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sexta-feira, 22 de março de 2013

sob um céu vazio...



liberto-me da angústia
deixo-me p'la música inundar
oiço o farfalhar vindo dos pinhais
os pássaros a baloiçar
e a brisa a enlaçar-me o pensamento.
esqueço os sonhos sombrios
fico leve como o ar
ouço rumores,
acariciam-me os odores das flores
com a minha mão inocente
escrevo palavras da vida
que nos talha
que são sede de água pura
nascente, que brota sem cessar
lembrando as raízes,
a ternura
os dias felizes...
e canto até que este dia
se extinga
e a poesia seja flor
que em mim vibra.

e se não me entenderes
neste pulsar do tempo
é porque a poesia não faz para ti
sentido
e depois, já meu tempo terá
apodrecido
e se erguerão roseiras
e ciprestes ao meu redor
e uma calhandra rasgará o céu
muda como eu...

natalia nuno
rosafogo
img. net


Comentário feito a este meu poema no Lusopoemas pelo Poeta amigo

 sommerville

Bom dia poetisa!

Esta poesia está recheada de imagens primaveris,qual primavera de Vivaldi!,Contém um ritmo que embriaga pela bela sonoridade que transmite e ainda... uma carga dramática asfixiante!Postada à entrada do Equinócio de Verão,devido à data,é uma maravilhosa representante do Dia Mundial Da Poesia(21,ontem).Parabéns.Guardo.
Abraço

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=244123#ixzz2OK8lYrxR
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

olha amor...




olha amor
a minha memória hoje
é como o desbravar do vento
traz-me recados
e o sabor de tempos passados

minha memória é tesouro
onde a saudade está segura,
onde o tempo faz doer
onde sou tua amor,
amando-te com loucura
sempre louca quero ser...

olha amor
o tempo não será inimigo
as horas renderão
nossos beijos o abrigo
amar-nos-emos sem freio
nem travão.

nosso amor
levará rota de andorinha
minha noite será tua noite
a estrada a nossa estrada
assim jamais estarei sozinha.
entre tu e eu
há o verde da esperança que nos
entrelaça
e um céu
onde uma estrela nos abraça.



natalia nuno
rosafogo
imag. net

quinta-feira, 21 de março de 2013

haverá pássaro e flor...


lanço os anos ao esquecimento
deixo-me como a água errante
que segue perdida
cujo destino é desvravar
caminho
que a levará ao mar...
vivo a minha hora
aqui e agora
meu tempo sempre principia
já com séculos de nostalgia,
hoje brota prodigioso
e eu o acolho gota a gota
e a minha memória é
como uma gaivota
voando na ilusão
de manter a harmonia
em meu coração.

soalheiros estão os trigais
como o encanto da vida
ao passado volto uma vez mais
dou à saudade guarida.

e haverá pássaro, flor,
e do vento rumor
que isso não pode morrer!
serei a chama da distância
que me queima o coração,
e este sonho que é ilusão
o elo  entre o presente e o
passado.
o pensamento recriado,
cada palavra novo caminho,
semeando sementes de carinho
e sempre na incerteza
serei  tudo o que sou sem ser,
na surpresa de ver
o sonho dia após dia renascer.

natalia nuno
rosafogo
imag.net

vou deixar um comentário do meu amigoPoeta Pétala, lindo de mais para permanecer escondido.
BloggerPÈTALA disse...

Olá Natália

Que o sonho nunca desapareça
Segura sempre no coração a flor
Para que nada na vida esmoreça
E continue a transbordar de amor!

Os pássaros farão seus ninhos
Sempre em todas as primaveras
Fontes de inspiração e carinhos
Como são tuas lindas, quimeras!

És como um rio que se lhe não conhece a foz! Mas é bom navegar nele, apreciar as flores aquáticas e das suas margens que são de uma beleza sem fim!
Beijo
Pétala
João
 
Grata João


segunda-feira, 18 de março de 2013

Quase não me conheço...



Deito meu coração ao largo
meus olhos lavam as mágoas
nas águas
e meus sonhos espalham-se
nesse mar salgado,
açoitado meu corpo há muito que não dorme,
em silêncio, calado...
e o esquecimento é um firmamento
sem estrelas nem luar
já não sonho, o sonho não faz
ruído, a vida não tem sentido,
ouço o som da sua mudez,
amanhã talvez
eu volte a sonhar.

Cala-se a minha lira
murcham as rosas
e eu nesta sombra amortecida
visto e não visto de solidão
tão fugaz a vida
já não me conheço
quase não!

natalia nuno
rosafogo
imag.net








domingo, 17 de março de 2013

vivo de sonho...




Os que não sonham nada sabem
movo-me à volta dum sonho
onde horas solitárias cabem
e já não sei
se vivo de sonho
ou se ele vive de mim
repito cenas eternamente
quase todas vindo de longe
vivas,
trazendo das rosas o carmim.

vão morrendo as pétalas finais
do meu rosto vazio e só
são pássaros os meus ais,
numa árvore adormecida
dança de sombras na poeira
duma memória já sem vida.

hei-de voltar-me para trás
escrever novo poema de amor
e se fôr capaz!?
escrever sobre o presente
o futuro...e o passado que jaz
adormecido.
hei-de voltar em outras primaveras
e sentir o sangue vivo
a arder!
Para poder amanhã em paz morrer.

bate a chuva nos vidros
persegue-me a sombra da noite
sem luar
não quero meus sonhos cativos
quero amar, quero cantar
queimar de amor minhas palavras
com paixão,
esquecer a noite que é solidão.
sentir o solo, este chão
que é esperança,
alvorada do meu destino
manhã entreaberta
onde sou ainda menina sem tino.
com os pés nas sandálias
por entre jasmins de orvalho.

natalia nuno
rosafogo
imag. net



Desabafo...




Ninguém pode conter meu pensamento
A mim o futuro me angústia!
Deixem-me só com meu mundo

me contento...
Deixem-me viver por mais um dia!

Não me façam engolir o que não quero
Trago a garganta apertada em nós.
Só da poesia refúgio espero!
Trago a dor de viver,

e a amargura na voz.


natalia nuno
rosafogo
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