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sábado, 15 de janeiro de 2011

NOSTALGIA














NOSTALGIA

Nos braços do tempo me entrego
Me deixo neles abrigada
Estendo-me nas suas asas e sossego
Tranquilamente, sonhando acordada.
P'lo silêncio dos vales
Passeio a minha alma
E o tempo senhor de todos os males
Hoje me devolveu a calma.

É nestes ternos momentos
Nestes instantes de alegria
Que todos os sentimentos
Povoam o meu dia!

Às vezes rio de saudade
Às vezes choro de tristeza
Saudade da mocidade
Dona de tanta certeza.

Tenho saudades, pois tenho
As tenho até de mim
Tanta a distância donde venho!
Doce lembrança sem fim!
Embalada na quietude
Mesmo que só por um intante
Ao velho tempo vou amiúde
Na  nostalgia de saber-me distante.

rosafogo
natalia nuno

SEM VONTADE


















SEM VONTADE

Deixo-me para aqui de braços pendurados
Esquecendo que sou gente
Sem vontade...
Parecendo adolescente
Ou a sombra da saudade.

Tenho os olhos a enrugar
Enrugado trago o sorriso
Luto sem tréguas, tenho de lutar!
Reconforto-me um pouco, preciso.
Meu espírito é agora mais lento
Mas não somos perfeitos, nem imortais
Uma alegria agora,
Uma derrota noutro momento
Espreito e reajo aos primeiros sinais.
Os meus soluços rolam no chão
Choro...criança não me deixam ser!
Meu corpo me precede uma geração
Eu me sinto uma jovem mulher.

Passo minha vida em revista
E encontro força ainda!
Fiz conquista sobre conquista
Daí a saudade que não finda.
Hoje sou criança a escrever
Alguém pega na minha mão
Da boca para o papel, tento dizer
Aquilo que me vai no coração.

natalia nuno
rosafogo

ABALADA...ABALEI!













ABALADA...ABALEI!

Abalei da minha aldeia
Para o Mundo desconhecido
Com um pequeno pé de meia
Eu, uma menina pequena
Que mal havia nascido.

Na pequena povoação
Começei a minha luta
Entreguei-me de coração
Fiz-me gente, fiquei adulta
E assim saí do meu chão.

Abalei cheia de esperança
Levando comigo saudade
De deixar lá a criança
E toda a minha mocidade
Levando tudo na lembrança.

O mundo me seduziu então
Mas onde ficou aquele sabor?
É meu sopro de inspiração
Um gosto de lágrimas, amor!
Inscrito em meu coração.

É grande a rececptividade
E um comovido afecto eterno
Terra da minha naturalidade
A recordo neste Inverno
Terra minha que saudade!

Traço sumáriamente o passado
História que a mim mesma conto
No coração trago guardado
E no pensamento tudo pronto
Pra lembrar esse tempo recuado.

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

ESCREVO PARA O TEMPO













ESCREVO PARA O TEMPO

Esqueço a dificuldade da descida
Sorvo tudo que a Vida me dá
Se a trago quase perdida?
Só Deus decerto saberá!
O vento empurra a areia
E o tempo a mim me empurra
O tempo tudo afeia!
E o vento sempre murmura.
Tanto a Vida me ensinou
Que resta sempre algo a ser dito!
Partir agora? Para onde? Para onde vou?
Se eu na Vida ainda acredito.

Assim vou cumprindo sina
Neste percurso fugaz
Trago saudade da menina
Que ficou, faz tempo lá atrás.

Morro um pouco todos os dias
Vou contando os anos vividos
Minhas palavras andam vazias
Mas volto aos sonhos destemidos.
Lembro as canções da infância
Ao longe em sombras esbatidas
Nos meus olhos passam à distância
A memória as traz  quase esquecidas .

Assim vou devagarinho
Vou andando e vou sonhando
Nas curvas do meu caminho.

rosafogo
natalia nuno

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

TEIMOSA LÁGRIMA














TEIMOSA LÁGRIMA

Uma lágrima teimosa que assoma
Sem se dicidir a correr
Rebelde, parecendo oferecer
resistência.
E sempre a saudade
Com insistência!

