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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

palavras são palavras...




A sensibilidade poética é em mim como que um agasalho,  sou de temperamento poético e de quando em quando a imaginação entra em festa, então resolve brincar  às escondidas com
as palavras quase sempre nostálgicas, outras  são de alegria...que me fazem levitar num ceu só meu, em contrapartida reparto com elas meu precioso tempo, minha intimidade, minha saudade do passado, e tudo o mais que temos em comum. Rio e choro, danço e canto com elas, ocupam-me o pensamento, os sonhos, daí eu pensar que são minhas e não pretender abrir mão delas. Quando dou por mim  solto-as e então viajam até outras almas sensíveis, para seu enlevo...!  Afectuosamente lhes dâo atenção, as acarinham e as consideram de rara beleza.
Como não hei-de morrer por dentro?
Se fico vazia. apenas com a lembrança serena e a saudade tão presente no meu dia a dia? A minha imaginação  fascinada pela poesia, traz-me um novo idílio com as palavras e renasce em mim novamente luz e com simplicidade  transformo-as em versos, vazando neles sentimentos que entretanto volto a partilhar...e assim vou embalando meu tempo....


natalia nuno
rosafogo
net...imag.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

a paz em mim...




passa o rio desafogado
o vento por entre uma arvore e outra,
e há uma ternura espalhada
pela terra absorta.
junto à  janela me aquieto
meu olhar é fio preso à tarde,
e na proximidade
a noite e a sua palidez
e um arco-íris disfarçado
apaga-se da memória a solidez
fica o coração agastado.

tudo cabe numa lembrança
para lá do rio
ficou meu sangue enlutado
no corpo um arrepio
segue o rio desafogado.

para me lembrar,
inunda-me o cheiro dos laranjais
fecho os olhos e vejo as estrelas
e o rio já não é o rio, é o mar
de lágrimas do meu olhar,
é saudade entre sonho e verdade.

lágrimas que vêem da memória,
seco os olhos não vou esquecer
minhas raízes
nem meus sonhos, por mais
negros que sejam,
felizes ou infelizes.
continuo viagem
pé após pé
com fé!
sem paragem.
mergulhada no caminho
emaranhada no escuro silêncio
do anoitecer,
já os passáros anoitecem no ninho
e eu me sinto a correr,
no ventre da estrada da banda de além
onde já não tenho ninguém.
só meus olhos ficam colados
meus pensamentos retardados
e a paz em mim
e a paz sem mim...

natalia nuno
rosafogo
imag-net

o sítio da aldeia onde nasci tinha o nome de «Banda d'Além»



















meus pensamentos





Meus pensamentos,
são galgos perdidos na tempestade
são melancolia que não me larga
momentos de embriaguez
e saudade…
desdobram-se num vôo  louco,
impõem se com altivez
e eu posso fazer tão pouco!
 
Meus pensamentos
têm asas como os morcegos
voam para a obscuridade
trazem-me desassossegos
e lá volta a mim a saudade.

Meus pensamentos
são pássaros verdes no peito,
saciam a sua sede
nesta saudade, que me atormenta
sem jeito.

Meus pensamentos
são barcos que partem do cais,
levam minhas mágoas, meus ais...
enquanto  a noite não se faz tardar
e a morte anda por aí a rondar.

Natalia nuno
rosafogo
Fuzeta, 10/12/2012

 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Como me sinto?

 
 
 
Como me sinto? Nostálgica, talvez porque vai terminar mais um ano, coisas minhas!
Hoje apetecia-me ler cartas de amor que nunca me escreveram, que me rasgassem o peito de saudade e cobrissem meus olhos de água, me lembrassem que já foram meus olhos verdes, p'los quais andaram apaixonados...dado que já me esqueço uma vez ou outra...
Mas nem o vento vem falar-me dum poema onde fui notícia... nem que f
osse o derradeiro!
Hoje queria que o sol descobrisse meu endereço, me deixasse confessar-lhe meus sentimentos, fizesse parte da minha solidão, ou me trouxesse de volta meus dias felizes, amanhecesse de novo a minha vida...
Aprendi a fugir da realidade, embora pareça leviandade, para mim é um impulso de bom senso, deixo-me num mundo mágico onde eu e a poesia disfrutamos do aroma dos cravos e das rosas...

Não me deixo derrotada! O poeta é um ser inconstante, ora está feliz, ora não, entra em contradições contantes, mas seus dias são preciosos e necessita sonhar nem que o sonho por ventura não se realize nunca...

É assim que me sinto!
 
natalia nuno
rosafogo
imagem da net

domingo, 23 de dezembro de 2012

o sonho e inquietação




por onde andará o sol na imensidão
do céu, agora que a noite cai?
o dia ficou na penumbra e com ele meu
coração.
não se ouve nem um misterioso ai,
tudo é solidão.
caem já gotas de orvalho, vem o vento
murmurante
e com ele vai meu pensamento
errante.

cismei que ouvia a tua voz
que me falavas ao ouvido
deixei-me a sonhar
mas era sonho,
tornado pesadelo dolorido.
será que o sol morreu?
e a noite trouxe a tristeza?
toda a lezíria escureceu
e nem uma estrela acesa.

tanta lágrima saudosa
deixai-a correr... deixai!
tanta mágoa dolorosa
até meu rosto se contrai

e a noite é negra de breu
sinto que o tempo esvoaça
páro a olhar o céu...
e sonho que uma alma gemea me abraça.
mas é sonho, solidão, negro inverno,
que me consome sem piedade...

que nasça de novo o sol
e me devolva a claridade.

natalia nuno
rosafogo
imag- net






Conversa com o Facebook...

 
 
O que tenho feito caro Face?
Tenho escrito alguma poesia, tentado atingir alguma perfeição na criação, reproduzir nela alguma emoção, enriquecê-la de imagens poéticas, em torno do tema quase sempre a saudade e por vezes o amor, com entusiasmo, embora já não tenha vinte anos. A poesia é um estado de alma, sensível a que nos apegamos como se fosse um sonho, com ela conseguimos derrubar a solidão, ta...
mbém com ela construímos castelos no ar, sofremos a ironia e o desdém de alguns leitores e exaltamos com o apreço de outros. Por isso a vou espalhando aqui e ali, neste mundo que é a internet, e por insignificante que ela pareça, tem a sua importância, umas vezes nada contra a corrente outras a favor, vai voando com bons e maus ventos.E um amor assim maternal, faz-me andar por aqui p'lo face deixando-a (poesia) e a deixar-me fascinar com a de alguns Poetas. Já todos por aqui me são familiares, por isso também tenho vindo desejar a todos Boas Festas, resta-me desejar também ao Face um Bom Ano com vida, criando ambiente de cultura e amizade entre todos que seja de paz e liberdade.


natalia nuno

sábado, 22 de dezembro de 2012

Por ser Natal...





