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domingo, 5 de agosto de 2012

NO ÂMAGO DO MEU GRITO



Todo fruto com o tempo amadurece
Com o mesmo que de tudo escarnece.
E me deixa o rosto de órbitas vazias
Absorta neste estado estranho onde me perco
dos anos a fio, num mundo monótono e vazio.
Dançam as chamas na lareira
De paredes mascarradas
Dorme o gato aqui à beira
Com sete vidas gastas e quebradas.
E a lenha arde, e eu como cisne
me deixo morrer
Esqueci a chave da memória por aí
onde se amontoam lembranças
desde
o amanhecer.
Quebrei o gonzo da porta do coração
Tudo perdi!
Esqueço as traves carcomidas
já não há por aqui crianças
o tempo se tornou amargo
em nossas vidas.

Olho através da vidraça
Os dias perdidos no tempo,
são agora uma ameaça
Vivo momentos distantes
Que o tempo me quer roubar
Luto mas começo a estar vencida
Como folha levada p'lo ar
P'la cilada da vida
Bem urdida.

Uma noite sucede a outra
As lágrimas que verto, o tédio
Trago as mágoas debruçadas
sobre o peito
E não encontro remédio.
desertam desejos, já nada
é perfeito.
Logo os pássaros virão
E os sinos dobrarão
E quem sabe a claridade
generosa, de mais um dia de saudade.

Saudade é o que eu chamo
Ao fogo que em mim persiste
Saudade de quem, e tudo eu amo
Saudade um doer gostoso... porém triste.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net