Já se enredam as horas
Parece ter caminhado uma eternidade
às vezes me dá vontade!
Ir por aí fora
Por montes e vargens
Que permanecem na lembrança
Descansar nas margens
Do rio da minha memória
Onde em criança
O salto à àgua era minha glória.

Nada do que foi volta a ser
E esta lágrima teimosa
A não querer ceder!
Tudo parece estar a ficar ausente
A vida é misteriosa...
No mais fundo de mim, se sente.
Mas irei sempre guardar com desvelo,
este apelo
que a memória me faz
Ainda que às vezes com tristeza
Voltarei sempre lá atrás.
Rever com delicadeza
toda a imensidade
sem nada apagar.
Dizendo adeus
só quando a vida
me afastar...

rosafogo
natalia nuno

MEU PENSAMENTO














MEU PENSAMENTO

Cada sonho que invento
É como ir ao encontro
Nem sei bem de quê
Mas cada vez que tento
Quase sempre me amedronto
Sem razão nem porquê.

Meu pensamento
Fica assim num desconcerto
Num Mundo que nunca vi
E sempre a saudade por perto
Como se a infância estivesse aí.

Perco-me por dentro de mim
Chego a não saber quem sou
E é a saudade que por fim
Me devolve o que se apagou.

Quando por fim me cansar
De mil razões que a vida me dê
Virá a morte meus olhos fechar
Calará de vez a razão e o porquê
Pra desta vida me levar.



rosafogo

natalia nuno

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O MEU REINO


















O MEU REINO

Lembro as manhãs orvalhadas
O pão quente das torradas
O café em pó da lata
Como esta saudade me mata!
Lembro do galo que cantava cedo
Da água correndo no açude
Lembro dos escuros do meu medo
Nem o tempo faz com que mude!
Lembro os gatos enfarruscados
Lembro a sombra na parede
Lembro da tarde, a soturnidade
Lembro da bilha de barro, da sede
Lembro tudo com saudade.

Lembro a candeia de azeite
Do cair das badaladas
Dos ninhos que meu olhar quer que espreite!
Das chaminés, das invernadas,
Do Cristo na parede cruxificado
Lembro tudo dia a dia ,
em mim ressuscitado.

Lembro do pão cozido no forno
Das cortinas das janelas
Do leite ainda morno
Das cabrinhas magricelas.
Lembro a rua ao anoitecer
E o cansaço das gentes
Do cantar dos grilos para adormecer
As crianças em colos quentes.

Lembro a hora de dormir
E das frestas do telhado
De tiritar p'lo frio sentir
Relembro e,
tenho saudade do passado.

Lembro as vidas sempre iguais
O rumor das águas correndo
Mas tenho cada vez mais
A saudade em mim nascendo.

Tão longe de mim e tão perto
Que numa passada fui e vim!
Sem memória seria um deserto
Lá tenho um reino só pra mim.

natalia nuno
rosafogo















Cada sonho que invento

É como ir ao encontro

Nem sei bem de quê

Mas cada vez que tento

Quase sempre me amedronto

Sem razão nem porquê.



Meu pensamento

Fica assim num desconcerto

Num Mundo que nunca vi

E sempre a saudade por perto

Como se a infância estivesse aí.



Perco-me por dentro de mim

Chego a não saber quem sou

E é a saudade que por fim

Me devolve o que se apagou.



Quando por fim me cansar

De mil razões que a vida me dê

Virá a morte meus olhos fechar

Calará de vez a razão e o porquê

Pra desta vida me levar.



rosafogo

natalia nuno

AS MINHAS MÃOS


















AS MINHAS MÃOS


As minhas mãos são moinhos de vento
Que moem incertezas
Saciadas momento a momento
Por avalanches de sonhos e fraquezas.
No papel em branco baloiçam
Correndo, correndo sem destino
Às vezes lhes peço que me oiçam
No tempo partem cada vez com menos tino.

Nunca sei o que as move
Voam, voam como pássaros loucos
Numa ânsia que até me comove
Por vê-las a morrer aos poucos.

São como flecha estes meus dedos
Neles solto meus olhos de menina
E no soltar dos meus segredos
Fico assim gaiata, traquina.
Solto palavras nesta folha em branco
E a saudade me baila na memória
Abro as portas ao meu sorriso franco
E vou desfiando o terço da minha história.

