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sábado, 11 de junho de 2011

PORQUE ME ESPERO?



Meus olhos se esbugalham diante da Vida
Mas a Vida acentuou-lhes laivos amargos
Tirou-lhes o brilho andam de luz perdida
Vão-se apagando a passos largos.
Às vezes parece tudo no seu lugar
Os sentimentos, o querer,
até a vivacidade!
Outras me ausento, não quero nem saber
da dor que me tráz a saudade.

Serei assim tão diferente quanto pareço?
Desperdicei, andei como errante...
Já passa o tempo e não esqueço
Que a Vida se apaga a cada instante.
Deixo-me embrenhar em torvelinhos
Nesta recta, no seu último troço
Perdida ando inda p'los caminhos
Escuros, onde apenas vejo o esboço.

Trago ainda a ingenuidade!
Fantasio-me de pássaro livre
E às vezes tenho até vontade
De soltar o Eu que em mim vive.

E os anos vão completando o retrato
De quem sonhando a Vida atravessou
Mas que o tempo ingrato...
Passou e desdenhou.
Tenho saudades de mim!
A minha alma é um mar...
Que não cala, seu múrmurio sem fim
Onda a onda a me esperar.
Já me sinto mais longe que perto
Serei ave de arribação errante
Agora solta no deserto?
Já vai o dia distante?!
Porque me espero, não sei ao certo!?Open in new window

quinta-feira, 9 de junho de 2011

ENREDADA NA SAUDADE



Trago a saudade ao meu cuidado
No interior do meu peito
E de tanto ter chorado
Passou meu tempo desfeito.
Tenho a saudade fechada
Nos poemas a vou cantando
E a tristeza anda calada
De alegria disfarçando.

Trago a saudade escondida
Num labirinto do coração
Às vezes parece ferida
Se me chega a solidão.
Cá dentro a sinto a crescer
Ora é fogo, ora é brandura
Faz-me a viagem esquecer
Prende-me à lembrança com ternura.

De mim parto, no tempo me perco
É ela sempre quem me afaga
Das memórias eu me cerco
E às vezes os olhos me alaga.
A saudade é meu abrigo
Não há modo de a enjeitar
Se às vezes se torna castigo
Outras me deixa a sonhar.

Ando sedenta de vontade
De voltar à meninice
Evado-me na saudade
É meu delírio, minha doidice.
E nem sequer vacilo ou resisto
Volto aos tempos de então
Não me afasto nem desisto
E é tanta a minha emoção!
Que importa a solidão?

rosafogo
natalia nuno

MEMÓRIA DUM TEMPO ÍDO



Já choram de novo os beirais
Me embalo com o seu choro
A solidão pesa demais
Por um dia de sol imploro.
Cai a chuva como pranto
Desesperada no chão
Também o meu desencanto
Açoita o meu coração.

Já choram de novo os beirais
Lágrimas do céu em desespero
Cantam os pássaros seus ais
E eu à Vida que tanto quero.
Não levo pressa de chegar
Quem sabe numa madrugada molhada
Ou quando o tempo amainar
E a Vida p'ra mim fôr nada.

Já não choram mais os beirais
Se calam em descanso merecido
Já são memória nada mais
Memória dum tempo ído.

Agora sou eu quem chora
Porque já se encurta a Vida
Meus sonhos foram embora
Ando de sonhos despida.


rosafogo
natalia nuno

quarta-feira, 8 de junho de 2011

SOU COMO UMA CRIANÇA



O tempo passa e o silêncio desce
Traço o último olhar sobre este dia
Já a sombra da noite aparece
Já surge a monotonia.
Nada mais repousante que esta hora!
A sombra da noite caindo
Ver o Sol distante a ir embora
E as giestas de amarelo vestindo.
Cantam ralos sem parar
E não param na ribeira as rãs de coaxar.

O burro tira ainda a àgua à nora
E já o dia sem lamento vai embora.

Mergulho meus dedos na escrita
A mim tantas perguntas faço!?
No Mundo tanta desdita
Tão pouco amor, falta de abraço.
Tiro um livro da estante
Pensando numa razão para a vida
Fecho os olhos me sinto perdida
Deixo o pensamento distante.

Escrevo, sobre coisas de pouca monta
Escritos que dão pouco fruto
As lembranças já me deixam tonta
Perco Vida a cada minuto.

Sou como uma criança
Tal qual se manifesta
Ora alegre e com esperança
Mas logo sem vontade de festa.

Leio um livro ofertado
Que fala de lágrimas e olhos doridos
Do presente e do passado
E de mortos não esquecidos.
De viagens sempre adiadas
Páginas e páginas tristes,
em tristeza mergulhadas.

Pergunto-me porque estou triste
Se, porque mais um dia passou
Ou porque a tristeza insiste
Em me pôr mais triste do que já estou.


