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sábado, 14 de janeiro de 2012

PERDI A IDADE!

H. Zabateri - cherubs

O vento traz-me a juventude,
que perdi sem dar conta.
Perdi a idade!
Agora a saudade,
amiúde
Me lembra a idade que desaprendi.
Tempo de silêncios amargos,
hoje senti.
Ocasionalmente me visita
a esperança e me afaga
E a tristeza do olhar me apaga.

Passa por mim
a brisa tépida dum tempo sem fim
E eu não pertenço a tempo algum
Sou passado, presente, futuro ou nenhum!
Trago na voz uma gargalhada
Mas a alma sem luz desabitada.
Meus pensamentos são relevos
Nos meus sonhos crescem trevos.
E no rosto sem idade
Uma ruga oculta na dor
E lá volta a saudade,

Cai a noite sobre a minha janela
A memória é traiçoeira
E até ela...
Me deixa entre a realidade e a ficção
Será como Deus queira,
Até que bata o coração.

Hoje não há estrelas no céu
E a chuva cai em pranto
como eu.
Desencanto!

Resgato-me do esquecimento de mim
Esqueço o rosto de rugas povoado
E fico assim...
num sonho de maresia perfumado.

imagem do blog imagens para decoupage
natalia nuno
rosaafogo

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

SÓIS DE OUTONO


Já se tecem sóis de Outono
Mornos... de sombra tecidos!
Fica o tempo ao abandono
Foram-se os tempos floridos.
É bem real esta ventura,
que me trouxe até aqui
Não esqueço a vida dura!
Mas foi bom o que vivi.

Nasci alecrim cheiroso
Nascido no coração da ribeira
Hoje coração rochoso,
morrendo de tanta canseira.
Ganhei na vida gavinhas,
a que hoje em dia me agarro
Quero ir longe...loucuras minhas!
Pois meus pés já são de barro.

Meus sonhos apenas migalhas
Têm ainda o seu sabor!
Meus sentidos cheios de falhas
Mas no coração trago amor!

Foi-se o solestício de Verão
Ficaram lânguidas as violetas
Na minha fonte a sequidão
Cicatrizes? Não curam no âmago dos
Poetas.

natalia nuno
rosafogo

imagem blog vintage

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

LOUCA SAUDADE

H. Zabateri decoupage

Saudade...
Cheia de ilusões se foi
a Mocidade!
A vida é marcha que não pára
E a gente sente a saudade
Como ferida que não sára.

Velhice,
pobre mendiga andrajosa,
de olhos desassombrados,
passos  espezinhados
e a mente já vagarosa.

Saudade...
leva a vida aos ombros,
e o pesar a  pesar
no olhar,
já sem assombros.
Leva tudo de roldão
Mas a saudade da mocidade  é  que não.

Não, não morre...
Á mercê leva um restinho de
paixão.
Porquê lhe quero tanto?
Porquê se ergue no coração
esta saudade como torre?
Porque a saudade da saudade
me traz o encanto,
De quando me abria em flor.

Saudade...
Pudesse  ao alvorecer
a claridade
adormecer o pranto!
Cantaria com beleza a saudade,
da Mocidade o encanto.

natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog imagens para decoupage.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

E DEPOIS TALVEZ !

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Não olharei mais as estevas
Nem o sol dourado que se ergue nu
Saudade que sempre para longe me levas
Não me deixes só, não partas só tu.
Deixa-me então olhar mais uma vez
As rosas que dormem no jardim
E depois talvez!
Os juncos entrelaçados sorriam pra mim.

Deixa-me ir ao encontro do ribeiro
Deixa que veja nele a minha imagem
Quero comigo levar o cheiro
do barro da terra para continuar viagem.

Não olharei mais o azul do céu
Nem os pássaros que cantam nos ramos do cedro
Saudade, foste tu quem sempre me deu!
A imagem quebrada do velho brinquedo.
Deixa-me sentir de novo a fragância dos prados
Olha a minha vida que foge como a água
E meus sonhos que morrem calados.
Sente tu também a minha mágoa.

Deixa-me sentir o suspirar do vento
ou o seu furioso ranger
Não me deixes no desalento
Na tarde de outras tardes,
Deixa-me em paz morrer.

E no sossego
que nesse momento me invade
Deixa que um rouxinol me cante suave
Que me alheie de tudo menos do seu canto
Que seja minha última alegria, dor, ou encanto.

rosafogo
natalia nuno

domingo, 8 de janeiro de 2012

A RECOMPENSA DE SONHAR

H. Zabateri

Cheira-me a terra molhada
Sinto o coração mais forte a bater
Espreita-me a saudade p'la calada
Por entre arvoredo verdejante
Andam meus sonhos repousantes
O sol nascente a enternecer.

Cheira-me a terra lavrada
Tapete de viva cor de esperança
Canto das aves, a vida serenada
Ao longe olho a criança.
E um verdadeiro milagre acontece
Chove na terra e vertem já as goteiras
E logo o sol nascente aparece
E as gentes esquecem as canseiras.

Cheira-me a terra molhada
Seu aroma em mim qual perfume
A porta aberta ou mal fechada
Deixa antever aceso na lareira o lume.
Há fumo saindo p'la chaminé
Amores perfeitos no peitoril da janela
Nas poças de água meto o pé
E ouço o chamar de minha mãe,
fervilha a sopa na panela.

Cheira-me a terra germinada
Onde preguiçosamente a semente nasce
E olho o sol na tarde dourada
Enquanto a Lua aparece e a noite faz-se.
Já brilham as estrelas no céu
Há luar é Lua cheia
Sentada na soleira, ali estou eu!
Minha mãe ao lado, tecendo meia.

É a recompensa de sonhar
Sonhar é continuar a viver
A esperança a cada dia semear
Faz bem ao coração, a força do querer.
Os sonhos ligam-se e interligam-se de verdade
E eu vou sonhando anos passados
Com doçura, a vida mais de metade
A terra me traz os sonhos inebriados

rosafogo
natalia nuno
imagem retirada do blog-imagens para decoupage.