Sem paragem, entre a saudade e o que me dá frio
Fica o testemunho dum longo passado
Nas veias o sangue corre ainda como rio
Chegando à foz, dum coração, com a vida reconciliado.

rosafogo

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

FOI APENAS SONHO!





FOI APENAS SONHO!


Hoje me sinto semelhante a uma arvore
sem frutos.
Vou lembrando, para não esquecer
instantes curtos
gravados na memória, cinzelados,
como arasbescos airosos.
Desmaiando aos poucos,
instantes indistintos
Dos meus olhos famintos.
Chorosos.

Diante dos meus olhos a desfilar
Qual estrela no Céu
E ao despertar, tenho a certeza
Que era eu.
Nostalgia, misturada de saudade
Aquele rosto me pertencia
Mas já era tarde

Quase via em pormenor, impaciente,
Saí do sonho, cheia de ternura
Com os olhos húmidos de emoção
Guardo zelozamente
Com doçura
Essa imagem no coração.

Era apenas sonho
Um caminho estreito
Entre a vigília e o sono
Quando em sobressalto me deito.





















natalia nuno









rosafogo




















natalia nuno
rosafogo

ÚLTIMA PARAGEM













ÚLTIMA PARAGEM


Subo a encosta a passo lento
E nem uma gota de suor
Nesta viagem estafante
Para trás deixei a dor ,
E esta luz cambiante.
A sorte que me espera?
Só a saberei mais tarde!
Mas quem espera desespera
E eu desespero já de saudade.

Quando chegar ao cimo
Levo comigo o aroma das giestas
Giestas do meu pedaço de chão
E o rumorejo do vento
Arredada do mundo em  solidão
E no meu rosto de rugas sulcado
De alívio será a expressão
De alento...
Por ter chegado
Ao fim !
Assim
tal como nasci
numa tarde morna?
Minha alma como filho pródigo
à casa torna....

A VIAGEM


















A VIAGEM

A este caminho não voltarei
Nem depressa nem devagar
Nem perdida com ele me cruzarei
E nem rasto vou nele deixar.
Só palavras apagadas
No fundo dum velho poço
Em águas estagnadas
Gritando...ah, só eu ouço.

Serão meu uivo de dor
Resíduos da  minha inquietação
Restos de lágrimas sem cor
Lava fria, cinzas da erupção.

Caminho cujo horizonte não sei
Ou finjo ignorar...
Só sei que nele sonhei
Ser nuvem sempre a avançar.
Não levo mapa nem destino
Levo no rosto a indiferença
Caminho qual peregrino
Com Deus e sua presença.

natalia nuno
rosafogo

SEM ME DAR CONTA


















SEM ME DAR CONTA

Tomara minha alma cegue
Pra não ver meu corpo ruir
Não quero que ela carregue
O meu desânimo em prosseguir.
Ouço o levantar do vento
A clarear o dia cinzento
Também a minha agonia
Se faz presente neste dia.

Trago frio o corpo e a alma
Tudo em mim é contraditório
Tudo é calmo e eu sem calma
Vejo que passa o tempo inglório.

Falo de mim do meu EU
E de toda a minha saudade
A Poesia é meu Céu
Minha existência e eternidade.
Ouço a chuva que cai.
Lembra-me poemas antigos
A saudade que em mim vai
O folhear de livros amigos.

E vem esta voz falar-me
Ameaçando minha solidão
Tédio de que não consigo libertar-me
Nem deste vento sem direcção.
Já não me importa os temporais
Quer seja desta ou d'outra vida
Quero partir deste cais
Sigo a sombra da despedida.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O DEVORAR DA ALMA



















O DEVORAR DA ALMA

A noite obscurece meu coração
Ouço os passos da chuva agonizando
Empalidece minha luz, minha visão
Já não vejo a menina triste,
nem estou lembrando.
Se existe?!
É lenda na voz dos ventos
É sombra de nuvem que passa
Nos olhos cegos e  lamentos
Ou nos múrmurios da desgraça.

Já foi bosque primaveril
Com odores de primavera
Ramo verde em mês de Abril
Água que corre e não  espera.

