e o sonho ainda me cabe
e sou de novo a ave e a criança
o mesmo aroma, a mesma febre de felicidade
e sempre intacta a saudade.

natalia nuno
rosafogo





sábado, 13 de setembro de 2014

Luz boreal...



Abria-se a escuridão da noite
nas ramagens o rumor do vento
ao abandono nossos corpos nus
numa entrega como flores ao relento
lá fora a vida levando sua cruz
tu eras o vento que me açoitava
o interminável sol que me aquecia
eu a flor que por ti brotava
feliz até ver nascer o novo dia
sempre o amor com intensidade
nas mãos hoje, gestos de saudade

Carícias como nuvens brancas perdidas
pairando sobre nossos corpos
depois a doçura dos silêncios,
das horas enlouquecidas
resta ainda uma indelével frescura
cascatas de risos e ternura...

cada dia mais viva esta magia
tanta era a emoção no caminhar
hoje a recordação em mim irradia
como a luz boreal que noite e dia
é presença ditosa no nosso olhar.

natalia nuno
rosafogo

Noruega 7/2014





espero-te...



ESTE SONETO FOI-ME DEDICADO PELO JORGE SANTOS

Um soneto dedicado a quem me fez duas criticas positivas a minha simples poesia, espero que gostes.
ESPERO-TE
Espero-te... num deserto fecundo e perdido agora,
Entre séculos dolentos de uma servidão que não entendo,
Onde exististe sem viver, num mundo que emendo,
Em que me deste tanto do teu tão pouco, quando te foste embora...
Espero-te... onde a demência é sã e nela vou lendo,
Que a plácida flor do alento também chora,
Indulgente no seu caminhar, pois de amar é hora,
Dirimindo o murmúrio das pétalas doendo...
Espero-te... onde esse sorriso enxuga a lágrima que pendo,
E a pena amordaçada que já não demora,
A sussurrar o prenúncio do sudário onde me estendo...
Espero-te... num tempo d’outro universo, onde mora
A esperança que vai murchando, e a vida morrendo
Na beleza das palavras que o próprio poeta ignora...
Autor: Jorge Santos

Poeta da minha terra...obrigada Jorge

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

sobre o tapete...



sobre o tapete
com que prazer os corpos
se amavam
na intimidade que dissipava
qualquer barreira
numa audácia de dizer não aos preconceitos
ali onde o amor fechava
os olhos, e oferecia uma
linguagem nova,
no ar o odor da flor
agigantavam-se as asas do desejo
e tudo...tudo era amor.

Os  olhos revelavam o querer
e no calor dum beijo
o tempo era uma infinidade
no rosto o assombro da novidade
no teu redobrada fascinação
e as insistentes palavras finais...

Amo-te...Amo-te cada dia mais


natalia nuno
rosafogo


domingo, 7 de setembro de 2014

meu povo...



A tarde desvanece e o povo
 adormece...no rescaldo da vida
no rosto uma expressão perdida
a vida que se evade, a terra ao abandono
o último pássaro adormece
na copa do loureiro,
o rio em movimento
e no coração das gentes o estremecimento
como será o amanhã? E uma inquietude
sem fim...

Dorme com o velho sonho
que será feliz ainda assim...

Com o que lhe resta, segue em frente
é preciso que o corpo obedeça
mesmo que já não tenha onde ir
nem lhe interesse o porvir,
a terra será seu sonho sem tamanho
o que sabe da vida é sua fortaleza
e da terra o amanho
dos pássaros conhece os trinados
tudo sabe das luas, dos ventos, das estações
cansados, cansados de tanto saber
do plantio, da rega, da apanha, da entrega
da velha arte, do ofício... sem ilusões,
sua existência é feita de sacrifício,
se já nem a dor faz sentido,
outra vida poderiam ter tido?

Privado de tantos prazeres que outros têm à mão
levou a vida cavando a terra
um dia parte leva cicatrizes e
solidão e descansa finalmente
no seu amado chão.

natália nuno
rosafogo






sábado, 6 de setembro de 2014

meia ponte...



Meia ponte...dói a recordação
no seu chão
a história de tanta gente
só se ouve a linguagem da natureza
a alegria perdurável do rio que passa
insistente e com graça
mas na ponte já ninguém passa
meia ponte...dói a recordação
quem se acostumará à morte?
Por ali vai pulsando o verão
tudo vive, só a ponte não teve sorte.

visitam-na os ocasos e as auroras
e o azul do céu é omnipresença
a luz branca da lua sem demoras
e os sapos cantando fazem presença

Quiméricos sonhos aqui passaram
enigmas dum tempo que já não volta
quantos pássaros por aqui voaram
quanta fome de liberdade
quanto sobressalto, quanta gargalhada
quanto rancor, hoje é meia a ponte
e todos a recordamos com amor.
Maldição ou desamparo
destas tão pálidas defesas?
Minha memória não descortina!
E a ponte  veste-se de presságios e
de  silêncios,
do que recordo de menina.

natalia nuno
rosafogo




segunda-feira, 1 de setembro de 2014

À minha terra...




