sábado, 25 de junho de 2022

a palavra toma conta de mim...


um sonho em mim perdido
no sotão da memória poída
é sonho que é meu castigo,
é o anoitecer
da vida!
até o vento me traz rumores,
o desalento me faz estremecer
exaltadas andam também as flores,
é ter-me perdido sem saber.
não posso fugir de mim
se pudesse fugir, fugia!
não esperaria pelo meu fim
a caminho me poria

sonho com verso profundo
meu vôo é alto, vou voando
anda meu sonho p'lo mundo
e eu no sonho te abraçando.
uma cortina esconde o nevoeiro
e eu pronta para dizer ao mundo
que te amo por inteiro,
apesar da vida q' ameaça ceder
a cada um dos meus passos,
ainda sonho com teus abraços.

acordar para o que se sonha
e correr atrás da felicidade
- é loucura.. é porta entreaberta
para o jardim, e um horizonte de doçura.

natalia nuno
rosafogo





flor do campo...

 


flores do campo

conhecem a direcção do vento,

confundem meus sonhos, os que nunca tive e nem terei jamais,

 são tão efémeras quanto a vida,  tão esquecidas

quanto meus ais!

vão durando enquanto não surge o esquecimento de si mesmas...

aguardam as carícias das estações

confiadas como eu, nas ilusões...


natalia nuno

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estou compilando um outro blog criado e um pouco esquecido.

poema nasce lento...

escrevo para todos, mesmo os que não me lêem
escrevo de olhos fechados
sinto-me no meio da multidão
escrevo para os que crêem que o amor vem do
coração.



escrevo nas águas que correm ao mar infinito
ergo-me e precipito-me sobre o mundo
tanta vez com indignação, este meu grito profundo,
escrevo quando amanhece e o sol nasce
enquanto homens, mulheres e crianças
são abatidas e a brutal guerra faz-se!

o poema nasce lento
nesta noite quase perfeita
só com meu pensamento, perto do firmamento
neste céu nocturno, o poema se ajeita.
as palavras que escrevo não fazem ruídos
tal como os mortos em silêncio esquecidos
os gemidos dos que sofrem chegam-me aos sentidos,
cabe tanta solidão em mim,
além no horizonte o dia vai crescendo,
e não me traz vontade por fim
porque a triste verdade, é que as crianças vão morrendo
é a dor que se sente, o sonho de paz que adormeceu
nas minhas mãos basta!... não há mais guerra!
nelas afirmo vida, e um mundo de paz nesta terra
prometida...
escrevo para quem suporta a vida
para os que existem quase sem existência
embora lutando,
dia a dia, p'la paz com resistência..

natalia nuno
rosafogo



quando o silêncio se faz...



às vezes o caminho parece-me poeirento
de repente um súbito desalento
mas, na sombra duma ilusão que me resta,
tenho ainda a possibilidade de concertar a vida
fazer dela um amanhecer em harmonia e festa
escutar surpreendida uma melodia
aliviar assim, o dia a dia.
deito para trás das costas a negação
e dou asas ao coração.
sabendo não recuperar o tempo perdido,
lembro com saudade, o tempo bem vivido,
cumpri, esmerei?
não sei!
é penoso dizer, que nem tudo alcancei
só sei que agora avanço devagar
com teimosia, apesar 
do que o tempo me dita
às vezes com voz de trovão,
enfurecido, por não encontrar rendição.

encontro-me num entardecer alheado
como se andasse noutro lugar
trago o sonho cansado
cada vez mais penosa a forma de chegar.

a menina infatigável corre
veloz incansável
mas na minha pesada realidade
já morre,
de saudade.

natalia nuno
 rosafogo
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terça-feira, 21 de junho de 2022

não sei o que me dói mais...




definição de felicidade
quem a sabe?
a vida às vezes é quarto sombrio
e outras vezes corre alegre que nem rio
sento-me à porta no mesmo banquinho
deixo que acelere com força o coração
e escuto os passos da avó no seu caminho
que importa que seja ilusão?
só sei que tenho saudade
da sombra da árvore frondosa
do cheiro intenso do laranjal
da roseira onde brotava a primeira rosa
é tudo no meu pensamento tão real!
a lembrança deste meu chão
que importa que seja ilusão?
não sei o que me dói mais
se lembrar e sentir o coração a bater
ou embalar-me no silêncio e esquecer.

não me iludo, as lembranças não são senão,
deixar o pensamento livremente recordar
deixar latejar o coração
menina acorda...ouvir a mãe a chamar
que importa que seja só ilusão?
continua a roupa no estendal
e um rouxinol desafia as águas com seu vôo
bate nelas o sol que é imortal,
e em mim a saudade que não me abandonou.


natalia nuno
rosafogo 
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