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sexta-feira, 3 de julho de 2015

versos ao meu redor...



infiltra-se a luz pelas cortinas
corridas, ninguém me responde
já ninguém me ouve, fica o eco
da minha voz, e a saudade de nós
do amor resta solidão, medo
a vida se esconde,
num labirinto sem saídas
murmúrios e sombras perdidas,
sabores amargos de solidão
risos e choros, cantos em coros
e gentes deixando pégadas p'lo chão
pés nus, amargo o pranto,
e como dói...
a vida é uma cruz!

na minha mente, versos tristes
raios que em mim entram
e minhas mãos violentam,
uma lágrima revela-se
e desce lacrimosa e bela
gota de orvalho na flor
e ao redor
a saudade...se faz anunciar
enquanto a morte, chega devagar
numa tarde assim,
não dói morrer

neste verso que não deixa a dor
transparecer.
ninguém me ouve, ninguém me reponde
é a  vida que já se esconde...



natalia nuno
rosafogo




quinta-feira, 2 de julho de 2015

loucos?



pequena prosa

está dito que não é coisa fácil, Poesia é coisa séria, desista qualquer escritor de tentar criá-la, não é por saber muito, nem muito bem saber escrever, poeta pode ser até analfabeto, porque a poesia lhe vem da alma, lhe nasce dum dom que possui dado por Deus, do qual nada nem ninguém o fará desistir por mais que tente... Poeta se afeiçoa à Poesia, ela vem da grandeza dos seus sentimentos, e ainda que os outros lhe apontem defeitos ele a acha uma obra superior...entristece se lhe fecham as portas, se o excluem, alegra-o o poder contribuir, satisfaz-lhe a amorosa admiração dos amigos, tal como ele com sensibilidade e riqueza de expressão, numa serena ou sobressaltada esperança de dar o seu melhor...na Poesia se expressam sentimentos tantos, de saudade, de sofrimento, de amor...haverá  porventura mais belo? nada se lhe pode igualar! a poesia é um impulso que vem da alma,  testemunho de autenticidade... sonham, ainda que nunca alcancem, expectantes de escrever o seu melhor poema,  às vezes é enorme a ausência de palavras e ele (Poeta)  sente uma grande inquietude, mas de repente surge um chamamento e lá vem mais um feliz momento que o invade e cria de novo com uma vontade inesgotável, decidida, e absoluto amor e entrega.

eu e a minha mania da prosa...vou tentando, isto que hoje escrevi é o que sinto, os poetas são gente, por outra gente julgados loucos.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A verdade...a verdade é que



A verdade...a verdade é que
resta um raio de esperança a luzir
no meu mundo da imaginação
deixo-me ir, não obstante o aviso
da razão...
impele-me o pensamento
a afagar o coração,
a trazê-lo em harmonia
a embelezar a vida poetizando
dia a dia
como uma tábua de salvação
a que me agarro
logo com a desmemória esbarro
sinto-me perdida,
ofuscam-se as lembranças
já é longa a vida!

A verdade...a verdade é que
brilha uma estrelinha no firmamento
assim meu pensamento não escureceu
de todo, a força de amar não desapareceu,
vejo-me entre a noite e o dia
o escuro e a claridade
e no meio da minha alegria de viver
surge como ventura a saudade...

A saudade...a verdade é que
este sentimento me domina, é amor
a que me entrego sem resistência,
com veemência e paixão
é fogo que me anima
a não cair na solidão.

natalia nuno
rosafogo






terça-feira, 30 de junho de 2015

poema triste...




não tenho mais memória
nem alento
tão perto de mim mesma  e
tão distante
com os olhos no esquecimento
numa incerteza sufocante
dentro de mim,
cresce um estremecimento
uma amargura constante
e cega
afogando-me num pranto
onde a solidão me pega.

sobrevivo por instinto
como uma labareda
que se nega a apagar
sobrevivo ao vendaval que se precipita
como o silêncio que corta o ar
como a folhagem que ferida grita
vai caindo, caindo sem parar
até ficar imóvel pelo chão
assim…assim está meu coração!
lentidão, vazio e sombra
contínuo esquecimento
sem mais memória...nem alento.


natália nuno

escrito na Fuseta
4/2015

domingo, 28 de junho de 2015

plantando palavras...


Estava aqui a pensar, ou por outra a falar com os meus botões, que preciso de umas palavras requintadas, palavras de classe, não preciso saber o significado, mas sem dúvida tenho que aprender algumas, é que as minhas são palavras de trazer por casa, palavras simples, claras como a água dum ribeiro, palavras do dia a dia, pão pão, queijo queijo, palavras de pé descalço, mas de facto com meus cabelos já embranquecidos não tenho paciência para melhorar o vocabulário, ainda assim, lá terei que aprender uma meia dúzia dessas de sair à rua. Palavras bonitas e finas entrecruzam-se no meu sonho desde a minha infância, mas o tempo se apoderou do sonho e da palavra, e eu, fiquei assim acertando as ideias, na esperança  como dizia ainda há pouco, de aprender mais algumas palavras finas. É que eu sou uma poeta louca, sonhadora, um visionária, um instante rindo, outro em pranto, e logo no outro sonhando...

Triunfal a palavra em mim nasceu,
foi o destino que assim me fadou,
assim mesmo ela em mim cresceu
deixou-me em perdidas ocasiões
criou em mim ilusões
Poeta a vida me sagrou.

Esta loucura, é passageira, estou a tentar escrever prosa, mas já vi que que não vai ser farta a minha  lavra.. 

a poesia me desencaminha
com doçura e paixão
é sonho que me acarinha
aprisiona-me o coração...

e assim há um vendaval aprisionado em mim que se chama «poesia», palpita como um salto de água com seu sussurro matinal, precipita-se extenuada, pungente, com a transparência azulada do meio dia, e sempre com a inquietude duma gazela... «poesia», magia que me traz a paz e a colheita de sonhos, certezas e incertezas na lenta cadeia dos dias ...fico ali ao canto do alpendre olhando o fundo branco de cal, as trepadeiras floridas ao céu erguidas, e num sombrio recolhimento onde o sonho sempre me espera...daqui a pouco surgem as sombras, fico eu e elas na escuridão da noite a celebrar o vazio da lágrima que nos afoga... e assim com a cegueira do silêncio a encher-me os olhos, meus lábios cegos plantaram mais umas palavras.

natalia nuno
rosafogo