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sábado, 28 de abril de 2012

já não sinto medo amor...

 

já não sinto medo, amor… - Este poema foi oferecido e dedicado à minha madrinha Natália Canais Nuno no seu aniversário

por Conceição Bernardino

JÁ NÃO SINTO MEDO AMOR...

Já não me deito nas acácias do teu corpo
nem me visto, nas giestas dos teus braços
onde o bosque se calou na solidão, amor.

Abraça-me, sinto frio…

As violetas que colho nos teus olhos
calam-me a dor minguante,
em pequenos cristais de sal, melodiosos

Já não sinto medo,

Corto com a lâmina de vidro, os glaciares
de velas,
que velam por mim,
num jardim de gerberas perfumadas,
aromas de nós, ainda desconhecidos.

Aceita-me, como uma açucena,
despe-me pétala a pétala
até que o caule encontre,
a raiz de um poema só nosso.


Conceição Bernardino

Mais um mimo da minha afilhada do Porto...a grande Poetiza Conceição B, ou Carlos Val, ou ainda Mathilde Gonzalez. Obrigada amiga,
 
 
(ÉS O MEU) LIVRO ABERTO

Desfolho-te como seda
Coberta de lantejoulas
Afasto a cortina lentamente
... Pedaço a pedaço
Que bom é ler-te
Entre o jardim banhado em mel
E a cascata desnudada
No horizonte da tua sombra
Aragem perfumada de canela
Com pitada de pimenta
Ler-te é cegamente
Aquilo que me alimenta
Nas entranhas do meu ser

25.09.2011

Jessica Neves

Beijinhos e boa páscoa
Ver mais
 
Um mimo da jovem amiga grande Poetiza JESSICA, o qual eu agradeço.

noite sem fim...




































credula de sorrisos e encantos
é a  mocidade
agora a olho com olhar de incredulidade
presa aos sorrisos e encantos
caprichos e sentimentos tantos.
quanto tempo durou?
quanto tempo passou?
estranho é o mundo que povoa
a minha solidão,
porque se tem saudade,
talvez nunca se saiba a razão.

tempo memorável e festivo
tão diferente deste agora que vivo.
O tempo me esmaga
me gasta...
mas meu coração não se afasta
a vida não enjeita
e nem a saudade rejeita.

cada hora voa no seu correr altivo
e a lembrança me surge
com infantil ardor
e assim vivo...
dando à vida valor.

e dito e feito o tempo reduz-se a nada
sinto-o no mais profundo de mim
a hora boa que um dia me foi dada
é noite longa agora...noite sem fim.

rosafogo
natalia nuno

sexta-feira, 27 de abril de 2012

PUDESSE EU RESISTIR




Tanta juventude que havia
em mim!
Só me dou conta agora...
Hoje, quase no fim,
é o inverno que turva a minha hora,
é ele que espreita à esquina
da vida.
Num rumor de tempestade
me deixa esquecida,
arrastando-me na saudade.

Pudesse eu resistir
Ao tempo que tudo varre
ao tempo que há-de vir,
E que na solidão me amarre.

Porque tudo se rende
chegada a hora!
E o adeus se acende.
A porta fechada, a vida
alquebrada
sem demora.

E lá ao longe...bem à lonjura
Ficou ainda tanta alegria, tanta ternura.
Palavras por escrever, gestos...
Agora apenas restos!

Abraço a minha solidão
Mais uma vez a sós com a minha
fadiga
Mas sinto ainda o bater do coração
Que bate... como quem mendiga.
Ao tempo que não perdoa
que o deixe em paz, ainda que a paz lhe doa.

rosafogo
natalia nuno
imagem da net.




quinta-feira, 26 de abril de 2012

ESPELHO D'ÁGUA



Leva as águas para o mar infinito
Deixa-me por aqui esquecida
Afogada nas mágoas da vida
Angústia nos olhos, na boca o grito.

Escrevo, escrevo, seca de vontade
Abro as torneiras do pensamento
Mergulho o coração nesse mar de saudade
Levo nele guardado o sentimento.

Esta vida parideira de tantos dias
Cobertos duma cortina de mágoas
Faz de meus olhos janelas sem alegrias
Vazando por elas as águas.

Quem escuta o rumor da vida
Nos dias e noites de enfadamento?
Estranho estar, p'la vida seduzida!
Se a esperança foi numa rajada de vento.

O tempo dentro dos meus olhos morre
E morre dentro do meu peito...
Estranho adormecer enquanto a vida corre
Ou sonhar assim acordada deste jeito.

