Seguidores

sábado, 22 de abril de 2017

a saudade foi tema...



a saudade tem mãos de mãe
sempre previsíveis na sua ternura
pespontando sonhos e esperança
no riso da sua criança...

abro os braços à recordação,
a saudade leva- me à loucura
e com grande arrebatação
nada silencia a minha mão,
entrego-me à saudade com ternura
acaricio as águas onde me banhei
e como cana ali plantada com fortes raízes
lembrarei... os dias felizes.

em tantas ocasiões
sou aquele rouxinol entre o arvoredo
e no sonho da palavra... sou o segredo
povoam-se os meus olhos de visões,
sinto o frio do remoto, a audácia do eco
que se prolonga decidido,
apesar do tempo decorrido
e lá vou!
borboleta na aurora, à espera da hora
de ouvir o sopro incandescente do poema
dizendo q 'siga em frente, q' a saudade
será sempre o meu tema...

natalia nuno
rosafogo





quarta-feira, 19 de abril de 2017

elegia à luz do dia...



a luz do dia é ainda menina
chega formosa e repentina
beija a terra, sorri por entre as árvores,
beija as flores
traz à manhã frescura e aos corações amores
e com ternura derrama-se pela tarde,
daqui a pouco é sonho,
é névoa beijando o horizonte
e logo depois súbita eternidade.
deixando o dia, leva saudade
e  sonha voltar amanhã, ao íntimo da fonte.

esquecida, testemunha em silêncio,
vejo-a a escapar-se por entre a folhagem
dos loureiros, e adormecer no regaço da noite
enquanto vou sonhando com m' imagem
com meus sonhos... primeiros.

amanhã voltará com sorriso derramado
despertará os rouxinóis que trago em mim
e alegrará no monte a murta e o jasmim.

prontamente acalmará o vazio dum sonho inacabado
trará de novo um inventário de esperanças
vestirá  minhas lembranças
com traje de menina,
em harmonia...seguiremos crianças
por mais um dia.

natalia nuno







sexta-feira, 14 de abril de 2017

sonho que o dia sustém...



a lucidez sempre te interroga...
porquê esse vôo até ao obscuro?
porquê esse abismo inesperado
essa inquietude...que é fogo
esse contar de rugas novas...
deixa que te acompanhe a formosura do vento,
a ternura do correr das fontes azuis,
a verdade dos sonhos
nas trovas
despoja tudo o que é dor,
e deixa-te levar num passo doce,
com  olhos de criança
como se ontem, ainda hoje fosse


abre as pétalas vermelhas do sorriso

retira os olhos  da penumbra
deixa ver o verdor desses gerâneos
trazes a esperança delapidada
acalma a ânsia desolada
atreve-te a sonhar,
avança um pouco mais
e deixa a tristeza nos umbrais
deste poema...


natalia nuno

rosafogo









natalia nuno

sexta-feira, 31 de março de 2017

pincelei meu dia...




dei uma pincelada neste dia cinzento
ficou o céu com um ar rejuvenescido
subjacente à minha intenção ficou um sentimento
o da saudade que faz em mim ruído
os dias são desertos e se sucedem
neles mil incertezas me assaltam
eclodem do pensamento palavras que medem
a solidão antecipada dos dias que me faltam,
hoje trago os olhos queimados de poesia
no coração trago uvas ao sol com doçura
pincelei assim este meu dia
e deixo-me num mar de luz e de loucura

entranço o meu vôo no arco-íris
e o aroma da vida em meu ventre avança
e em plena aurora, chega a hora da mudança

separo-me do obscuro que me percorre
e o dia enche de ar e jasmim a minha boca
arrebatada me agarro à esperança que não morre
e aproximo-me do teu corpo como louca
neste dia cinzento dei uma pincelada
e jovem corro em plenitude e alvoroço
nas asas  dum sonho que arde
não deixo a indolência tome conta de mim
pois que para sonhar nunca é tarde...

natalia nuno
rosafogo









quinta-feira, 23 de março de 2017

confusão de difusas luzes...



o dia a querer fugir
enquanto a saudade se aperta
contra o meu peito
e esta ferida aberta que se aproxima e se evade
como sonãmbulo vento, na noite deserta
procuro-te, e sinto-te cada vez mais distante
foste o sol que subias p'lo meu corpo
abrindo clareiras, brilhante...
agora, invento sonhos quando a solidão
me traz carência de ti, a tua ausência
é um tempo onde escuto a tristeza
é com certeza o verdor onde verdeja
o meu instinto, a minha resignação,
esperando um tempo de alegria, de fragrâncias
de atiçados ventos, que me devolvam os momentos
de amor...e de paixão.