Ora, como me sinto? Como se tivesse levado um banho purificador, com água duma fonte nova, fortalecida por Deus, meus alicerces são sólidos, minha luz abundante, pena não puder mudar o mundo, acreditar mais no Homem, mas já nada me causa espanto, nem mesmo a leviandade de quem nos põe à míngua, nos governa... assim, todos os dias nos acode aos ouvidos o ranger da crise que nos tira até a dignidade...daí que por estes dias vou esquecer, quero sonhar, quero sentir-me bem, sinto que tenho esse direito.
 É NATAL...


natalia nuno

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sonho de Amor



Amámo-nos até o sol romper!
Invadidos por uma onda de amor,
tempo feliz, era tempo de querer,
como a abelha quer à flor...

Já madrugada...o mundo despertou!
Descansei encostada ao teu peito...
esqueci lágrimas e a saudade apertou,
enquanto me abraçavas tão ao teu jeito...

E foi como se chovesse doce no coração
não guardei tristeza, nem houve solidão...
acreditei no amor...era passada a aurora.

Sorriram então estrelas no firmamento
percorri teu corpo com o pensamento
e o amor foi botão de flor,como outrora.


natalia nuno
rosafogo
imag. da net

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

círios da memória






na cómoda antiga
havia sempre flores
e imagens de santos,
e minha avó em prantos
lembrando de seus amores
rezava uma ladainha
em voz baixinha.

grandes alguidares de barro
no forno
amassava-se o pão
benzendo-o com oração
«Deus te acrescente,
que és alimento de muita gente»
aqui ali um adorno,
uma sertã, uma cafeteira,
e na quinta feira
da Ascenção, um raminho de oliveira.

nas vigas da chaminé
penduravam-se os enchidos
e nas brasas fervia-se o café
enquanto a trovoada, zenia aos
nossos ouvidos.

a roupa mil vezes passajada
as iguarias poucas
às vezes imensa comoção
e todos os dias
a sopa e o pão.
na paz do alheamento,
se repousava em frente à lareira
deixava-se correr o pensamento,
e faziam-se contas duma vida inteira.

as silvas já formavam amoras
comê-las? Só quando maduras
em doce caseiro comido nas horas
de menos farturas...
a cor vermelha era como cilada
para atrair a passarada...
já se ouvia o barulho dos carros
o chiar dos eixos,
fugia a passarada, atordoada
abandonando os freixos.

e a lua aparecia e desaparecia
o sol nascia e morria
e assim a fé crescia
enquanto a vida corria..

natalia nuno
rosafogo
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domingo, 16 de dezembro de 2012

O amor, sentimento perfeito!





o amor é como o ondular do mar
onda vai onda vem...
mais meigo que o luar da noite
o sol dos dias, é tudo o que se tem.
o amor é uma forte tentação
às vezes... tortura do coração.

o amor traz-nos ais de saudade
é nossos olhos nossa claridade,
palavras ternas...aliança,
amor eterno, ventura,
flor de verão, flor de inverno,
doçura... esperança...
o amor tem um sabor delicado
entra por nós adentro obstinado.
traz ao olhar tanto enternecimento
tanta palpitação ardente
é como fogo ateado
volúpia estremecente.

o amor é um verso dolorido
na eternidade do pensamento,
harmonia duma voz que sussurra,
a voz do coração...o beijo prometido!
O amor é hospede amoroso
música dentro do peito
é felicidade, é gozo...
é um sentimento perfeito!

natalia nuno
rosafogo
imagem da net









CONTIGO



Contigo vôo nas asas do vento
Saudosa hei-de morrer de amor
Belo é morrer neste deslumbramento
Contigo caminharei seja onde fôr.

Contigo é todo o sonho que sonhei
É reviver tempos de outrora
Canto de encanto, por ti me encantei
De pranto é a saudade nesta hora.

Contigo me sentia doce menina
Rica de sonhos e encantamento
Hoje é a tarde que sobre mim se reclina
E tenho a saudade para meu tormento.

Brilham meus olhos doce quimera
Ao longe sinto ainda teu acenar
Ai meu amor quem me dera!
Contigo sempre sonhar....

um poema singelo, feito directamente no Horizontes da Poesia, hoje, sobre o tema «Contigo» que era proposto pela amiga Cida Vasconcelos.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

sábado, 15 de dezembro de 2012

NATAL




Ouve-se música na velha catedral
Velas acesas é noite de Natal
O menino é de madeira esculpida
A seu lado o olha sua Mãe Querida.

Recitam-se em voz alta orações
Silêncio, ouvem-se até os corações.

O hino é cantado pelo coro
Os meninos o entoam como um choro
As naves cheiram a brancas rosas
Aquietam-se as almas ansiosas.
Vem do céu toda esta harmonia
A noite é velha e tráz estrela
Ninguém esquece a noite deste dia
Suspensa a hora nos altares da capela.

Há amor
E comoção nos sentidos
Missa do galo redobra o sino
E há calor
Nos corações em Amor envolvidos
Faz-se oração, nasce o Menino.


AUTORA: Natalia Nuno
rosafogo
 
com este poema desejo a todos os amigos que me leêm BOAS FESTAS, QUE TENHAM MUITA PAZ SAÚDE E AMOR...


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

minha alma liberta-se




Minha alma liberta-se
 
Menina de sorriso rasgado,
vestido de veludo
 rendado,
para quem o sonho era tudo
persistência em viver feliz,
doçura e inocência,
agilidade de perdiz...

rosto sardento, cabelos a esvoaçar,
uns olhos abertos para a vida agarrar,
olhos verdes  côr da planura,
no coração amor
no peito ternura.
sorriso travesso,
a face pálidamente rosada,
fresca como  madrugada
que principia,
como água fresca da fonte
que não pára de correr noite e dia.

