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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O QUE ESCREVO VOS INCOMODA?

H. Zabateri decoupage

Como é vazio o esquecimento
A que a vida nos condena
Sorrio com desgosto e pena
Fugo ao próprio sofrimento.
O tempo tremula em minhas mãos
Adivinho o presságio por instantes
A vida me dá tantos nãos
Já nada é como dantes!

A memória derradeira,
onde chove?
Após longa caminhada,
anda agora cansada.
Jáse instalou a sombra
que me demove.
Lembrança regressa quando quer
Mas é pouco fiel!
Sopra o esquecimento sem querer
Quando como pássaro sem asa
me abrigo na folha de papel.

O que escrevo vos incomoda?
Mas não vou recuar...
Não!
A escrita pode estar fora de moda
Mas é assim que irá brotar.
Deste meu coração.
Esta é a língua minha
Meu jeito de contar a história
Se do vosso coração se avizinha?
Então deixarei de mim memória.

Meu sonho errante
É um descampado imenso,
deserto onde o vazio reina e o amor?
É sonho perdido...distante,
onde habita algum temor.
É nuvem a afastar-se sombria
Numa solidão absoluta
Que reina neste pálido dia.

rosafogo
natalia nuno

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

UM FRISO DE PÓ



Meus olhos tremulam na escuridão
Uma noite cerrarão!
Embaciados pelo luar
Levados por um vento morno
sem retorno,
enquanto a maresia desce
sobre o mar.

Serei mais uma concha abandonada
Ou um grão de areia no deserto
que não serve pra nada.
Por perto?
A vida escondida já sem alma
por se haver perdido
De tantos anos ter vivido.
A memória?
Ficou espelho partido
Já não ouve o coração
E o sonho já não passa de ilusão.
Restará um friso de pó
Eu não voltarei nunca,
estarei só.

rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 25 de outubro de 2011

TUDO FOI UM SONHO

criança-linda-vintage


O vento sopra-me no rosto, olho as ondas a bater lentamente, cadenciadas, neste dia cinzento.
Não ouço vozes nem risos, conto os minutos precisos para ver o anoitecer, ao redor continua tudo mudo.
Cresce a relva sob os meus pés, sou a única a olhar o mar, o vento  move-me  o cabelo e me acaricia de novo, e assim, passa mais um dia.
    Irá chover? Não...o vento dispersa as nuvens, e o meu pensamento é um pedaço de céu azul onde as palavras se agitam, como peixe fora de água. Voam mosquitos na luz do entardecer e eu fico impaciente por te ver.
   Atiro uma pedrinha à agua e, vou esquecendo a mágoa. À memória a família, a casinha onde nasci, a porta da entrada  e as flores que em frente nascem, lá estou eu, cabelos negros, com meu vestido azul-marinho, brincando no meu cantinho, com uma boneca de trapos.
   Os pensamentos se atropelam, ganho uma nova esperança, mas é apenas sonho.


natalia nuno
rosafogo

AS LÁGRIMAS ENVELHECEM

LADY WITH  ROSE -1


Num recanto
onde as lágrimas envelhecem
vivem meus olhos na penumbra
a memória cheia de asas,
as pálpebras angustiadas escurecem.
os lábios que muito beijaram?
Calaram!

Estão as palavras amedrontadas
chegam até mim a gemer
de sair tão precisadas
morrem como estrelas a empalidecer.

E porquê em meus lábios a mudez
Secos como cardos na tarde quente?
Talvez anseio...tanta avidez!
Que ilumina docemente
Meus lábios com os teus..

Já se sentem as folhas outonais
Caídas, timidamente levadas
Só as estações são imortais
Desprendidas, livres, apressadas.

As lágrimas envelhecem
E a solidão fugiu pra meu lado
Sombras sobre mim descem
Terá a luz me abandonado?
Minha alma dormita reclinada,
estremecida,
porque a vida é tudo e nada.

rosafogo
natalia nuno

imagem retirada do blog imagens para decoupage

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

LEMBRANÇA

http://imagensvintage.blogspot.com/



Hoje lembrei a adolescente que conservo na lembrança com comovido afecto, e recordei-a feliz e descontraída, no seu sapato alto e saia reduzida. Orgulhosa da sua aldeia e da sua gente que apesar de pobre , era rica de sentimentos, sendo eles (povo), que deram sentido e esperança ao desabrochar desta adolescente. Hoje, lembrei também dos rapazes de mãos rudes e palavras desajeitadas e dos bailes onde sonhava... ser princesa sem castelo. Há diáriamente uma história que conto a mim própria que jorra desta fonte que é meu passado, ora alegre ora sombria mas sempre viva. A aldeia e eu seduzimo-nos mútuamente, há recordações que acarinho e evoco nas minhas horas sombrias e assim me vou distanciando, sentindo-me agora um ponto ínfimo no fim da caminhada.Devora-me o tempo, só a Poesia me reconforta e a memória é ainda guardiã do arquivo onde guardo recordações.
natalia nuno
rosafogo
Todas as imagens ou quase todas são retiradas do Blog Imagens para decoupage.

SAUDADE DA SAUDADE

vintage-children-criança-vintage

A alegria me resgata a dor
O silêncio já não impera no meu medo
Grato me é o amor, é meu segredo
É meu consolo, lhe dou valor.
Pese alguma sombra embora!
Que a vida também é outra vida
Injusta a qualquer hora.

Sepultei minha má lembrança
Procurei consolo nos meus dias
Logo nasceu a esperança
Fechei a porta às melancolias.
Sorri por mais de uma vez
E o que no rosto não se via?
Cabia,  no coração talvez!

Mas nada já reclamo
E até a dor entendo
É que de tanto que a vida amo?
Aos poucos a vou perdendo.

E na força dos meus braços
Não se extingue o encanto de abraçar
Já são escassos meus passos!
Mas é grande a vontade de avançar...

natalia nuno
rosafogo

domingo, 23 de outubro de 2011

SONHO DE OUTONO




Braçados de flores vivas
Poesia nos pensamentos
Sorrir à vida, maravilhar-me
Expressar-me,
nesta linguagem musical,
música de cigarras num canavial.
Hoje deixo-me ir ao sabor
da imaginação,
Deixo meus olhos voar
como pássaros tontos,
com a emoção
que é ter como epílogo o amor.

Vou puxar o céu cá para baixo
Lembranças voam sem canseira
E a Vida volta a mim,
minha parceira.
A juventude me atrai, como uma embriaguês!
Mas logo me confidencia...
Foi sonho mais uma vez!
Minhas mãos se primem uma na outra
Passou mais um dia!

A vida me esmaga
com um olhar avivado
Não sei se hei-de rir para a provocar
Ou se hei-de chorar.
É assim meu fado!
Meus olhos parecem fogo,
meu coração apertado
Esta vida é um jogo.
Que não sei quando acaba
Uma aventura sem glória
Que acabará sem rumo nem história.

Nas minhas mãos afagos prendia
Hoje os largo em liberdade
Nesta demência ou fantasia
Com que falo de saudade.

rosafogo
natalia nuno