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sábado, 14 de maio de 2011

O CORRER DA VIDA



Basta-me o que há para ser feliz
Da vida faço inventário
Se foi Deus que assim quiz
Só o tempo é adversário.
Põe-me a mente desarranjada
E me deixa num silêncio enclausurada.

A vida escorre por entre os dedos
Às vezes me deixa tolhida
Desafio meus medos
E não me dou por vencida.
Um aperto até sem motivo
Me atazana a garganta
E assim eu vivo
Meu coração ora chora, ora canta.

Há sempre um intervalo de serenidade
Recordo o cheiro a terra molhada
Vai-se o vazio, chega a saudade
Esqueço a tristeza que não conduz a nada.
Deixo meu coração entreaberto
Deixo entrar a luz, esqueço a escuridão
Com a embriaguez por perto
Do tempo perco a noção.

Tranquila e fortalecida
Como um dia soalheiro
Ponho-me a cismar na vida
O travesseiro é meu conselheiro.

rosafogo
natalia nuno

sexta-feira, 13 de maio de 2011

MUSAS SILENCIOSAS



Meus suspiros estão prenhes de mágoa
Minha memória reaviva as brasas
Dos olhos esparramada a água
Quem cortou minhas asas?
Parecem-me absurdas as horas
Meu dia longo e enfadonho
Aguardo um milagre sem demoras.
Que traga à vida um significado risonho.
Sem fadiga, nem tédio
Que deixam marcas da sua passagem
Me deixam flor esmagada
Sem remédio
Que já é só miragem
Rosa murchada.

Horas mórbidas e cinzentas
Rosto gasto e macilento
Só as memórias atentas
Musas silenciosas no pensamento.

A vida me olha com sarcasmo
E eu a olho com carinho e ressentimento,
às vezes num estado de pasmo!
E vivo-a com arrebatamento.
Passam as horas e não há mudança
às vezes dou por perdida toda a esperança.

Sem apelo nem agravo a vida passa
Ninguém se atreve a fazer-lhe frente
Fica a saudade que ameaça
Ser ela também insolente.
Mas se a memória não me atraiçoa
Não me fará essa maldade!
Saudade é coisa boa
Da ardente e louca mocidade

rosafogo
natalia nuno
imagem ret.blog-imagens para decoupage

quinta-feira, 12 de maio de 2011

QUE FARSA É ESTA?



Contagiado pela languidez da tarde
Meu coração bate com lentidão
Cansaço, talvez debilidade
Ou então,
ainda saudade,
Dos tempos que já lá vão.
Esta quietude,esta imobilidade
me deixa vacilante.

Que farsa é esta?
Morro a cada instante.

A Vida é uma ratoeira
Às vezes parece uma festa
Outras dói e de que maneira!
Penso nisto amiúde
Venço a barreira das aparências
Altero minha atitude
Esqueço as conveniências.

Esconjuro fantasmas sombrios
Deixo-me no meu estado vazio
Já pouco causa repulsa
A este coração que pulsa.
Exalo meus suspiros
Às vezes cheios de mágoa
Quando em solidão surgem delírios
E me põem a cabeça em água.

Trago o sangue nobre do Povo
Nas minhas veias correndo
É meu dote, é sangue novo
É o sangue de nobre gente.
Tenho na porta aldraba
Aqui recebo com cortesia
Meu dia mal começa, logo acaba
E lá se vai mais um dia.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog-imagens para decoupage.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

AI...MEU AMOR!



Deito-me no solo da encosta
Já o sol fura o nevoeiro
Tantas quimeras, a gente gosta!
Lembra sempre o amor primeiro.
E o sol ganha intensidade
Já o nevoeiro se dissipa agora,
No meu coração a saudade
Desse amor que foi embora.

Meus olhos estão deslumbrados
Querendo ver mais além
Fecho-os então bem fechados
Vejo-te a ti, a mais ninguém.
A luz que dos Céus nos vem
É uma luz abençoada
E este amor que a gente tem
É uma riqueza avultada.

Neste amor quero ficar cega
O destino assim o quiz
É jóia que a brilhar não se nega
Cega... assim eu sou feliz!
É voluntária escuridão,
Que eu quero abraçar,
Ter esta jóia a brilhar
Dentro do meu coração.
E por destino ou por quimera
É esta a doce realidade
Ai meu Amor quem me dera!
Mas já só me resta saudade.

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 10 de maio de 2011

PASSIVIDADE



Empurra as nuvens o vento
Também as tristezas afugento
Saboreio o último resto com suavidade,
Deste Outono da saudade.
Nesta calma entre flores e aromas
Recordo palavras ditas
Nos meus olhos ainda sintomas
De lágrimas aflitas.

Ouço dos pássaros, incessante piar
Silenciosos pombos cinzentos
Liberto-me de pensamentos
Deixo o Sol se afugentar.

Sonho, sonho com felicidade
que nunca senti,
Outros momentos sonho que a perdi.
Ingenuidade! Saudade!
Sinto-me pela vida atraída
Faço regressão à infância
E meu coração com tanta vida vivida
Bate, bate como se fosse criança.

Hoje sinto-me seara à mercê do vento
E canto, canto sem um lamento.

rosafogo
natalia nuno

segunda-feira, 9 de maio de 2011

SENHORA DA ESPERANÇA



Hoje sou senhora do mar e do vento
Senhora de toda a natureza
Vai-se agitando meu pensamento
Olho o campo, na certeza
duma esperança
que mais ninguém crê
Esperança a compôr a paisagem
Nela vejo ainda a imagem
Daquela criança
Que só meu coração vê.

Raios do sol tranquilos
Domingos que não mais esqueci
Onde ligeiros como esquilos
Brincávamos aqui e ali.
Não vou chorar de saudade
De quem ainda se lembra de mim
Hoje é tamanha a felicidade
Que sou rosa de jardim.

Hoje sou senhora do mar e do vento
Esta saudade me enche de sofrimento
Que me grita aos ouvidos
Que é tempo de partir
Meus sonhos submergidos
Não voltarão a surgir.
Pede-me o coração que me alegre
Que em minha casa o sol bate
Que a tristeza logo segue
Não há nó cego que não desate.

rosafogo
natalia nuno

domingo, 8 de maio de 2011

RAINHA POR UM DIA



Senti-me uma rainha
Duma corte imaginária
Sorte a minha!
Ser Poeta de saudade lendária.
Saudade que é pedra preciosa
Verde esmeralda ou rubi
Bálsamo para minha alma chorosa
Safira, cor vinho onde me perdi.

Rodeada, duma pequena multidão
Extasiada e sorridente
Orgulhoso meu coração
Encheu-se de esperanças no presente.
Pérolas me foram oferecidas
E eu sentei numa poltrona
Ofereci aos convidados bebidas
Rainha duma saudade sem dona.

Rainha dos sonhos,
de pequena carruagem,
Arreios orvalhados de luar
Rainha de coragem!
Que sonha, sonha sem parar
Sonha com Lua de marfim
Com pérolas verdadeiras,
ao pesçoço em fieiras
Numa felicidade sem fim
Rainha de mil maneiras.
Numa alegria frenética de viver
Nos olhos uma sombra de melancolia
Era rainha ou fingia ser
Rainha por um dia.

Correram rios em mim
Dentro do meu coração
Saboreava uma felicidade sem fim
De repente acordei do sonho no salão.
Não cheguei atrasada
Se ergueram à minha passagem
De rainha não tinha nada
Sómente a minha coragem.

natalia nuno
rosafogo.