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no sol da minha lembrança
deambulo na claridade
dum sonho bom,
onde me vejo eterna criança
brincando em liberdade.
e sonho…sonho que é verdade!
e o sonho me consente
que a vida seja menos pungente.
o tempo é erva ruim
que à solidão me condena
levou o melhor que havia em mim
e  já de longe me acena,
mas o sonho o contradiz
e eu sonho e sou feliz.
 
natalia nuno
rosafogo

Fuzeta 10/ 12/2012

 

afectos contidos



Os afectos que não se dão
São como ciclone contido
nasceram para a solidão
num deserto sem sentido

afectos que não se soltaram
como nasceram, morreram
sementes não fecundaram
do doce mel não beberam.

afectos que cedo murcharam
recolheram à obscuridade
os corações não vibraram...

vidas sem nada para oferecer
sem amor, ternura ou amizade
estrelas nascidas para morrer.

natalia nuno
rosafogo
imag-net
soneto de 2001/5

Pelo contrário a imagem é bem uma fonte de afectos generosos,
que fazem com que a vida seja água que corre transparente e doce.

domingo, 9 de dezembro de 2012

no dia que me queiras




meus olhos... côr de avelã
são sagrada herança minha
renovam a côr a cada manhã
nas parras outonais da vinha

trevos de folhas mensageiras
por te amarem  perderam vida!
no dia em que tu me queiras?
serão aurora, por ti renascida

acordará o chão será primavera
pintarei escarlate,bem colorido!
meus lábios febris... de espera.

nova paixão a mitigar.me a sede
coração bloco de gelo derretido
no olhar um amor que não se mede.

rosafogo
natalia nuno
img.net
soneto de 2001/3




 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

PERDIDA

Quanta saudade de ler,sentir esse teu coração tão meigo e valente
minha Querida Natalia Nuno.
Tantas vezes a mãe vida já pregou-me momentos assim,
momentos da mais completa perdição,
intantes confusos onde não atinava-me
o que fazer, onde i...
r, o que dizer a mim mesma
e aos meus semelhantes.
Momentos de grande dor, cortante solidão,
onde o único som adível era o bater desesperado
do meu coração.
Mas creio minha amiga querida,
que somos agraciadas com a dádiva da coragem,
baseado n'um carácter que guarda as primicias dos
reais valores do estar-se na vida.
E sobretudo que nada nos é concedido,
exigido em vão, por mais que nos sintamos
feridas e no limbo do nada.
"...Esperança pelo chão espalharei
Na esperança de não me perder
E só eu sei, o que passei,
Vendo os anos a correr.
Levarei saudade pela mão
Enquanto no peito,
bater o coração...."

Ler-te é como estar a beira d'um espelho dágua,
n'uma cristalina fonte, que vejo o reflexo de mim também.
Mil bisous com imenso carinho,
que tenhas dias de muito riso e ternura
entre os que amam-te.

Para Ti a canção da Enya: Journey of the Angels
Ver mais

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

sonhando de novo...




estendo a manteiga,
numa fatia de pão
faço chá, com casca de limão,
os pedaços de pão que levo à boca,
são coisa pouca...
tão pequenos quanto eu.
meu rosto reflecte vários
sentimentos,
estou no céu...no meu céu!
tendo esta saudade presente
de quando era dez réis de gente.

extasio-me diante das brasas
da lareira,
o fumo provoca cegueira,
os olhos fazem arder!
dou uma olhadela ao relógio
e relaxo com prazer...

que quadro realista,
voltar à antiga cozinha...
por mais que o sonho insista
não regresso sem ver os parentes,
que por ora estão ausentes,
irei à horta das traseiras,
onde passei manhãs inteiras
a ver crescer os gerâneos
e as margaridas,
curarei da saudade
e suas feridas.

exala um aroma fresco e amargo
da folhagem que sussurra,
e  meu sonho não largo,
sem uma ponta de amargura.
na saboneteira
resta ainda um pouco de sabão,
o santo na cómoda carunchosa
e é tanto o amor
que meu coração,
fica pregado ao chão...

as vidraças têm os caixilhos negros,
já não ouvem minha voz, nem minhas
aventuras,
já não lhes conto segredos...
por preço algum deixaria de sonhar,
meu rosto fresco e são
cantarolando baixinho,
neste meu amado cantinho
que bela recordação...

Impossível melhor coisa p'ra lembrar..

natalia nuno
rosafogo
imagem da net





quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

entre dois corações



falo de mim e de ti,
dos passos que demos,
e se os esquecermos?
coloca um sorriso na boca,
esquece a vida que é pouca,
e se a dor a corroer-nos,
nos fizer sofrer,
nada receies!
vou sempre reconhecer-te
estarei aqui,
não vou perder-te.

a vida sobre nós avança...
passa por nós o tempo,
pisando devagar,
sobre nós se lança,
e arrasta... num longo arrastar.
mas não nos vamos entregar.

porque a esperança?!
ainda nossos sonhos rega,
ainda pinta de verde
nosso olhar,
trazemos sonhos de criança,
numa engrenagem cega,
que não nos deixa parar.
a saudade que tiver
cantá-la-ei nas horas esquecidas
e tudo o que fizer,
será obra das minhas mãos doridas,
às tuas presas,
meu amor de menina...
prisão de ternura
de tempos de face lisa e fina
entontecida...embalada em harmonia
do começo ao fim do dia.

neste poema interrompido,
de onde brotam palavras
que só nós entendemos,
à  nossa volta um mundo em flor,
e só nós sabemos
do nosso amor...

natalia nuno
rosafogo
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

sentimento estranho...


já não sei que esperar
do abuso do tempo,
dum sonho que invento
dum sentimento,
que desconheço.
às vezes rio a bandeiras
despregadas,
e me esqueço
das horas que me queimam,
e deixam palavras afiadas
de raiva , que espalho sem rumo
sem ancoradouro certo
com rasgos de sentimento
em desaprumo.

volto a alinhar os sonhos
e é como nascer de novo,
de novo a memória é dourada
os sinais de velhice fugazes,
ondula a vida com tranquilidade
faço com ela as pazes
e recupero da saudade.

volto a ser borboleta a esvoaçar
esqueço a presença do tempo
e os traços que em mim deixou
e sem saber que esperar
confio no que o destino traçou.

rosafogo
natalia nuno
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sábado, 1 de dezembro de 2012

lembranças presentes na memória



tinha o encanto da mocidade
saúde e beleza
agora tem a saudade
e dias de incerteza...
maneiras simples, despidas
de artifício,
o rosto p'lo sol queimado
o olhar altivo, vivo...
a boca sequiosa do beijo dado,
com sofreguidão,
e no peito a bater o coração.

soprava uma aragem fresca
a aventura
e ela ria com ingenuidade,
gestos de desenvoltura
e simplicidade.

a verdade é triste e não tem poesia!
o sonho na sua mente corria...

sorriso infantil
cabelos revoltos
absorta em qualquer coisa
deixando os sonhos soltos.

hoje traz um sorriso indefinido
motivado p'lo cansaço
parecendo exilada da realidade
passo a passo
vivendo de saudade.

