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sábado, 5 de março de 2011

ALQUIMIA DA ALMA



Todos os sonhos gastei
Restava apenas um
Na saudade o deixei
Hoje nem o rasto de nenhum!

Pingos de chuva me fustigam
É sómente um aguaceiro
Talvez me concedam a graça,
me tragam
Da flor do mato o cheiro.
Para matar a saudade
Que vive em mim por inteiro.

Alcanço o final da viagem
Sem chegadas nem partidas
Iço a bandeira com a coragem
De quem viveu muitas vidas.
Ponho os pés em terra firme
Que germina devagarinho
Viva ainda me sinto,
e assim ao sentir-me,
renasço para o caminho.

A viagem já termina
Deambulo p'la madrugada
silenciosa.
Sinto-me ora menina...
ora fantasma vagabundeante.
Tendo tudo, não tenho nada.
Nesta hora, neste instante?
Sou como lamparina preciosa!
Na busca da felicidade.
Lembro o passado distante
Atinjo a alquimia da alma,
ou  tão sómente saudade.

Já em meus olhos a noite rola
Vivo mais um dia de ventura
Renasço e a vida me consola
Me abraça com fantasias e ternura

natalia nuno
rosafogo

imagem retirada do blog-imagens para decoupage

quinta-feira, 3 de março de 2011

DEIXEI-ME A SONHAR



Deixei-me transportar
Aos dias do passado
Deixei-me a sonhar.

Minha alegria ficou triste
Entrei com cuidado
Mas lá já nada existe.

Só o rio continua a cantar
O salgueiro chora sobre ele
a mágoa.
O velho moinho continua a andar
E o ceu azul espelha-se na água.
Já o forno não coze o pão
E a velha mercearia?

Pobre do meu coração
Sofre a tristeza e a alegria.

Hoje não lavo no rio
Nem ponho a cantara à cabeça
Minha vida por um fio
Já nem há quem me conheça.

Molham-se me os olhos
Com esta saudade que me domina
Lembro a menina do vestido aos folhos
Lembro, lembro sempre essa menina.

rosafogo
natalia nuno

imagem retirada do blog-imagens para decoupage

OS DIAS POISAM EM MIM



A solidão é uma pedra no peito
O tempo esse passou
Ficou para trás em bocados feito
Como água no cais que enlodou.
Só meu coração
Ainda está quente
e sente,
a cada momento,
um novo alento.
Entre o tempo e a eternidade
Vive nele a caber
multiplicada a saudade.
Neste entretanto que é viver
e morrer.

De súbito vejo cair a tarde
É mais um dia que finda
Mais um que me trouxe a verdade
Que tudo é efemero, nesta vida
desavinda.
Raras vezes conseguida
a paz que tanto se anseia
Á espera dum sentido p'ra vida
Ao lusco-fusco volta e meia.

Há sempre um não sei quê
A vergar-nos os ombros
E eu insisto porquê?
Encher o peito de escombros.
Os dias poisam em mim
Tão velhos quanto eu
E este chegou ao fim
Levando um pouco do que é meu.

Nada sei...

Só sei
Que o dia passou a correr
E eu aqui fiquei,
nesta solidão,
onde me invento e sinto a desvanecer.
Ou será ilusão?

Mas isso não importa,
Importa?!
Que hoje ouvi o som do ribeiro
O chilrear do passaredo
Senti das mimoseiras o cheiro
Respirei o ar puro do arvoredo.

Assim me encontrei a sós comigo
Lembrei quantos amei verdadeiramente
Alguém me falou ao ouvido
Amanhã terás outro dia, de presente.

rosafogo
natalia nuno

imagem retirada do blog-imagens para decoupage

terça-feira, 1 de março de 2011

MINHAS EMOÇÕES



Canta ao longe uma cotovia
Choro eu o desalento do meu dia
Canta ela batendo a pena
E eu choro, porque a vida me condena.
Canta á Primavera canticos de amor
Choro eu despedindo-me da vida com dor.

