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sábado, 7 de novembro de 2015

troço da viagem...



dias indolentes
neste troço da viagem
as manhãs azedas, frias,
as memórias pesam demasiado
a luz esmorece pouco a pouco
fico suspensa no tempo,
são incontáveis os momentos
de solidão
recordo sentimentos
guardados no coração

afasto-me de mim
na cega ilusão de que
não possuo vida
e assim o tempo vai fazendo
por mim a despedida...

a amargura na bruma fundida,
resta a lembrança de quando
a vida se fazia a quatro braços
com a velocidade sedenta
de quem por amor tudo tenta

medito...
enquanto se ouve o canto
do grilo, nos meus lábios a tranquilidade
mansos são os momentos em que
recordamos...com saudade

natalia nuno
rosafogo

etérea saudade...



Já vejo neve rodeando
 o teu rosto
deu-te a  vida algum desgosto
ou é do peso da idade,
da etérea dor da saudade.
caminhamos de mãos dadas
entristecia quando tu  choravas,
o teu silêncio era silêncio em mim
hoje, teu sorriso partiu
a tua imagem já na minha memória se diluiu
mas une-nos ainda aquele abraço
e é na solidão tranquila
que ainda sigo o teu passo
e o teu olhar é estrela que no meu cintila.

quem rasgou nosso rosto,
quem nos deixou neste outono magoado?
nosso olhar cansado...
sol posto, ouro a derreter
coração sobressaltado
mas enorme é a força de viver.

se o coração não morreu!?
os sonhos também não!
és esplendor que ressurge no meu peito
um grito de furor contra o tempo
ouço a tua voz que se agiganta e me diz
deixa este pranto abrasado de palavras
e sê feliz....


natalia nuno
rosafogo


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

porquê esta saudade...



sinto saudade sem saber de quê
talvez mitos da infância radiantes
mas, nas maçãs do rosto, é que se vê
sulcos, lembrando tristes semblantes

de velhas folhas caídas na terra fria
q' amarguram o rosto na obscuridade
são do tempo a ditadura e hipocrisia
sem saber porquê...  sinto saudade!

range o tempo neste inverno hostil
se soubesse ao menos donde vem,
esta saudade que me deixa febril...

sinto que a vida é uma encruzilhada
a ilusão a maior mentira que ela tem!
e esta saudade q'me aparece pela calada

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

a DEUS nada é impossível



Conversei com a natureza
que estava triste e chorou
falei-lhe da sua eterna beleza
mas em mim não acreditou

Chegou o vento e sem dó
Derrubou tudo com indiferença
Em meus versos fiquei mais só
logo me venceu a descrença...

Também sonhos que sonhei?!
partiram ligeiros em viagem
comovida  neles tropecei
no vazio instante da aragem.

caíram meus gestos de cansaço
devagar a noite em mim encerrou
árvores trazem esperança nos braços
e a manhã de sol sem moleza anunciou
que erguesse os olhos aos céus
sem pedir explicação
nada é impossível a DEUS
que assim fez nascer
o poema em minha mão.

natalia nuno
rosafogo
imag-net
13/03/2009
na aldeia


AMORES QUE TIVE




Lembrar amores que tive
Porque é livre o pensamento
Só quem não amou não vive
Eu vivo a todo o momento!

Lembro horas de paixão
Sem muros e sem fronteiras
O coração dizendo sim,
a mente dizendo não
E em meus olhos duas fogueiras.

Passou o tempo e agora?!
Memória cansada e ausente
Recorda paixões de outrora
Bem vivas!
No coração q' inda as sente.

natalia nuno
rosafogo
aldeia 14/3/2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

a magia das palavras




têm as palavras um poder mágico
sinto-o de forma intensa
é um caminho que leva ao céu
onde me sinto a sós com Deus
no silêncio, na noite estrelada
as estrelas são lembranças
passam na mente em procissão
fazem estremecer meu coração
e as palavras dum tempo sequioso
de afectos, amor e esperança
que hoje trago saudoso...na lembrança.

passam os dias,
nada descortino
a alegria é um ribeiro a secar
um pássaro voando é o destino
as horas são segundos a passar
e o futuro cada vez mais reduzido
mais decadente, mais incerto
trazendo a morte por perto,
mas, poeta quero cantar a vida
as flores do jardim, levantar a esperança,
colher o trigo,
fazer da poesia abrigo
matar a tristeza que há em mim.

há nas palavras para mim um recado
falam-me dum tempo passado
aquele que me afaga
e que o presente esmaga,
recordarei tudo o que soube amar
na magia da palavra que me irá prolongar
para além da vida, para além do tempo
como raio todo o dia alvorecido,
como as aves que sempre voltam
revoando p'los ares de gorgeio recolhido
em vago sonho  saudoso
onde alvas e leves se soltam.

natalia nuno
rosafogo