..................................................

rabisco umas linhas
recordando coisas minhas
que poema disparatado,
é como se me houvesse arrastado
para o mundo da fantasia
e comigo a poesia.

quem sabe se é poesia
o que faço?
ou apenas fantasia
que se repete...
sou eu que nela reflicto
ou ela que em mim se reflecte?
às vezes a acho boa
outras vezes a desprezo
embora isso me doa.

do céu cinzento e pesado
gotas de chuva a cair
cheira a terra
deixo o sonho aqui abandonado
onde já reina o silêncio e mais
algum há-de vir...
e num sussurrar de mansinho
virá a saudade,
a embriagar-me o caminho..

natalia nuno
rosafogo
imag. da net







 


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

olhando o dia triste


um raio de luz faiscou
a noite está de chuva
a solidão em mim penetrou
instala-se nos meus olhos
e me derruba.
estão as árvores ensopadas de
água,
o dia nasceu e morreu com uma luz baça
sobe e desce a minha mágoa
e o tempo passa...

a vida é sonho
que penso ter sonhado,
protejo-me das escorregadelas
tudo em mim são cautelas
nas palavras, nos pensamentos.
de todos os momentos.
o Senhor tem as cartas na mão
do futuro só ele sabe
do tempo perdi a noção.

os ramos agitam-se com o vento
suscitam-me a fantasia
agarro-me com as mãos,
suspendo-me por um braço
fico menina baloiçante o resto do dia
e assim o tempo passo...
prenhe de ilusões,
o pensamento caindo
como folhas mortas,
como fios de amarga chuva,
neste exaurir dos dias
e horas mortas.

e como num sonho
o amor sempre aparece
e como se atreve a tentar!

então deixo-me a sonhar...
sonhadoramente, de sonho
povôo a mente
até a vida acabar
até a morte chegar...

natalia nuno
rosafogo
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

na quietude da hora




na quietude da hora
palavras arremesso 
ao papel, para não me sentir só,
meus desejos são um só
e de saudade padeço,
a impaciência em mim aflora

meu olhar aguça-se
brilhando como outrora
ah...mas não me iludo!
no coração o mesmo nó
e o papel fica mudo.

fico a ouvir o bater pausado
da chuva na vidraça,
o monótono som doído
do vento,
e o ruído
do meu coração parado
como se morresse na hora que
passa,
em desalento.

despeço-me das palavras,
vejo o dia a findar...
o medo às vezes me domina,
a força parece querer faltar,
nestes instantes talvez definitivos,
surge omedo de perder a vibração,
não chegue o som aos meus ouvidos
mas apesar do desalento
eu ordeno,
bate...coração!

meus pensamentos deliram
quais  ondas do mar,
que gemendo expiram.

natalia nuno
rosafogo
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

lâmpada acesa




aperto a minha mão entre as tuas
e nosso amor
é mais calar que falar...
nada nos perturba a felicidade
nos deixamos a sonhar
aqui e ali recordando
com saudade.

quero ver-te sem que me vejas,
encontrar-te onde não espero, sabendo
que me desejas
com esse amor que tanto quero.

nada se opõe aos sentimentos
obstáculos sempre suprimos
momentos vividos,
religiosamente guardados
no coração e na mente,sentimos
felicidade,boa e pura
e ternura tanta,
causadora desta minha saudade.

como o ofertar do pão de cada dia,
teu coração me protege
com uma couraça de valentia
fujo do alvoroço
do labirinto da vida
imerjo num profundo devaneio
desejo com ardor
e anseio
o amor que ainda me tira o juízo,
ainda me ruborizo
ainda me embaraço
finjo que não dou um passo
mas caio no teu abraço.

nos olhos trago a saudade
dos teus quando me olhas,
haverá felicidade
que não a de ser amado?
dizes o que eu sei em demasia
afortunada que sou...
amanhã teremos mais um dia,
há razões que a razão desconhece
e que nosso amor fortalece.

um número infinito de razões
nos unem para sempre
brota o amor em nossos corações.

rosafogo
natalia nuno




domingo, 25 de novembro de 2012

debaixo da ponte...



a água murmura lenta
vai e não volta mais
e a minha saudade aumenta
do que houve e não há jamais.
e de longe tudo avisto
ali a terra secou
como eu havia previsto
por morrer quem a tratou.

ouço a correria na estrada
e vozes da criançada
de pés nus,
afectos crus
mas reis de sonhos e sol
e o sangue quente e leve
esvoaçante do rouxinol.

são os filhos da aldeia
sem esperanças no amanhã
confundindo-se com o pó da estrada
companheiros de outrora
da minha aldeia amada.

e os meus olhos tão antigos
revêem tantos amigos
e depois da emoção passada
deixo o sol bater-me  no rosto
e recordo o que não é jamais,
enquanto a água murmura lenta
e a minha saudade aumenta,
p'lo que foi e não volta mais.

natalia nuno
rosafogo
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

desafio o silêncio...





nenhum rumor na casa quieta
até o relógio parou
o gato ronrona no borralho
e a chuva  amainou,
receio que este silêncio
me traga abatimento,
coisas que me doem,
algum desalento,
como as fagulhas da lareira
prestes a apagarem-se.

entrego-me à melancolia
são felizes estas horas?
Infelizes?
Sempre a mesma indagação
dia após dia
mas o coração
não se apavora,
arranca o desespero
e o rítmo parece restabelecido
e eu encaro o silêncio
e o desafio nele contido.

natalia nuno
rosafogo
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terça-feira, 20 de novembro de 2012

horas maduras....






fui fortaleza cercada
e defendida
agora um pouco rendida
sem defesa, sobre destroços
repousada.
trago meu espírito livre
para a poesia,
a minha raiz de árvore seca
ainda a resistir dia após dia.

passaram por mim os dias
onde avultavam flores
e amores
silvas e amoras...
são agora as horas
maduras de melancolias.
assim vou matutando
entre alegria e tristeza
afugentando
a última com delicadeza.

deixo correr o pensamento
e o espírito se alheia,
é a saudade alimento
e a vida torna-se menos feia.

no coração da menina da aldeia?
a felicidade não corre perigo!
o sonho é o melhor amigo.

dentro das minhas muralhas
ainda há solidez
resisto aos caprichos do tempo
fico-me na pacatez,
e deixo-me levar
como floco de espuma
na correnteza... p'lo mar!

rosafogo
natalia nuno







domingo, 18 de novembro de 2012

a vida passa-nos à porta...




meus olhos estão tristes
e frios,
olhando imóveis o azul
cinzento escuro do céu.
meus dias sombrios,
sem alento,
neste mundo absurdo
sem esperanças nem ilusões,
mundo que tudo esqueceu,
e leva aos trambolhões.

tremem as flores nascidas
nas bermas,
sob o assalto do vento perseguidas
em solidão,
ermas,
algumas nuvens desgrenhadas,
parecendo brincar às guerras
e aos generais
sobre a terra curvadas,
prontas a desabar em tempestade,
no meu olhar triste a saudade,
de onde não sai jamais.

