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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

poema na noite....



O negro da noite instala-se
enquanto um vazio se vai aproximando
já não consigo suster meu alento
e o tempo devorando, vertendo cinzento
sobre a memória...

encheu-se a minha mente de lembranças
como flechas contra a escuridão
e nasce um poema incorrupto
vai crescendo p'la minha mão

vou sonhando em cada linha
sonho o teu abraço abrupto
ouço o teu passo que se encaminha
e deixa pegada nos meus versos.

e nas linhas que escolho, as palavras que amo
é por ti amor que as escrevo
ao ritmo do mar em rebentação,
onde não falta uma brisa d' amor
que brota e canta do  meu arrebatado
coração...

natalia nuno
rosafogo





quarta-feira, 28 de outubro de 2015

o coração batendo ainda...





Já o sol vai sobre as montanhas
outras vidas o aguardam
deixa saudades tamanhas
leva o calor nas entranhas
tempestades d' amor não tardam.

e lá vamos nesta labuta que é viver
aproveitando de Deus a oferta
deixando à esperança a porta aberta.

levo a marcha dos meus pés por diante
o passado já vai distante
passou a vida num murmúrio
ponho olhos no caminho
e sigo devagarinho
com meu passo já inseguro
e as lágrimas que não chorei
hei-de chorar algum dia!
quando o coração estiver deserto
de alegria, 
e o cobrir a noite escura
lembrarei histórias antigas
e chorarei de ternura
ao lembrar quem me as contou
e que a morte já levou,
e depois do sol posto
com uma lágrima no rosto
olharei uma estrela riscando o céu
de breu será a noite,
amparada numa esquina
a saudade... e eu menina
caminhando, para a eternidade.

natália nuno

terça-feira, 27 de outubro de 2015

sem hora de aviso...




A saudade surge
sem hora de aviso
e deixa em mim aquele jeito distante
acena-me com um sorriso
e eu escuto-a como quem escuta
o mar num búzio,
ouço sua voz enrouquecida
a lembrar-me momentos de despedida
a apertar-me o peito...

tudo ficou para trás, é agora
a saudade cada vez mais esbatida.

Trago um grito na garganta
e a vida vai-se cumprindo,
a saudade hera que me cobre como manta
enorme de comunhão e utopias
tristezas e alegrias, e solidão sem fim
e eu sentindo
o tempo a chegar ao fim...

Na mente uma certa desarrumação,
no coração esta saudade tão fina
a lembrar-me as manhãs floridas
de quando era menina...
coisas pequeninas, a colorir-me
a vida, nesta escadaria cinzenta
neste destino sem prazo
só a saudade me acalenta
e ao meu sonho dá aso...


natalia nuno
rosafogo
Algarve, 11/04/2014




segunda-feira, 26 de outubro de 2015

sonhos d'amor



onde há amor
não há vazio, não há dor, não há frio
há cadências de doce e mel há arrepios de pele
assim a viagem vai correndo o sonho
adoçado de palpitações de sol.

hoje acendi a palavra amor
chovem as nuvens lá fora
choram as glicínias
minha alma chora
mas no rosto ponho um sorriso
e de amar eu preciso.

sigo rente à esperança
sem hesitação,
este amor é uma criança
que recordo com emoção

é agora primavera
estação por mim sonhada
ai quem me dera! quem dera!
fazer-se por mim esperada...
perco-me no cheiro das flores
trago nos olhos cascatas
esqueço a chuva e as dores
sonhos, são de finas pratas.

espreitam-me raios de afagos
as palavras amadurecem
poesia bebo-a em tragos
e as estrelas já amanhecem.

natalia nuno
rosafogo
img.net




domingo, 25 de outubro de 2015

a ver o dia morrer...



Vejo tudo tão distante
já nem lembro da feição
é como abolir da mente
e guardá-la para sempre
no coração.

Nem um sinal de alguém
só a imensidade do mar,
e a saudade que ninguém
quer, só eu posso aceitar.
Mais um ano, mais um dia
vergada ao peso todo.
E os sonhos? Na maioria
quebradas  utopias,
longa espera...
rosários desfiados
para aliviar os dias.

E voltam à minha ideia
os momentos de prazer
olho o mar, sentada na areia
nesta tarde quieta
a ver o dia morrer.

Esquecida da vida,
ouço o canto das ondas
sonhar é uma necessidade
sacode minha melancolia,
e desaperta a minha saudade

despeço-me do mar e da tarde
levo comigo o silêncio inteiro
e o persistente sonho onde
canta a primavera

e no esplendor do amanhã
serei andorinha à espera.

há em mim uma febre mendiga
que embacia minhas pupilas
onde uma lágrima se abriga
e me submerge de esquecimento



natalia nuno
rosafogo

Manta Rota, 12/04/2014