perco o olhar numa lânguida vastidão
o céu é um mar de estrelas,
fico nesta hesitação
ainda com tantas palavras por dizer
procuro esse corpo de desejo que me falta,
um pranto sem palavras dos meus olhos salta
vindo do fundo do meu ser...

já lendários se tornaram nossos dias
e apesar das ausências e regressos
os teus olhos penetram no meu espanto
e eu quero-te tanto....

natalia nuno





sábado, 18 de março de 2017

oscilam os pensamentos...



afoga-se o seu dia num espesso relento
obscurecendo-lhe o alento
e há reinos de mel a que abdica
e ela ali fica...
sorvendo o que lhe resta
acostumando-se a calar
para não se despenhar
nos oásis da sua loucura
onde o vazio lhe devora a memória, sem cura,
permanece pensativa e certa que lhe vão
fugindo as recordações, meras ilusões
dos anos que passaram...
o tempo gravou-lhe lentamente
sombras nos olhos, retirando-lhe sensualidade
o odor a espessa madressilva ou mel quente
enlouquecida na saudade,
esqueceu-se gente

olha para trás e pressente
o rumor da queda na tristeza
segue a orla do seu mar silenciosa
esquece os ecos que a atormentam
escreve palavras implorantes, desejosa
duma promessa de vôo até nova quimera,
e pelo sonho espera...sonha e extasia
e aos seus olhos embaciados volta de novo a alegria.

natalia nuno
rosafogo



segunda-feira, 13 de março de 2017

ébrias fantasias...



o olhar é um poço sem fundo,
verde como o esplendor do mundo
vibrante e quente o coração
inundado de emoção,
e nos corredores da mente ébrias fantasias
onde a felicidade é agora saudade.
o inverno dita o rigor dos dias
mas a vida agita.se feliz diante do nada,

cansada, assim vai vivendo e morrendo
na dor que dói e permanece,
mas ainda sonha a mão que escreve,
e a dor esquece...
a palavra percorre-lhe o sangue
molda-se e cresce no papel
vogais, consoantes, acariciam-lhe a pele.
dos sonhos nascem adjectivos
que tece  e destece
memórias e desmemórias,
sonhos que se agitam vivos
vindo do seu desmesurado coração
metáforas brotam-lhe dos dedos
mais formosas que o vento batendo na ondulação
sem medos, uma alegria antiga
traz ao seu sossego,
sonhos de amor e paixão...

natália nuno
rosafogo




sexta-feira, 3 de março de 2017

sílabas precisas...



quase noite é... a idade
do rio que em mim corre
teço a própria realidade
sonho em mim não morre


sobre ruínas desperto
a palavra sol me ilumina
na vida q' parecia deserto
sonho-me de novo menina

natalia nuno
rosafogo

o odor da rosa...



este dia não me pertence
deixou-me e foi-se embora
é passado e me convence
a vida é caixa de pandora


sou espinho reclamo a rosa
já que o odor nunca esquece
dos versos à humilde prosa
prenhe inquietude acontece

os pássaros precisam de voar
meus sonhos são d' esperançar
com palavras rego minhas dores

abro o peito para o que der e vier
cá dentro ainda o sol a crescer...
lirismo onde morrem os amores

natalia nuno
rosafogo

a vida é jogo...



começa a vida num xadrez
mal e bem ... forças inimigas
no tabuleiro apostam... talvez
um dia vão deixar-se d' brigas

escasso tempo dura a partida
por atalhos oblíquos... segue
não há pausa é guerra sentida
e só a morte a paz consegue...

como a maré esculpe as areias
m' punho palavras vai golpeando
e as minhas ideias andam alheias

alto sol às vezes na noite me alumia
nas manhãs sem nada vou andando
e nas tardes pinto de mim outro dia


natalia nuno
rosafogo

saciar da saudade...



cerca-me a memória a saudade
que não me abandona
como brisa que me traz a linguagem das flores
e o harmonioso tempo da felicidade,
e dos amores,
atravessa esta paisagem de estio que é meu corpo
e é como rio que corre,
oscilando entre o silêncio e o rumor
nada cala a dor
nada procura nem espera
diz-me apenas palavras por dizer
cresce com os anos,
com o maduro sentido de viver

é testemunha do meu silêncio
do meu entardecer...

enquanto a tarde se põe no poente
e as rosas desfolham com o vento
escrevo linhas misteriosas com o coração que sente
enquanto da terra escuto o alento.
o eco da infância é ventura
de voltar a sentir e a contemplar
a frescura... da minha origem
e com inocência poder a sede, da saudade saciar.