Não leio mais por hoje
Apagou-se o fogo na lareira
Já a vida me foge
Ela que ardeu em mim a vida inteira.

rosafogo
natalia nuno

Escrito no silêncio da aldeia, só ouço agora o piar dos pássaros escolhendo ramo para prenoitar.

MIL PEQUENOS NADAS



MIL PEQUENOS NADAS

Mil pequenos nadas
Cheiros e sensações,
Me dando boas razões
Para minhas noites acordadas.
Neste momento de solidão
Único, imenso.
Na serenidade e em escuridão
Fecho os olhos e penso.

Como são pequenos meus dias
Passando, sem qualquer resposta.
Morrendo. Feitos de realidades frias.
E logo a noite se mostra.
Olho para trás, uma recordação vivo,
A cada passo mais uma revivo.
Até que a memória fica despovoada
E eu tranquila, satisfeita,
Deixo-me para além de mim, abandonada.

Na sucessão dos dias
Saram velhas feridas, dou mais um passo
Mais um palmo de terra, semeio alegrias
E vou mantendo, com o passado um laço.

Restam sonhos e vontades!
Sinto ainda os traços que alguém me roubou.
Chorarei até à última gota as saudades
Sucumbo ao cansaço, o tempo me enganou.
Vou a página virar!
Lembrarei o que houver a lembrar!?
Neste fim de tarde,
Já se vai do céu o azul profundo.
Com pequenos nadas e em liberdade.
Sigo alheia ao Mundo.

rosafogo
natalia nuno

CANSEI DE NÂO FAZER NADA




Caem gotas de chuva na vidraça
Pouca coisa quase nada.
Hoje até a alegria é escassa
O tempo voa é arma apontada.
É tempo de despedida
Surgem avisos, tudo se manifesta
Acaba a noite e a Vida?
Quem a julgar que leva vencida
É pouco o tempo que lhe resta.

Encosto-me aqui à parede
Olho a rua vizinha
Na poesia vou matando a sede
Da saudade que é tão minha.
Os meus sonhos estão indefesos
Mas as palavras nos lábios nascendo
Os meus olhos estão acesos
Monótonos momentos vivendo.
Chega o frio à minha vida
Cansei de não fazer nada
Tempo de despedida
Desta quietude cansada.

E logo a saudade bate fortemente
Bate na memória trazendo tudo
E neste silêncio mudo!?
Imerge em mim o desejo que me falta
Porque o esquecimento me assalta
Deixo o sofrimento ausente.
Nesta noite fria, anda sonâmbulo o vento
Amanhã é outro dia, outro será meu pensamento.
Abre-se o Céu com seu choro
Chora na minha vidraça
Já à noite o sono imploro
Já esqueço a rua e quem passa.

rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 7 de junho de 2011

O LIVRO ENTREABERTO



O livro entreaberto, meu olhar perdido
Folheio o livro sem me deter numa linha
Esforço inútil sem sentido
Culpa do livro, ou culpa minha.
Escuto o sussurro do vento
Que por entre as arvores suspira
E a escuridão é envolvente
Do rio ouço o lamento
A solidão
O ar pesado que se respira
E a Lua bruxuleia olhando a gente.

Tudo o resto é imaginação
Não há outra saída
Anda dorido o coração
E as palavras ficam-se na garganta
contraída.
Adensam-se nuvens negras,
o ecoar do trovão
Diante de meus olhos assombrados
O resto é imaginação!
E pensamentos atordoados.

É noite, não sei se em mim,
ou lá fora!
E o meu olhar perdido
O livro entreaberto
Chega a hora
sem que tenha percebido
Fico a sós, a noite é um mistério por perto.

Quando era jovem falava com as estrelas
Como queria perpetuar
tudo o  que na memória ficou!
Não tinha com quem falar, falava com elas!
A menina que o vento os cabelos soltou
A menina que o vento embalou
Hoje, não a prende a leitura!
Põe um sorriso no seu rosto de criança
Nasce de novo nela a ternura
E se comove com a lembrança.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 6 de junho de 2011

UM SONHO



Foge a Vida, que maldade!
Passam as horas fugidías
Embarquei na tempestade
Agora são parcos meus dias.
Bebo o silêncio do luar
O pensamento é meu algoz
No rosto a lágrima a rolar
Enquanto o tempo corre veloz.

Trago comigo aziaga estrela
Que insiste em armar-me o laço
Fingindo que por mim vela
Finge-se amiga segue-me o passo.
Fecho os olhos e sinto o vazio
E a saudade se acomoda no peito
Nas veias sempre o mesmo calafrio
Fica a Vida deste jeito.

O que vai p'ra além deste dia?
Já nada, que a mim importe!?
Tão sómente a Morte fria!
Mas eu? Mais que ela serei forte!