Hoje fui às hortas
uma estranheza tocou meu olhar
já não havia pássaros a cantar
nem moças no rio a lavar
meu olhar pereceu ali,
o entusiasmo aboli
enquanto o coração o vazio aceitou.
Há dias em que me afasto um pouco
já nada é o que era, já nem eu sou!?
Precisei de voltar lá, a ver
as hortas e o rio
mas nada é o que era
meu coração regressa vazio
e embora já nada possa ser
não vou maldizer o tempo perdido
trouxe o aroma das laranjeiras
nos olhos a luz de mais um dia amanhecido.

Trouxe o sereno da tarde
que consolou o meu peito
por mais que me digam a verdade
aquele ledo encanto é meu coração que sabe.

Quando me disponho a regressar
há sempre uma lembrança a despertar
no chão desta minha terra, ou no firmamento,
que valem o meu sorriso
voltar lá sempre preciso.
O que busco? Nem eu sei!
Talvez o canto do grilo,
talvez meus passos de criança,
talvez a serenidade
o meu grito de despedida ou de esperança
ou será a saudade?

natalia nuno
rosafogo





O poema da desmemória...



Nada pode mudar o tempo
incessante, nem sua impiedade
só a memória procura claridade
em um ou outro instante que ainda
no peito me arde
o tempo desdenhoso fere-me de saudade
e o horizonte do poema obscurece
e assim permanece triste,
num estado de letargia.
Esqueceu de celebrar nossa festa
mais íntima, o teu falar-me
ao ouvido, de incendiar nossa hora,
falta-lhe o que sinto e o que sonho
a alma da saudade que chora,
a solidão de quem procura
um pouco de amor,
outro tanto de ternura.

Nada pode mudar o tempo
mas o Poema não esquece a verdade
do que guardo em mim mesmo
nem nosso amor vestido de simplicidade,
o riso ou a lágrima da minha saudade,
e as páginas que ficarem despidas
ainda assim me ouvirão,
apaziguarão minha alma e minha vida.

O Poema é o esconderijo, o abrigo,
a lágrima solitária que trago comigo.

natalia nuno
rosafogo



domingo, 31 de agosto de 2014

instante...



o que me ata à vida é sonhar com a felicidade, quando os meus olhos sentirem a terra escura, meus versos serão páginas dum livro ferido de saudade...minha poesia uma gota de orvalho numa comovida flor.

natalia nuno
rosafogo

pensamento





As palavras são vermelhas de vida ou negras de dor, premonitórias de felicidade ou de angústia, às vezes de alento com quem o acaso nos cruza.

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Há-de querer-nos a vida!



A primavera inteira floresci
como uma criatura afortunada
agora me pergunto onde irei sem ti
ou tu sem mim...
Sentir-me-ei flor sem jardim,
casa sem muros, pó de coisa acabada
berço sem embalo
a semente dum sonho que inventei
e calo.
Nada se ouve, nada se vê
desenham-se meus passos incertos
alinhavam-se as minhas horas
Onde te tenho?
Que dor é esta, que frio?
Porque demoras?
Afasto o tempo de antes e depois
e o presente é alvorada entre
nós dois.

Os dias passam continuamente
e o coração corre, corre
esquecendo de viver o presente
a doçura dos anos está indo
como pássaro que voa sem rumo
em delírio vou pressentindo
que a vida se esvai como fumo

Há-de querer-nos a vida
enquanto o destino corre
enquanto nossas horas não estão perdidas
enquanto há nelas interesse e o amor não
morre...

natalia nuno
rosafogo





pensamento



«Quando o pensamento é determinado o pulso talha qualquer diamante»

natalia nuno
rosafogo

JÁ TE FALEI DE SER FELIZ?



JÁ TE FALEI DE SER FELIZ?
À minha amiga e poetisa Natália Nuno. 

Já te falei hoje das flores e do riacho?
Do chapinhar saltitante das rãs e do seu coaxar sincero?
Do zumbido franco das abelhas e das libélulas,
rondando de cá para lá como se à face da terra
não restasse tempo para a monotonia?
Do latido indistinto do guarda-mor a olhar os passantes
e a abanar o rabo quando um da família chegava?

