segunda-feira, 1 de junho de 2026

sonho dum viajante...

 


erguem-se as minhas palavras

lutam a todos os momentos
nesta vertigem que aqui soa
não há nenhuma, que não doa

os pensamentos num mutismo
denso, louco,
enlouquecem, 
envelhecem,
e eu cismo,
porquê sofrer por tão pouco

quando adormeço
atravesso fronteiras
e as palavras são as primeiras
a descobrir a esperança
a levar-me nas asas do sonho
aquando era criança

saio da minha triste tristeza
fico viajante que aguarda
na incerteza
pelo sol dum instante,
pela felicidade que tarda.

natalia nuno
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os arautos...

 


os sinos tem sempre uma mudez

sombria
como se aguardassem o dia
d'alguém que está de partida,
hoje, ou amanhã talvez

em engrenagens ondulam
levam o som à distância
recordando a chegada da morte,
cresce a ânsia...
em quem recebe tal sorte.

tudo acaba, até o sino esquece
o seu tanger
em curtos intervalos, 
indolente, sem saber,
com seu vulto confuso
quando voltará a ter uso

rapidamente, é arauto da aurora
que traz na hora
o esplendor da luz entreabrindo,
é baptizado ou casamento,
e o som é bem vindo
virou o vento...
assim se chora de de alegria, 
ou de tristeza

a vida nunca é em vão!

natalia nuno
imagem pinterest

a escada sombria...

 


a vida às vezes é um círculo de luz


outras é nuvem nostálgica
sombria, que me conduz
para o cume do acaso,
levando
minhas horas piores

como ave que foge
para o desconhecido
quando a tarde quebra,

fica meu sonho perdido!

o dia vencido
e a noite se abre fria,
pestaneja a escuridão
e aquele último pássaro
leva de mim o que resta de ilusão!

asas mais escuras, agita-se a mente
nimbo de saudade,
lembro breves instantes de vida
desaparecendo das minhas horas
maiores.
e a visão perdida.

natalia nuno
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