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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

sonho dum momento só meu




quisera ser um momento
aquele sol dourado que brilha
nada mais que um momento
ser poema maravilha.
partir para outro hemisfério
levar no olhar
salpicos de mar...
e a boca salgada de mistério.

quisera ser um momento
a nota duma flauta no ar
nada mais que um momento
ser verso a soluçar
esperando a tua chegada
olhando p'la janela entrefechada.
agora que a tarde me banha
e a saudade se faz tamanha.

quisera ser um momento
cantar como canta o Poeta
e nada mais que um momento
nesta tarde violeta,
e tarde em meu coração...
oca de pensamento
me deixaria adormecida
por aí... algures sumida.

deixando um beijo de despedida
nesse momento morrer de amor...

por quem tanto amei na vida.


natalia nuno
rosafogo
imagem da net

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

céu da imaginação...




o aguaceiro da madrugada
levou-me ao céu da imaginação
deixei cair o pano da memória
e sem hesitação...
fui de mansinho
à margem do sonho
lá estava a minha história.

voei até lá num tapete voador
à remota infância...
lá estava à janela a mesma flor
as mesmas tábuas do soalho
a mesma brisa matinal
na horta o mesmo espantalho
os mesmos girassóis dobrados
a mesma arvore florescendo,
e os meus passos cansados
eu correndo...correndo.
o mesmo açude...
a mesma água por ele descendo,
e o amor que não se esquece
à terra
que o coração nos aquece.

deixo os chorões caídos de tristeza
num silêncio gelado...
e volto com destreza
deste meu sonho, onde deixei
tudo o que havia amado,
e não se varre da memória
nem da minha lembrança
é parte da minha história
rumores da minha infância.

minha saudade hoje é de alegria
meu sonho, perfumado de poesia...


natalia nuno
rosafogo
imagem da net

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

eu queria...



guardam meus olhos a tristeza
doutros tempos que dão saudades
neste mundo de incertezas
sem virtudes nem verdades.

anda o pensamento povoado
de nuvens já sem perfumes,
queria olhar o mundo iluminado,
sem ódios nem azedumes.

queria que...
a TERRA ofertasse o pão de cada dia
alvo, como a farinha branca de cal,
que trinassem os pássaros só alegria
e no regaço embalasse a todos por igual.

que acabasse esta hora desenfreada
e todo o tumulto das paixões do PODER
meus olhos de júbilo a estalar
minha alma em fogo desnudada,
as injustiças puder combater...
deixar bailar o coração, rir e amar...
fazer da vida uma colmeia de alegria

cantar... cantar Poesia.

natalia nuno
rosafogo
img-net

domingo, 13 de janeiro de 2013

já a vida me não tem...



andam meus sonhos perdidos
na saudade que trago em mim
nestes versos já esquecidos...
feitos sonho a chegar ao fim.

saudade que em mim mora
saudade que é feita de mágoa
que me dói e em mim chora
irrompe em meus olhos a água

andam meus sonhos vadios
sonhos por mim inventados
andam meus sentidos vazios
e os gestos tão cansados...

um dia estarei de partida
já a vida me não tem...
ficam meus versos feitos vida
sonhos loucos de poeta,
que um dia foi alguém,
na noite se perdeu
numa atroz melancolia
e assim desapareceu
deixando a Poesia.


natalia nuno
rosafogo
imag.net

lembranças miúdas V



pequena prosa poética

Pelo tempo desarmada, trago estradas e atalhos a correrem-me p'lo rosto,
mas prossigo serena...abraçada à saudade e ao sonho que tiro da gaveta sempre que preciso sonhar.
A luz então em mim se faz tanta, que separo as horas tristes, vivo as restantes, calo a solidão,
e, fica apenas aos meus ouvidos o chilrear e o bater das asas que passam razando o telhado e me convidam a apanhar amoras, a bicar figos maduros, a respirar a brisa que vem de lá do rio, e é nesse momento que meus olhos esbugalhados miram as chaminés fumegando...ali fico olhando o fumo branco em direcção às eiras, o sol chegando, clara a manhã, a erva prateada e a água do rio espelhando.
Foi aqui! Aqui que nasci, bem no ventre deste lugar, coberto de orvalho, com o azul do céu lá p'las alturas, e com as romãs a abrir como pássaros querendo deixar a gaiola.
Quantos viveram semelhante sonho? Quantos fruiram tal como eu deste sonho que é crescer na natureza? Só mesmo esses saberão do que falo e desta minha saudade, assim como do meu apego às raízes.
Trago na mão restos de primavera e verão,  no coração carrego as saudades do largo da praça,  e a graça das cachopas do meu tempo com trajes domingueiros dirigindo-se à missa, no seu passo miúdo, esbeltas como se fossem princesas. Ao ouvido ainda soam as músicas bem distintas do açude moendo o trigo e a voz do sino em repetidas carícias, em sussurros enternecidos, chamando o povo à reza do terço...e aos meus sentidos explodindo de saudade há ainda o cheiro das flores abrindo, volto á juventude e ao riso,
sonhando sempre que preciso...assim, saudades de mim.

natalia nuno
rosafogo
net-imag.