sobre a vidraça escorrem lágrimas,
na rua a lama substitui a poeira,
encheu-se a ribeira,
tudo é agora cinzento, a água e o céu.
os retratos continuam pendurados
nas paredes, sombrios
meus olhos continuam tristes e frios
fatigados,
os sonhos parados,
escrevo junto dum quebra luz
da mesinha de cabeceira,
onde a saudade é verdadeira,
e uma lágrima dolorosa,
cai ardente e orgulhosa...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net









quinta-feira, 15 de novembro de 2012

flor pendida





como te afundas
coração de menina
em lembranças e luas
de amores e solidões só tuas.
lembranças que a memória espreita
leves, doces, ternas,
que só tu conheces, mais
ninguém suspeita...

a solidão se passeia por ti
deixa-te sonhos apenas,
e aí,
o sossego te invade
mas não te leva as penas,
deixa-te a viver da saudade...

serena te vês,
solitária te deitas
e de lua em lua
tua vida desvanece...flutua!
mais um dia feito
mais uma repetição
a mesma lassidão,
o mesmo nada
a mesma realidade
e o cansaço te adormece
e o sonho se tece!
as mesmas lembranças na mente
repetidas insistentemente,
pedaços de vida
com o odor da juventude
nunca esquecida...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

terça-feira, 13 de novembro de 2012

só o sol me faz falta




árvores verdes, céu azul,
pássaros,
canticos melodiosos...
ecos da minha infância distante
sonhos, anseios, esperanças,
gorgeios nas minhas lembranças,
nesta tarde já quase parda
e a noite que aí não tarda...

tanta coisa que o coração recolhia
tudo lembrei, nesta tarde
que esfria...
tanto sonho,
neste céu distante,
tanta paz, tanta tempestade
que em mim incendeia e apaga,
que traz saudade...
a esta memória que já se alaga.

infinita esta saudade
neste sonho resignado,
neste silêncio dos campos
nesta moldura sombria...

do meu olhar marejado,
desaparece o dia!

e esta tristeza que tudo atravessa...
sentimentos de dor e prazer,

a vida é carta por escrever
que aguardo receber...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

S. Pedro do Sul, 28/09/2012

domingo, 11 de novembro de 2012

carinho de girassol





Encontro a ti serra da insanidade
Tantos vieram quantos desistiram
Meus olhos atingem o infinito
Minhas asas não conseguirão

Avisto águas que escondem
Segredos e medos
Temor do mar e das cordilheiras
Imóvel assisto o interior de minha pálpebra

Desenhei notas de amor
Cantei o som da esperança
Fui tua confiança
Tentei fazer sorrir cada cravo e violeta ao redor

Nos versos de teu brilho
Encontro o sossego
E lanço-me em tua direção
Quem sabe teus braços estrelados me amparem

As asas chicoteiam o ar
Um som que já conheço
Nada diferente
Maravilhosa sensação de voejar

Voarei por toda madrugada
Aguardarei naquele farol
Onde farei por instantes minha pousada
Quando o dia chegar abraçarei na amizade uma flor de Girassol

Voo em versos o que sonho e o que me fascina
Do sussurro do anjo que me acompanha em cada esquina
Surge algo que não acredito ser magia
Apenas avidez de trazer à vida um toque de poesia




Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=234553#ixzz2BwzhSNTN
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

do meu querido amigo Poeta Brasileiro  Correa,
esclareço que a rosafogo e o girassol no Luso são a mesma pessoa e este  poema me foi dedicado
por este poeta para quem vai a minha admiração por ser uma pessoa excelente, um ser com bons sentimentos.

sábado, 10 de novembro de 2012

apreço e carinho



Há na minha família gente bonita de coração, alguns amigos de Poesia, uns que a escrevem e outros apaixonados pela leitura, e outros escritores de romances como por exemplo Pedro Canais que escreveu o romance «A lenda de Martim Regos»

Mas hoje deixo aqui umas quadras que me foram dedicadas por uma prima com 83 anos de nome Maria Jose Canais, que para além de poetiza é voluntária no Hosp. de Torres Novas, onde é muito querida e respeitada, ofereci-lhe meu livro de poesia «Pesa-me a Alma» e ela demonstrou seu apreço assim:


 
Olá Natalia

É linda a tua poesia
Escrita com tanta doçura
É tamanha a melodia
Toda ela é uma ternura

Gostei dela tanto.tanto!
Que a vou lendo com prazer
Mas dei por mim num pranto
Quando olhos azuis acabei de ler.

Olhos azuis da cor do mar
Neles havia amor, lealdade
Por eles eu estou a rezar
Agradecendo tanta amizade

Falando da tua boa mãe
Que eu nunca esquecerei
Amiga do coração tambem
Para sempre a lembrarei

Por fim quero agradecer
As tuas lindas palavras
Para mim são o alvorecer
Que expresso nestas quadras

Mª José Canais

obrigada querida prima, aqui deixo como prova da nossa amizade
natalia canais nuno

    sexta-feira, 9 de novembro de 2012

    p'la calada da noite



    anda o vento rumorejando
    por perto
    traz a madrugada p'la mão
    e eu trago a emoção bem dentro,
    dentro do coração.
    há pétalas a abrir
    nas pálpebras da primavera
    e ainda que me doa,
    o tempo por mim não espera.
    levo na boca o gosto a terra,
    nos lábios a palavra liberdade,
    sou garça a deslizar...
    na campina da saudade.

    levo nos olhos a voz dos pinheiros
    e as mãos a rirem da morte
    a brisa no rosto...e eu gosto
    e parto à sorte!

    levo poemas de amor
    e alguns versos nus
    nada acrescento à dor
    da escuridão se fará luz

    ando de pé sobre o tempo
    há quem diga que morri!
    deixei meu canto em Setembro
    é inútil o  pranto aqui.
    do poema já me arrependo
    mas foi um instante achado,
    nas veredas desta vida...
    e depois de terminado,
    ficarei de mim esquecida.

    tão já sem nada...
    é agora uma da madrugada
    e o poema me devorando
    e o vento aqui tão perto,
    rumorejando
    pela calada...

    natalia nuno
    rosafogo

    quarta-feira, 7 de novembro de 2012

    da memória tudo varreu




    hoje entrego-me à tristeza
    como folha de outono
    caída ao abandono,
    tombam meus sonhos
    tão pouco sei ...!
    quanto caminhei,
    por onde andei?
    espinhos pisei?
    minha essência guardei?

    esqueci tudo o que era meu
    mãos vazias
    pés cansados
    da memória tudo varreu
    caminho escuro
    labirinto de areia quente,
    avisto agora o poente
    cumpro o resto por cumprir
    no ocaso do meu firmamento
    não há estrelas
    e a noite é profunda,
    só um sonho sobrevivente,
    onde pulsa a esperança
    que é semente

    solto minhas tranças
    colho do mundo as andanças
    que Deus a todos destina,
    nestes tempos estranhos
    povoados de sombras
    vou sonhando em surdina

    natalia nuno
    rosafogo
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    sábado, 3 de novembro de 2012

    LOUCO AMOR




    O amor é pássaro leve
    não se quer cativo
    sopro louco...breve
    obsessivo...

    o amor é alquimia
    acerto, desacerto...
    lago de cristal
    tormenta que raio envia

    amor é lua oca
    água fresca na boca
    é seiva, floração
    paixão...

    amor é volupia doce
    chama viva
    chão de brasas
    condor sem asas

    amor é sedento algoz
    magnólia verde
    que mal floresce
    logo se perde...

     natalia nuno
    rosafogo
    imagem da net

    12/10/2006

    PARA QUÊ ?






