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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O poema da desmemória...



Nada pode mudar o tempo
incessante, nem sua impiedade
só a memória procura claridade
em um ou outro instante que ainda
no peito me arde
o tempo desdenhoso fere-me de saudade
e o horizonte do poema obscurece
e assim permanece triste,
num estado de letargia.
Esqueceu de celebrar nossa festa
mais íntima, o teu falar-me
ao ouvido, de incendiar nossa hora,
falta-lhe o que sinto e o que sonho
a alma da saudade que chora,
a solidão de quem procura
um pouco de amor,
outro tanto de ternura.

Nada pode mudar o tempo
mas o Poema não esquece a verdade
do que guardo em mim mesmo
nem nosso amor vestido de simplicidade,
o riso ou a lágrima da minha saudade,
e as páginas que ficarem despidas
ainda assim me ouvirão,
apaziguarão minha alma e minha vida.

O Poema é o esconderijo, o abrigo,
a lágrima solitária que trago comigo.

natalia nuno
rosafogo



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