Mas esta noite que se afasta
Dando lugar à tristeza
Leva-lhe ilusões, a  arrasta
Chove em si, trás-lhe incerteza.
Mas há-de chegar a madrugada
E  vai mergulhar na vida
Se a memória não lhe  ficar parada
Presa ao silêncio da partida.

natalia nuno
rosafogo

SUJEITO QUE SOU


SUJEITO QUE SOU

Ao nascer da terra o grão
Não conta com a agitação do vento
Prende as raízes ao chão!
Mas a vida faz-lhe chamamento.

Solta-se louco à claridade
Tal como meu coração se solta
Em volta da voz da saudade.
Indiferente às vezes morre!
Procurando por liberdade.
Outras, atrás da felicidade corre.

Desata o grão a crescer
E é já botão aberto
E é ganhar ou perder
Que o desfolhar está por perto.

Sinto em mim a acontecer
O caminho pró esquecimento
O florescer e o anoitecer...
Que passam rápidos como o vento.
Ainda ontem era ouro
Não haverá renovar dos frutos
A vida é um tesouro
Contam horas e minutos.

E o grão é  memória sómente
E esta  passa de raspão
Pobre nascer da semente,
Que pregou raízes ao chão.
A Vida leva tudo à sua frente
A seiva  é um sonho intruso
A  vontade é  inexistente
E a esperança um sentimento confuso.

Já a morte está à espreita
Já se encurta o  dia
Já a passagem é estreita
Já a solidão se inicia.
Sou minha sombra... sombria!


natalia nuno
rosafogo.

domingo, 9 de janeiro de 2011

ESTRADA DA VIDA

stock vector : Colorful Hummingbird







ESTRADA DA VIDA


Abriu mimosa
Era um botão de rosa
Um raio de sol matutino
Uma gota de orvalho brilhando
Mas quiz a sorte ou o destino
Que o sonho fosse acabando.

Agora o sol já não a aquece
No jardim é flor tardia
Sussurra o que lembra e já esquece,
Que hoje é véspera de outro dia.
Quando se abriu em botão
Fez-se uma rosa em matizes
E hoje no coração
Traz saudade de dias felizes.

Corria alegre sem cuidado
Ai esta absurda memória!
A pouco e pouco sumindo
Ai este coração coitado!
Que ao relembrar sua história
Vê ilusão, uma a uma caindo.

Seco, não dá rosas o roseiral
E as pétalas que andam perdidas
Sopradas por vendaval?
São ainda lágrimas sentidas.
Caem os gestos cansados
No vazio deste instante
Os sonhos calhaus rolados
Ao fim da estrada distante.

natalia nuno
rosafogo

DÚVIDA














DÚVIDA

O sol se ausentou
Com a minha alegria arrumou.
Assim já nem sei se acontece
ou se imagino
Se estou certa ou errada
Já perco o tino
Cansada...

Convencida do meu desaparecimento,
Perdida nas minhas divagações
Desarrumado o pensamento
Sou como o sol em suas perigrinações.
Nunca estou parada.
Hoje, num sopro lento morrendo
Na viagem sem regresso
Sem qualquer traço, ou laço
Adormecendo...
No tempo permaneço?

rosafogo
natalia nuno

O IRROMPER DO PENSAMENTO



















O IRROMPER DO PENSAMENTO

Ao aproximar-se o fim
Que terei de enfrentar?
Que sorte me é reservada?
A marcha do tempo em mim
Passo a vida a perguntar
Não posso ficar calada!

Desço as cortinas
Tapo todas as abeturas
Minhas mágoas são tão finas
que doem como mordeduras.
Este tempo é um desacerto
Incansavélmente me persegue
Não sai dos meus pensamentos
No coração um aperto
Atormenta-me debalde e segue.
Como esconder meus sentimentos?

Deixo-me ficar abalada
Medito sobre o passado
E imagino o futuro
Recordação amontoada
No meu coração calado
E do futuro não sei nada!
A noite é velha, sinto-lhe o escuro.

Uma estranha emoção me invadiu a alma
Ao mesmo tempo uma tristeza e uma alegria
No caminho sem vi'valma
Só minha reflexão nascia.

rosafogo
natalia nuno