    Para quê estas mãos?
    Estes pulsos vivos...
    Esta absoluta solidão...
    Estes sonhos cativos...

    Semente solitária, oca
    Sonho...clarão?!
    Absurdo coração
    último alento,
    amargo de boca.

    natalia nunmo
    rosafogo
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    quinta-feira, 1 de novembro de 2012

    Árias do vento



    tanto tempo vazio e mudo
    nesta tarde formosa de estio,
    árias dos ventos escuto
    como se fossem meus dedos
    a executa-las em cadência,
    sonoridade de gotas de orvalho,
    múrmurios de paz ao ouvido,
    ecos de saudade
    que fazem a vida ter sentido...

    os sorrisos confundem-se com
    as lágrimas
    e a felicidade com raio de sol,
    a tristeza com chuva matinal
    e tudo vai na paz do Senhor,
    enquanto não chega o final...

    folhas levadas pela corrente,
    flores de laranjeira lembrando
    noivado...
    e o céu um grande toldo azul,
    bordado...
    uvas maduras, longas parras,
    meu olhar é de curiosidade!
    só tu, saudade, me agarras
    neste sonho de saudade!

    e o vento canta notas que ninguém
    lhe ensinou,
    e diz tanta coisa ao coração,
    tanto prazer ao ouvido,
    ecos de saudade
    que fazem a vida ter sentido.

    nesta tarde distraída e fria
    surge o negro no horizonte,
    acabou o estio, o sonho, o dia
    ficou minha esperança a monte,
    meu coração, pássaro que tenta
    voar,
    ou bola de neve pronta a desfazer
    à falta de amor que o possa suster.

    o vento é companheiro vivo
    da minha solidão,
    e diz-me tanta coisa ao coração,
    tanto prazer ao ouvido,
    ecos de saudade
    que fazem a vida ter sentido...

    natalia nuno
    rosafogo
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    segunda-feira, 29 de outubro de 2012

    minha poesia á flor da pele




    Minha poesia
    é de louça fina,
    divina,
    de pura faiança
    tem brilho, e trino de aves
    notas suaves,
    sonhos de criança,
    e raios de sóis
    alvores matinais
    e doces  arrebóis
    é como menina
    que sorri e chora
    é de louça fina
    é luz da alvorada
    que o mundo cora.

    minha poesia tem o doce
    do mel
    encantos e prantos
    à flor da pele,
    nasce lacrimosa
    murmura ou se cala,
    tem o odor da rosa
    o sonho a embala.

    é mar bramindo
    é um céu sereno,
    a morte sacudindo
    à vida faz aceno.

    minha poesia é forte
    como o vento,
    é riso é festa
    é o pensamento
    de pessoa modesta,
    às vezes estouvada
    tem tudo tem nada,
    tem lírios e rosas
    e estrelas formosas,
    encantos encerra
    e fala da terra
    e do branco luar
    e histórias que tem pra contar
    e vive cantando
    «viver é amar»

    minha poesia é faiança fina
    tem ardor e paixão
    e sinto-a aos pulos
    no meu coração.
    louca desatina,
    é amante ardente,
    e às vezes mais fria
    um pouco demente
    pura utopia...

    e sem piedade
    de mim não tem dó
    deixa-me a saudade
    para não estar só!

    com ela cruzei por fim,
    não me viu...ai não!
    sempre a sonhei assim!
    com imortal paixão.

    natalia nuno
    rosafogo
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    domingo, 28 de outubro de 2012

    A ARTE DE SUPORTAR




     Diz o Povo e com razão…

    “ quem parte e reparte

    e não fica com a maior parte

    ou é burro…

    ou não tem arte “!


    Neste País que anda à nora,

    há gente com muita arte,

    ficando sempre e sem demora

    com a maior parte.

    Distribui uma pequena porção,

    diz ser tudo o que tem à mão.

    Gente de bom coração!

    Sua bondade sabemo-la de cor

    É grande e nobre!

    Mas o Povo está cada dia mais pobre.


    Sem esperança é barco sem marinheiro

    Mas na arte de marear foi o primeiro

    São estas palavras de Poeta… pertinentes,

    dizendo o que vai na alma das nossas gentes.



    Folhas caídas(pseudónimo)
    2º poema escrito para o concurso da Dracca
    em Palmela
    natalia nuno
    rosafogo


    ARTE DE SER POETA



     Nenhum de nós é Deus!

    Cada um tem atributos só seus.

    Tacteamos à procura

    da arte que Ele nos deu

    com ternura.

     

    O dom de escrever é como um talismã

    que se traz no coração ao nascer…

    E é tão grande a magia… que do Poeta,

    nasce a poesia.

    Quando chega a inspiração

    é como lampadário que se acende,

    o Poeta escreve o que só ele entende!

     

    E a beleza da sua arte

    Se espalha por toda a parte.


     

     

    Folhas caídas...pseudónimo
    com que concorri ao concurso Dracca de Palmela
    1º POEMA, SOBRE A ARTE

    natalia nuno
    rosafogo

     

     

     

     

    quinta-feira, 25 de outubro de 2012

    nunca é tarde de mais...





    Agora sou folha de outono
    prestes a ser levada p'lo vento
    em dia aziago,
    vai chegar o momento
    flutuando sem rumo
    na água dum lago,
    como quem procura
    água clara para beber
    ou buscando a ternura
    do teu olhar que me vem ver.

    Agora sou folha de outono
    levada pela correnteza
    do rio do teu olhar
    quando o vento não me cantar
    vou amar-te de certeza
    na orla do mar,
    ou nas sombras dos pinhais
    para quem tanto esperou
    nunca é tarde de mais.

    Agora sou folha de outono
    quem pode saber para onde me
    levou o vento?
    para o recesso dos teus braços
    para a loucura dos teus abraços
    mostra-me que não há felicidade maior
    que este amor!
    dia a dia renovado,
    que Deus nos tem ofertado.