É cedo...é tarde, cansada de tudo!
Na memória sempre a remoída imagem
O tempo me ignora faz-se de mudo
Já perdi a vida... mas ganhei a viagem.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net.


quarta-feira, 25 de abril de 2012

O CHÃO AINDA É O MESMO




O aroma acre a lenha queimada
Os pirilampos ao crepúsculo
De tudo guardo recordação
Da minha terra amada.
Volta a inspiração,
ao meu espírito criador
ao meu estado de alma sonhador.

Reacendo o amor à Poesia
Fecho os olhos na esperança
do sonho me fazer companhia.
Na lembrança,
uma emoção sombria.
E melancólico passa o vento
p'los choupos em seu lamento.
A cadeira vazia,
um  choro baixinho
um surdo gemido
E o aroma de flor de laranjeira
desvanecido.
A roupa cora estendida no chão,
cheirando a sabão.
Estala de alegria meu coração.

A urze prestes a florir
Fito as nesgas de sol poente
Ouço um gaio que canta roufenho
Olho o bulíçio da minha gente
E o tocar do sino com arte e engenho.
Desfilam pela mente
mil e uma recordações,
Manifesto livremente minhas emoções.
Uma réstia de luz sobre meu sonho
inundado de poeira...
E a saudade sempre por companheira.

rosafogo
natalia nuno
imagem da net.









terça-feira, 24 de abril de 2012

ÓH ...A SAUDADE!




















As aves andam aos pares
Há silvados floridos
Bagos de ouro nos lagares
Na hora de me entregares
Peço-te  vida...não me negues
os sentidos.
Sou um solitário que avança
Caminho entre ontem e amanhã
Levo comigo na lembrança
Meu corpo de criança
cheirando a hortelã.

P'lo caminho levo sequidão
Mas a vida ainda me estende a mão.
Vida feita de sede e nascente
terra arada duramente,
com profundas cicatrizes.
Vivi sonhei...
E tive dias de felicidade,
com mel de amor...felizes!

Outra vez! Outra vez! Óh... a saudade!

Do ar fresco da madrugada
Águas brilhando com a luz alva
Enquanto o rouxinol cantava
Depenicando uma malva.
Malvasia por toda a parte
Violetas pelo carreiro
Como não hei-de lembrar-te
Se o teu aroma é meu cheiro.

E o sol a cegar-.me
A ferir-me o coração
Cada minuto era uma eternidade
Hoje a saudade a calar-me
Mas a memória ainda me dá a mão.
Me deslumbra a lua cheia
Fonte que me mata a sede
volta e meia.

Outra vez! Outra vez! Óh... a saudade!

rosafogo
natalia nuno

segunda-feira, 23 de abril de 2012

NA FRONTEIRA DO SONHO









Nasceu o dia como outro qualquer
Ouço o som da água e o vento
que sopra agora
Os choupos mostram coragem ter.
Importa apenas o tempo que resta
por hora.
O resto é sorte!
É andar talvez sem norte
Deixar penetrar no coração
a primavera
E ficar à espera.

A mocidade só se tem uma vez
na vida
Manancial de recordações, inesgotável
até ser esquecida.
As açucenas embelezam o jardim
espalhando um aroma intenso
Já ninguém pergunta por mim
Nem p'lo amor à beira de água
imenso!

Deixo de sentir o coração
Apenas ouço o vento que faz
a porta chiar
Perscruto a noite e a escuridão
A lua vai as nuvens a empurrar.
Na fronteira do meu sonho
a solidão.

natalia nuno
rosafogo


domingo, 22 de abril de 2012

TENHO SAUDADES DE MIM


Faço tranças nos cabelos da lua
E deixo-a mirar-se no meu rio
Volta sempre à minha rua!
Acorre a memória a avisar-me
sem piedade, mas fantasio...
Esqueço a realidade.

À noite tenho saudades de mim
Abre-se a janela da melancolia
E aí sim!
Surge a lembrança enevoada
Como o céu neste fim de dia.

Da tranquilidade nasce a saudade
Doce e bela...
Entrando p'la janela se instala
dentro de mim.
Trazendo-me a tal saudade,
inabalável, rouba-me o sono
e por fim...
estremece-me os sentidos,
ficam meus olhos seduzidos.
As cigarras vão cantando
os riachos correndo,
o vento ébrio voando
o vozear à minha volta crescendo,
o fogo em mim em combustão.
Me sinto inteira de alma
e coração.
Mais um sonho a chegar ao fim
Tenho saudades de mim...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net