natália nuno
rosafogo


ebriedade...



no rosto a indolência da bruma
o sonho em chama a surpreende
a saudade, já de coisa nenhuma
um vendaval que ninguém entende

do tempo traz nela a voracidade
entre os lábios a quente labareda
os desejos transbordam de saudade
no olhar tristeza que ninguém arreda

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

graça divina




seu papel representa dia a dia
os olhos revelam melancolia
olham todas as coisas
não se fixam em nenhuma,
o riso já não é luminoso nem cristalino
olha as estrelas uma a uma
vai seguindo o destino

as horas vão passando
remexe-se no assento
sonha com serafins e querubins
ai fica suspensa indefinidamente
sonhando ser seara à mercê do vento
reflecte longamente
ai a força do tempo...
e o esforço do coração para se libertar
querendo a vida aprisionar.

as mãos nervosas
vão enchendo folhas
as ideias multiplicam-se no pensamento
apenas o céu azul, o odor das rosas
o espírito e o corpo livres
e por graça divina
volta a ser menina.

natalia nuno
rosafogo





segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

sonho maior...




sobrevoando os verdes da mente
viajo entre memórias embriagadas
num céu azul transparente
ou de nuvens pelo sol talhadas
vôo, ao compasso duma música que só eu escuto
na tranquilidade do sonho que me leva em desejo
até ao delírio... sussurra-me um canto confidente
esqueço até o rosto enrugado
essa verdade veemente,
que em mim se tem arvorado.
como abertas flores, os sonhos ou alucinações
rodopiam como se fosse um acontecer constante
e eu desço do tempo, deixo-me nesta cegueira
por um instante...
lembranças desejadas há muito detidas,
algumas, talvez ainda não nascidas!
mas destinadas a acontecer...
busco-as nas minhas entranhas
em sobressalto, como uma música ferida

procuro nelas enlear-me num sonho maior,
que não quero perder...lembranças
são minha vida...

e num confiado sonho vivo,
igual sempre a mim mesma
as horas vou abraçando num absoluto abandono
na escrita meu coração palpitando, aos ouvidos
sempre aquela incerteza que parece falar-me
deste outono que me rasga,
que me traz de repente um aroma
a recordar-me...há um vazio, carente de vazio
onde nada acontece, um espaço surdo e fechado
um rio que quer correr no meu coração parado

sou a mesma... saudade e inquietude
sou a criança que avançou na idade
e ao mesmo tempo sou por ora a juventude.

natalia nuno
rosafogo




sábado, 11 de fevereiro de 2017

poema desconexo...




no dia em que não exista se apague de vez
meu sopro...ficará mais frio e solitário
o meu lugar, desperdicei os anos para perpectuar
o que mais amei, e o que levarei?! Nada!
só a mágoa na alma tatuada...
no poema a imagem da minha face retida
desfocada pela idade, com sulcos provocados
pela saudade...nada sei e nada quero saber
de repente não sou mais aquela mulher.
há ecos nos degraus da minha imaginação
cada dia mais cansada,
que são como violinos de trevas
vivo abraçada à bruma e não espero
já, coisa alguma...

neste instante, tenho diante de mim
o relógio que marca o tempo que não abdica
de passar, e o coração triste fica...
ama por amar.
só se ouve o vento
e o silencio se impõe nestes poemas
em páginas brancas caídas ao chão
com ninharias urdidas, com gargalhadas
de desdém, sombras  ignoradas
onde a minha mão
subtil, mas porém forte
não quer escrever sobre a morte
quer persistir no sonho
quer ser veleiro chamado vontade
quer o livre arbítrio de viver na saudade...

natália nuno
rosafogo



domingo, 29 de janeiro de 2017

nos teus olhos o céu...



beija-me como no sonho da juventude
olha-me com a plenitude desse teu olhar
e eu serei o aroma fragrante que esfuma
a labareda ou a queda
a realidade ou já só a saudade...
a dor ou a doçura, a noite que murmura
a memória duma vida em seu ar distante
tua mulher e amante.

o tempo vai quebrando laços
vai desfazendo nossos passos
vai espiando a ocasião
enlaça-nos numa intranquila solidão.
refugia-se nos meus olhos
este desmesurado amor...
enquanto a tua boca me entrega
o júbilo aceso duma flor.