    Agora sou folha de outono
    cega-me um forte clarão
    nossos corpos submissos
    escancarados
    nosso olhar enfeitiçado
    os corações amarrados
    e um convite aliciante
    fazer amor a todo o instante.

    espero-te com a mesma ansiedade
    das madrugadas deslumbrantes
    e é sempre a mesma saudade
    de nós jovens e amantes.

    natalia nuno
    rosafogo
    imagem da net




    segunda-feira, 22 de outubro de 2012

    um sonho apenas...




    lá no alto
    está pousado um pardal
    atiro-lhe uma pedrinha
    sem o intuito de acertar
    fico assim em sobressalto
    foi só vontade de atirar
    sinto ganas de rebolar no chão
    de dizer parvoíces, gritar...
    meus gestos ficaram na criança
    ainda por lá estão...

    balouço as pernas pendentes
    meus cabelos são chuva de verão
    e meus olhos são como batentes
    em tudo pousam com sofreguidão
    vou buscar os brinquedos
    à casa da avó...
    trago-os em segredo
    pra não me sentir só.

    o cão preso à corrente
    ao longe o uivo da locomotiva
    e eu sinto-me gente
    sinto-me viva!

    o que me falta está ausente
    meu pai e minha mãe
    e minha avó também
    corajosamente,
    prossigo sozinha
    levo sonhos
    nas mãos nodosas
    e a criança em mim adormece
    sente falta das mãos carinhosas
    deita a cabeça
    sobre um pedaço de bolo

    mas que sonho tão tolo!

    atrás duma cortina
    de cores desbotadas
    me vejo menina
    de faces coradas
    faço o caminho de regresso,
    sem interesse
    ah...se eu pudesse lá ficar
    se pudesse!
    lá no alto continua
    pousado o pardal
    e a lua
    e eu criança sei quando faço
    algo mal,
    prometo não atirar mais pedrinha
    deixem-me ficar
    por favor, nesta infância minha.

    natalia nuno
    rosafogo

    bem estar me leva ao orgasmo




    quando escrevo, há sonhos
    que se concretizam,
    desejos que se amenizam
    e minha esperança é a janela
    de onde avisto a saudade passada
    e futura
    é o tudo e o nada
    e as palavras recaem sobre ela
    com formas de ternura
    e a voz duma vida inteira

    quando escrevo dói-me a alma
    e ao fim duma tarde de canseira
    volto atrás, procuro no entardecer
    a calma
    faço-me gaivota de novo em vôo
    ah...se pudesse voltar além!
    se pudesse ir mais aquém!
    da criatura que fui e sou...
    mas é tarde e a escuridão
    apaga em mim os passos
    abafa o soluço vindo do coração
    tolhe-me as mãos e os braços.

    quando escrevo há segredos
    nos meus dedos
    iniciam a escrever em liberdade
    letras de fogo de fé e saudade
    tombam porém em chuvas de loucura
    escrevem e dançam
    uma dança de amargura
    a tudo alheios
    à hora, ao instante, menos às lembranças
    que estão presentes em abastança
    agora e sempre plenas de esperança

    quando escrevo sou como a rosa rubra
    que exala o odor
    aguardo a palavra que espero
    livre
    autêntica, que vibre
    com paixão e amor...

    quando escrevo o passado
    surge iluminado
    e o céu, o meu céu aqui...
    mesmo ao lado
    e ainda que me perca no futuro
    e veja tudo em mim escuro
    não me amarguro
    porque me sinto maior
    que o tamanho dum sonho

    quando escrevo há um mundo
    de felicidade
    um bem estar leva ao orgasmo,
    me põe um brilho no olhar,
    um sabor doce na boca
    logo tristeza é coisa pouca!
    e as lembranças são viagem
    no labirinto do meu pensamento
    num vai vem surgem agora,
    pra logo irem embora,
    na aurora me vou lavar
    estendo o meu lençol de luar
    e escrevo até cansar...

    breve tomarei o meu rumo
    para lá da curva obscura
    onde da vida me sumo,
    porque um dia há-de ser!
    chegará a desventura
    num louco entardecer...


    rosafogo
    natalia nuno
















    quinta-feira, 18 de outubro de 2012

    um amargo de boca...





    A menina que fui outrora
    adormece na sombra dos meus olhos
    que às vezes choram
    com saudade.

    Olhos redondos de pasmo,
    e um amargo de boca
    recordando-a com entusiasmo
    e com uma saudade louca.
    Há na memória lufadas de ar,
    que buscam sinais
    dos tempos,
    do sorriso luzidio
    do jeito que só ela tinha
    dói, dói este rio
    que em mim transborda,
    no tempo que me alucina
    e vejo feliz a menina
    que outrora saltava a corda.

    Meus pés andam...vão andando!
    neste passo a passo sonho e aprendo
    que a vida é como um amante
    inconfortado, mesmo que muito
    lhe querendo
    nos deixa num instante.

    O sussurro que me vai na mente
    é como o bater do mar dormente,
    e o quanto o coração bate,
    a cada ruga que vai rompendo

    quais os porquês desta hora?
    lembrando a menina de outrora?
    será saudade, ou apego à vida?
    é a verdade da saudade sentida!

    rosafogo
    natalia nuno
    imagem da net





    sábado, 13 de outubro de 2012

    a vida é bela!




    os melros cantam
    de forma exaltada
    no peitoril da minha janela
    e eu olho-os extasiada
    logo à primeira hora do dia
    a vida é bela!
    a luz incendeia
    até as palavras que escrevo,
    luz efervescente,
    como luz de candeia
    inocente,
    olho atentamente
    o saltitar tão próprio da garotada,
    a sua extraordinária alegria
    o seu olhar de esperança
    os gestos que são poesia
    e minha alma sobe á copa da árvore
    altiva,

    sinto-me viva!

    vou magicando
    enquanto um gavião
    se passeia p'lo céu,
    lembrando,quando cheia de audácia
    trazia a vida p'la mão.
    Passaram mil anos de solidão
    pergunto a mim mesma o que sucedeu
    à pequena de cabelos despenteados
    que olhava o céu de olhos pasmados.

    agora marejados só de a lembrar...

    no esplendor desta manhã
    cantam os melros na minha janela
    o dia pertence-me
    meu coração está de sentinela
    procurando a felicidade,
    repousado e em tranquilidade.

    o sol é agora côr de laranja
    os melros empreendem o vôo
    palpitantes se elevam no ar
    desejosa de os seguir, vou
    ao sonho implorar...

    as horas passam com inaudita
    velocidade
    elevo-me da escuridão para
    a claridade...

    quero ser feliz!


    natalia nuno
    rosafogo



    quarta-feira, 10 de outubro de 2012

    Mulher inteira!




    trago saudades de ontens
    hoje no peito
    e adormeço no passado
    num sonho perfeito
    acordo e na realidade
    não há nada
    apenas a sombra da noite
    e a saudade
    e a aceitação de mais um dia
    de existência parada

    canto á chuva no meu sonho
    todas as horas, são horas
    de sonhar
    horas de fazer, de decidir
    de chorar ou rir
    saber de experiência feito
    trago saudades de ontens
    hoje no peito

    as rugas me circundam
    os olhos
    romantica trago ainda
    uma balada
    de esperança,
    p'lo vento embalada,
    o cansaço marca as olheiras
    mas o sonho me faz viver
    e apesar das canseiras,
    eu me sinto,
    ainda inteira
    Mulher!

    há dias em que a alegria
    em mim esfuzia
    em que me sinto enamorada,
    outros, os sinto esboroar
    em pequenos nadas,
    meu tempo deixa de existir
    vou fazendo a travessia
    enquanto aguardo o porvir
    trago saudades de ontens
    hoje no peito.