Já te falei do calor dos dias sob a sombra queimante
dos figueirais, quando Agosto pingava o mel
dos frutos e a agonia da canícula?
Do fuga rastejante das cobras e da azáfama penitente
das formigas, carregando o futuro nas mandíbulas,
enquanto no canavial um melro compõe uma melodia encantatória
absorto no desaviso das horas?

Já te falei de ser feliz? De ser muito feliz?
De ser eternamente feliz e grato?
De ser puto com asas invisíveis e sonhos inflamados
de girândolas de foguetes e tantãs de tambores guturais?
De ser pássaro como os pássaros e avião como os aviões,
para galgar muito além das nuvens e conhecer os lugares
inóspitos e os jardins plantados à beira dos rios serenos?

Se já te falei de tudo isto, deixa que te diga, finalmente,
que ainda há constelações por descobrir
e mundos para além do mundo ao meu redor
que não conheço e que anseio encontrar ao virar da esquina.
Talvez nos teus olhos de ver mais além ou no teu coração
de surfar as ondas do oceano e a escuridão das noites de insónia.
Vamos plantar canteiros de estrelas no cimo da serra?

Regalas-e-mos com as nossas lágrimas de alegria.
E amanhã veremos mais longe o arrebol da aurora!
Está na hora... É agora!

Em 25.Ago.2014
PC... Poeta amigo Paulo César
Foto pessoal


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

pensamento...



a morte a todos nos aguarda, sendo ela a última derrota da vida...

pensamento



Tudo tem um limite, até as lágrimas que se derramam por amor... logo a mais obscura penumbra no coração se torna claridade.

natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

a porta permanece fechada...



a porta permanece fechada
cá dentro os sonhos, restos de vida
espelhos tristes e a alma esquecida
a memória doutros dias pouco ou nada
a solidão não dá tréguas
na janela sem cortina
uma fosca neblina
uma ou outra voz distante
de quando em quando uma lufada de vento
e é neste dia após dia
que a hora de amar gela e esfria
atrás de mim um desejo a germinar
como o vento que desperta
e me grita...amar...amar!

sem que eu entenda nada
a porta permanece fechada
por detrás dos vidros molhados
restos, restos de vida com ardor
os corpos pelo tempo profanados
mas nos corações um tenaz amor

e é o amor que nos ocupa ainda
cá dentro o universo só nosso
onde teus braços me enlaçam com ternura
neste sentir que não finda
que é felicidade, tempestade, loucura.

natalia nuno
rosafogo



marcas de nostalgia...




Esta noite permanece surda
só o silêncio se faz ouvir,
e esta Saudade que não muda
que dispara e incendeia e escreve
o que só eu sinto,
que serve para tudo e para nada,
com letras mágicas, da minha fonte
apaziguada...
Saudade que traz marcas vestidas de nostalgia
um olhar  altivo de desdém
o riso e a lágrima solitária
e os sonhos que em maioria
se agigantam, e vão mais além,
e a vida me desafia...
Doce e amarga, cruel paradoxo
traz-me recordações em turbilhão
fecho os olhos. deixo o coração
pulsar, vagabunda fico à deriva
nesta Saudade audaz, que espelha meu céu
e me satisfaz...
Nesta noite, lamenta-se o verão fugaz
estremece a minha mão e o meu sorriso
só uma árvore se agita, nesta quietude
enquanto a minha vida inteira se consumiu
perdendo-se na bruma...

Desce a noite imensa
e eu não preciso mais de coisa alguma
a não ser desta sede que me rodeia
este inferno ou paraíso, esta Saudade que é teia
centrada no coração e que volta e meia
me sobe ao pensamento num voo em chamas

É então quando tu POESIA me chamas.

natalia nuno
rosafogo



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

à terra que não se esquece...



Como é difícil, às vezes já
nada se imagina,
apenas a fascinação e os aromas
que gritam em mim e trago
desde menina...
procuro a claridade que fui um dia
o olhar... como se  conseguisse lá chegar!
Ao lugar onde o sol cantava para mim
as nuvens me davam a mão
e o rio adoçava -me o coração.
As árvores vinham de há séculos
sentia que me queriam bem
explodiam de frutos e me sorriam
é esta a felicidade da lembrança que me
sustém...

Hoje a solidão é densa
e o tempo passa
a saudade embacia o olhar
e a terra, essa terra natal, continua
nos meus sonhos, me abraça
com braços e mãos de espanto, fulgor,
toca-me o coração com palavras de amor
e uma estranha sedução...

natalia nuno
rosafogo