Do Inverno ainda sinto a friagem
Ouço ao longe o canto da cotovia
Já vou perdendo a coragem!
Cresce e decresce a minha alegria.
E a vida é como um descampado
Onde os sonhos ondulam ao vento
Ouço o cantico da cotovia
descuidado,
E meu pensamento
se esquece
cada vez mais... dia a dia.

Mas este cantico, que eu ouvia...


Será mesmo da cotovia?
É ela!
Canta ao amor á beira da ribeirinha
Enquanto eu, choro tristeza minha.
Choro das saudades do quanto vivi
Choro até das saudades, da saudade,
que senti!

natalia nuno
rosafogo
imagem do blog-imagens para decoupage

HORAS SURDAS



A noite é boa conselheira
E a solidão inspiradora
Surge o cheiro da laranjeira
Cheira a Primavera
E o meu coração sem demora
Espera e desespera.
No peito uma pedra me pesa
E o silêncio é maior que o mar
Faço reza...agora faço reza!
Para a solidão povoar.

É minha a noite e a solidão
Na memória coloquei uma cortina
Falam-me as estrelas ao coração
De tantos Janeiros desde menina.

Não ouço estrelas,
Nem me ouço a mim
Corro o risco de me perder
Nesta hora a entardecer
Quero dormir, para não ouvir
Que perco a vida assim!
Nesta inanição
Quase a chegar ao fim.

Fim de viagem
Levo o coração
Preso num sopro de aragem.
Levo bilhete de quem não volta
E um pressentimento em mim
A vida dá tanta reviravolta
Que o Poema termina assim.

natalia nuno
rosafigo

domingo, 27 de fevereiro de 2011

TÃO QUASE TUDO


É tarde, vejo p'la sombra das flores
O dia rouba-me a luz
nasce o silêncio,
só o vento tráz rumores.
Me abandono um quase nada
Apetece-me saltar o hoje
Trago a palavra cansada
de tanto que a vida me foge.

Tão quase tudo
Passou por mim voando
Primaveras e rosas que não vieram
E meu olhar mudo
Viu sumir,
Verões que se perderam
A sombra do Inverno chegando.
E o Outono já a partir.

Vou mais um dia cruzando
Fazendo e desfazendo
A vida me baralhando
Faço de conta não estou vendo.

Me abandono um quase nada
Que me parece uma eternidade
Deixo-me na tarde debruçada
Faço pausa, me cansa até a saudade.

A noite já se debruça sobre o dia
Talvez só uma tristeza!?
Ou o resto dum rumor?!
Eu sei que a saudade viria
Ouvi passos tinha a certeza
Não houve engano, AMOR.



natalia nuno

rosafogo

A PAIXÃO



Um simples amor vale pouco?
Na grandeza dos amores...
Mas o amor nos põe loucos
Ai de quem sofre desamores.
A paixão?!
Em brasa põe-nos o coracão
Dura uma eternidade...
Ou não dura tempo algum!
No futuro tráz saudade
Sentimento,
que exalta como nenhum.

Se entranha na alma,
no corpo, na pele
O peito de amor cheio,
a boca sabendo a mel,
e alguma intranquilidade
e logo algum anseio.
Saudade!
E também muito desejo
Vontade louca de te dares
Por um  beijo?!
Vontade até de implorares.

E no calor de mão na mão
Num entrelaçar de dedos
Olhando as nuvens de algodão
Palavras ditas são segredos.

Sofre-se se amor não se tem
Sofre-se, tendo amor demais!
O sabor doce que dele nos vem?
É a saudade se, não se tem jamais.

Rosas vermelhas perfumadas
O resto? Do destino é obra!
Alquimia na alma,
poesias murmuradas
É bom sonhar...
O amor é livre, nada cobra.

Prefiro falar de saudade, esta poesia
é de 2001, levou pequena revisão, e hoje
pediu-me que a colocasse.

A imagem retirada do -blog imagens para decoupage.