    Mais um dia
    imperfeito...!





    terça-feira, 9 de outubro de 2012

    na terra do poema...



    na terra do poema
    tudo se cria,
    manobra, dobra, redobra,
    nela existe o enguiço,
    o feitiço,
    o sempre, a memória, a saudade
    o presente, o acontecido
    a alegria o rítmo multicor
    o amor...

    na terra dum poema renascido,
    ventura e desventura
    a esperança retornada
    cachos de ouro da infância,
    dramas sombrios da idade avançada
    o correr exaustivo dos dias,
    lágrimas por secar,
    esperanças e desesperanças,
    tristezas e alegrias
    orvalhadas e luar.

    na terra do poema
    falo eu e falas tu
    do chão de primaveras
    do outono e seus odores
    dos sonhos e das quimeras
    de madrigais e amores.

    fala-se de estrelas e luas minguantes
    de sonhos de alfazema
    e amantes,
    manhãs de pássaros ...e assim,
    na terra do poema
    nasce mais um  de ti e de mim!

    na terra do poema
    há almas tocadas de emoção,
    lábios quentes que beijaram,
    homens e mulheres que amaram,
    ternura tanta a que não resiste o coração.

    na terra do poema
    tudo se pode colher,
    encantos, aconchegos,
    linguagem delicada saída
    do milagre dos dedos
    dum homem ou duma mulher
    esquecendo que o tempo lhe vai
    roubando a vida

    a poesia é uma beldade
    todos lhe atribuímos valor
    se não fôr escrita com amor?!
    vale menos de metade...

    rosafogo
    natalia nuno


    segunda-feira, 8 de outubro de 2012

    a barca do sonho




    hoje recolho-me com a lua
    olho-me mais uma vez
    no espelho das águas
    e pergunto ao barqueiro
    onde deixou minhas mágoas
    e meu coração desgarrado,
    volvendo assim olvidado...?

    ah!...meu rosto não tem nada
    de excepcional,
    mas a saudade ao olhar-me,
    faz-me mal,
    há quem diga
    que a face já foi beldade,
    hoje resta a saudade,

    da frescura e mel da minha boca,
    do coração á flor do peito,
    nardo a florescer...idade louca,
    canteiro de amor perfeito
    resta a saudade, até dos cardos
    do caminho
    do sol ardente,
    da sombra dolente,
    hoje sou o reflexo de alguém
    na tarde que vai morrendo
    e a noite aí vem...

    hoje sou como a voz do sino
    que ecoa peregrino
    como se lhe sobejasse a dor,
    ou serei sangue sem côr?
    serei silêncio ou rumor?

    trago a voz adormecida
    depois de tão largo tempo
    e minha carne que era florida
    adormece sem lamento
    Mas eu sei!
    que já tive o que não mais terei,

    aquieto o cansaço dos dedos
    hoje me recolho com a lua
    esqueço o sabor amargo
    e os medos
    e minha alma se apazigua.

    natalia nuno
    rosafogo












    sei o que quero dizer...




    palavras hesitantes
    versos mal feitos
    mãos sem entusiasmo
    sempre a piorar,
    agonia nestes instantes
    o coração a querer tudo
    impedindo-me de rir ou de chorar,
    tudo acha justo e injusto,
    o pensamento parado
    e o tempo, sem parar...

    além rio vejo a colina
    e um carvalho centenário
    relembro o tempo de menina
    e viro a página ao calendário

    o tempo é escasso
    não quero acelerar o passo,
    sei o que quero dizer,
    mas não digo
    para não enlouquecer,
    pela tarde houve sol
    agora surgiu o vento,
    acalmei meu pensamento
    e a desordem do coração,
    trago na mão
    o peso da hora...
    a terra que amolece,
    a noite que enlanguesce,
    meus sonhos em fiapos e,
    as esperanças em farrapos,

    a um verão curto
    um outono prolongado,
    um mar agitado,
    estrada escorregadia,
    ah!...mas aguardo com ânsia
    por um novo dia.

    os pássaros entoam hinos de vida
    e eu sou de novo riso e canto
    extasiada olhando as águas
    embevecida
    com o encanto
    embriagador
    desta manhã de seda pura
    onde o tempo me faz promessa
    de amor,
    neste dia que começa...

    rosafogo
    natalia nuno
    imagem da net

    S. Pedro do Sul 26/9/2012

    sábado, 6 de outubro de 2012

    amar-te é...




    amar-te é ter-te na lembrança
    é guardar teu cheiro a alecrim
    abrir-te os braços...qual criança,
    a que ainda habita em mim...

    amar-te é música no coração
    ouvir trinados da passarada
    é ler um livro com paixão...!
    sentir-me pela sorte premiada...

    amar-te milagre que se anuncia
    fornalha da esperança acesa
    sair do vazio em que eu caía...

    amar-te é seres a minha razão,
    meu destino e minha fortaleza
    amar-te é não calar o coração

    natalia nuno
    rosafogo

    quarta-feira, 3 de outubro de 2012

    espelho do nosso entendimento



    Juventude...
    É tão cruel ter desaparecido
    quando tudo era tão perfeito,
    dias bonitos, pensares felizes
    o sonho cumprido,
    num sonhar a eito.
    Como viver agora?
    O tempo que sobra e encurtou,
    aquele que nos resta,
    fará sentido?
    Vazio que em mim deixou,
    assusta-me a felicidade,
    dou por mim a pensar quanto te  amo
    e me dá saudade.
    O medo de perder-te é meu segredo,
    como se quisesse enganar a Deus
    levando-O a deixar-te sempre comigo
    ou partir e levar-te nos olhos meus.

    Na cabeça a mente dá saltos
    no ouvido o zumbido piora,
    a minha alma chora...
    pego-te na mão
    por milhares de dias
    de tristezas e alegrias,
    agora, no fio da navalha,
    ave voando sobre ela,
    com força já pouca
    e esperança tampouca.

    Pequenas ondas de contentamento,
    a água é agora o espelho
    do nosso entendimento.
    Neste tempo velho,
    surge sempre mais um aceno
    de ternura, e,
    mais um dia é uma ventura!

    natalia nuno
    rosafogo
    imagem retirada da net