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sábado, 6 de setembro de 2014

meia ponte...



Meia ponte...dói a recordação
no seu chão
a história de tanta gente
só se ouve a linguagem da natureza
a alegria perdurável do rio que passa
insistente e com graça
mas na ponte já ninguém passa
meia ponte...dói a recordação
quem se acostumará à morte?
Por ali vai pulsando o verão
tudo vive, só a ponte não teve sorte.

visitam-na os ocasos e as auroras
e o azul do céu é omnipresença
a luz branca da lua sem demoras
e os sapos cantando fazem presença

Quiméricos sonhos aqui passaram
enigmas dum tempo que já não volta
quantos pássaros por aqui voaram
quanta fome de liberdade
quanto sobressalto, quanta gargalhada
quanto rancor, hoje é meia a ponte
e todos a recordamos com amor.
Maldição ou desamparo
destas tão pálidas defesas?
Minha memória não descortina!
E a ponte  veste-se de presságios e
de  silêncios,
do que recordo de menina.

natalia nuno
rosafogo




segunda-feira, 1 de setembro de 2014

À minha terra...




Hoje fui às hortas
uma estranheza tocou meu olhar
já não havia pássaros a cantar
nem moças no rio a lavar
meu olhar pereceu ali,
o entusiasmo aboli
enquanto o coração o vazio aceitou.
Há dias em que me afasto um pouco
já nada é o que era, já nem eu sou!?
Precisei de voltar lá, a ver
as hortas e o rio
mas nada é o que era
meu coração regressa vazio
e embora já nada possa ser
não vou maldizer o tempo perdido
trouxe o aroma das laranjeiras
nos olhos a luz de mais um dia amanhecido.

Trouxe o sereno da tarde
que consolou o meu peito
por mais que me digam a verdade
aquele ledo encanto é meu coração que sabe.

Quando me disponho a regressar
há sempre uma lembrança a despertar
no chão desta minha terra, ou no firmamento,
que valem o meu sorriso
voltar lá sempre preciso.
O que busco? Nem eu sei!
Talvez o canto do grilo,
talvez meus passos de criança,
talvez a serenidade
o meu grito de despedida ou de esperança
ou será a saudade?

natalia nuno
rosafogo





O poema da desmemória...



Nada pode mudar o tempo
incessante, nem sua impiedade
só a memória procura claridade
em um ou outro instante que ainda
no peito me arde
o tempo desdenhoso fere-me de saudade
e o horizonte do poema obscurece
e assim permanece triste,
num estado de letargia.
Esqueceu de celebrar nossa festa
mais íntima, o teu falar-me
ao ouvido, de incendiar nossa hora,
falta-lhe o que sinto e o que sonho
a alma da saudade que chora,
a solidão de quem procura
um pouco de amor,
outro tanto de ternura.

Nada pode mudar o tempo
mas o Poema não esquece a verdade
do que guardo em mim mesmo
nem nosso amor vestido de simplicidade,
o riso ou a lágrima da minha saudade,
e as páginas que ficarem despidas
ainda assim me ouvirão,
apaziguarão minha alma e minha vida.

O Poema é o esconderijo, o abrigo,
a lágrima solitária que trago comigo.

natalia nuno
rosafogo



domingo, 31 de agosto de 2014

instante...



o que me ata à vida é sonhar com a felicidade, quando os meus olhos sentirem a terra escura, meus versos serão páginas dum livro ferido de saudade...minha poesia uma gota de orvalho numa comovida flor.

natalia nuno
rosafogo

pensamento





As palavras são vermelhas de vida ou negras de dor, premonitórias de felicidade ou de angústia, às vezes de alento com quem o acaso nos cruza.

natalia nuno
rosafogo