o tempo todo vem perdurando em mim
a jovem chama, que me põe a mente
incendiada, traz-me a tua recordação e eu,
tropeçando, caída e cansada ainda assim.
vejo nos teus olhos o céu...
e no teu corpo o único destino meu.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 21 de janeiro de 2017

no fundo do tempo




é larga a rua dos anos que já levo
é tão grande o silêncio que nem
me atrevo, e levo apagada a voz
e a angústia desliza no peito
desfeito...
a noite enferma é violência atroz
perco-me nas sombras
desejando horizontes onde possa
prolongar meu vôo
sem jeito, assim me vou...
a vida empurra-me para o nada
o sonho distante, a realidade presente
as sensações batem obscuramente
e vão morrendo na mente soterradas
aquietadas na dor do dia
e da noite, numa frágil porfia.

lentas são as horas
palavras caídas são vento da recordação
e tu que demoras!... recordando-te
sinto o frio irremediável da solidão.

emerjo na firmeza de seguir
vou pespontando os velhos sonhos
de esperança...visto-os com traje de menina
e como se regressasse do fundo do tempo
invento-me como outrora e uma nova luz
me acaricia e ilumina ...dou-te de novo o
coração, e tu me dás a mão.

natalia nuno
rosafogo








terça-feira, 17 de janeiro de 2017

no coração da noite...



quem  minha voz silencia
quem põe meus olhos vencidos
quem tal golpe me daria!?
os sonhos trago esquecidos
minha esperança apagada
o corpo esquartejado
certeza desterrada
memória sombreada
e meu rosto calado...
depois de tanta jornada
tudo me devolve ao nada

quem tal golpe me daria
quem minha voz silencia?!

minhas mãos em esquecimento
meu pensamento um labirinto
o coração em pranto, nem sinto!
recolho cada lágrima furtiva
não quero perder esta luta
insurjo-me contra o tempo e a vida
e contra o assédio da morte.

essa filha da puta.

natalia nuno
rosafogo
poema que é grito!

domingo, 8 de janeiro de 2017

destino cumprido...



onde estão meus anos moços
que deixarão meus olhos na escuridão
que me deixam apagada, desnudada
assim tratada com desdém
fingindo esta vida que não sou ninguém
onde está a moça sonhadora que agora
me põe louca...
que era botão de rosa a abrir
agora faz uma prece, mas a vida
não a quer ouvir... e chama-lhe louca.

vê-se a angústia no rosto cansado
no peito a saudade a morar
o tempo é um sopro que passa, que foge
afagos de amor lembro ao deitar
e ao acordar, de face enrugada
fico triste, calada, sem que a vida afronte
e nesse tempo que envelhece bebo água na fonte
e penso que Deus já de mim se esquece.

estes segredos meus que ao papel confesso
e toda a vontade que me resta como por magia
são um poço infindo onde já faleço
mas enquanto em minha mente se fizer dia
sentir-me-ei ditosa, tendo a saudade por companhia.
abandono-me ao tempo, as palavras entre meus dedos
desprendem-se inteiras, num destino cumprido
são o meu mar, o princípio e fim do tempo vivido.

natalia nuno
rosafogo



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

poema triste...



olho p'la janela a escuridão circundante
que ameaça aceder ao avanço do dia
e este poema torna-se meu amante
o que horas antes impossível parecia

começa a noite triste a esfeapar-se
sem véus púrpura ou dourados
começam as estrelas a esgueirar-se
sobrevivem meus sonhos calados

dança a folha uma delicada dança
uma valsa sobre uma poça de água
mantenho-me viva m' alma descansa
no milagre de estar viva esqueço mágoa

fiquei à espera do crepúsculo esta tarde
com a ânsia duma criança que espera
só o poema ri desta minha ansiedade
como a dizer-me: quem espera desespera

escapa- me  murmúrio de compreensão
dirijo-me a ele com um olhar sombrio
e assim escrevo mergulhada na confusão
e a vida acossante... tem-nos por um fio

natalia nuno
rosafogo



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

porque hei-de rir?



Porque hei-de rir
se há flores a definhar no jardim
e já pouco ou nada resta de mim?
porque hei-de rir
se já a morte adivinho
e chegou ao fim mais um dia do caminho?
Porque hei-de rir
se a vida semeou em mim a solidão
se a morte é previsível, só a vida não?
Porque hei-de rir
se trago meus lábios sequiosos
no silêncio, e o corpo adormecido
num vazio sem sentido?
Os sonhos foram suicidas corajosos
abandonaram-me não deixaram rasto em mim
resta a estrada a chegar ao fim
porque hei-de rir?

Vou rir-me do Poeta não de mim.

natalia nuno
rosafogo