Minha saudade se veste de veludo
Recordar é um doer risonho
Na Vida faltou-me um pouco de tudo
Pouco mais que nada. Um Sonho.

natalia nuno
rosafogo

SEM O TEMPO SABER




Darei gargalhadas de desprezo
Ao tempo, a este tempo inclemente.
Triunfarei sobre ele, esquecerei o peso
Com que calca minha alma misteriosamente.
Ele que me devora e me agita
AH! Mas não lhe darei guarita!
Atravessarei o vazio, sem temer
Esperarei sem medo seu gesto derradeiro
Farei da minha coragem o eixo do poder
Viverei dia a dia como se fosse o primeiro.

E quando se unir o princípio ao fim
Na imemória, restará alegria
Esgotarei, todo o sol que houver em mim
Atravessarei por fim a noite sombria.

rosafogo
natalia nuno

QUE É FEITO DE MIM?



O meu canto lembra sempre Outono
Mas vou cultivando Primaveras
E sem descuido ou abandono
Faço delas minhas quimeras
Dos meus sonhos faço um jardim
Dos meus ais uma queda de àgua
Brota, límpida com cheiro a jasmim
Levando com ela minha mágoa.

Deixo-me consumir pela Vida
Trago a alma deserta de esperança
Na testa mais uma ruga perdida
Nada resta da menina da trança.

Abro minha vela ao vento norte
Nesta azulada tarde
Largo meus olhos pelo oceano à sorte
Devassada pelo vento minha saudade.
Há em mim um sudoeste impetuoso
Onde minha imaginação se aviva
E onde sonhar acordada eu posso
Sem da Vida me sentir cativa.

Desce o Sol sobre a crista do monte
Tudo recolhe na natureza
Estende-se o silêncio pelo horizonte
E em mim cai dia a dia a incerteza.

rosafogo
ntalia nuno

SONHO IMPETUOSO



Atrevi-me a sonhar
Deixei pulsar o coração
Mas ao acordar
Já só restava a recordação
Sonho de estrelas sorrindo
A tua voz ténue alcançava
Quando me estavas mentindo
Era só eu que te amava.

No sonho te pude tocar
E a noite inquieta corria
Afinal era apenas a sonhar
Fiquei frágil no meu dia.

Verde sonho já esquecido
Feito de rajadas rosadas
Palavras doces ao meu ouvido
Palavras afortunadas.
Tinhas o cheiro da amendoeira
E sedução de quem amava
Eu era tua Primavera inteira!
E no teu corpo me abandonava.

Mas foi apenas um sonho
E a sorte não me sorria
Nasceu o dia risonho
Outro sonho me acolhia.

rosafogo
natalia nuno

.

SONHO



Quando tudo adormece à minha volta
Ponho-me a perscutar o Céu
Minha imaginação fica à solta
E aí vou eu!
Subo bem alto ao céu brilhante
E vejo o mar de raiva explodindo
E a lua de olhar faiscante
Deixa escapar um sorriso lindo.

Aí entrego meus ais ao vento
Que os devolve à maré cheia
E as marés os depejam em lamento
Nas praias de fina areia.

Vejo a terra toda bordada
E ao longe já vejo o dia
E já bem acordada!?
Deslizo na manhã fria!
Varre-me o vento salgado
E o sonho me é arrancado.
Ele que meu desejo trazia.
Voltar lá longe ao passado.

Porque haveria eu de ter nascido
Se nem me é dado sonhar?!
De que serve o sangue ter corrido
Se dos olhos trago lágrimas a pingar.
Às vezes me visto de encanto
E o sonho a mim se enreda
Lá subo ao Céu com espanto
Com minha veste de seda.

Fico longe da tristeza
E dos dias agonizantes
Leve... uma pena em leveza!
Saio das quatro paredes sufocantes
E é tamanha a minha ventura
Que no sonho sou donzela
Esqueço até a desventura...
E da infância?
Estou perto dela.
Varre-me o vento salgado
E o Sonho, é-me à força arrancado.

rosafogo
natalia nuno
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UMA LÀGRIMA



Nos meus olhos perguntas a mais
Uma lágrima no vazio
Arauta dos meus ais.
Da minha força e brio.
De repente cai!
Como restolho a arder
E num fogo se agiganta
Esta força de querer
Que me percorre e me espanta.

E o tempo é uma infinidade
E tudo volta á minha memória
Fico ébria de saudade
Tenho medo da desmemória.
Que esqueça até de mim
E feliz no esquecimento
Nem dê p'la chegada do fim.
Nem lembre,
 a menina dos caracóis ao vento.

Trago névoa no olhar
Meus olhos são o que são...
Não mais a janela aberta de par em par.
Mas o coração?
Enconrtra respostas que quer ignorar.

A memória já se extravia
As lembranças são águas entre as águas
E trazem à luz do dia
Minhas alegrias e mágoas.
Dum tempo breve e feliz
Lembranças já fugitivas
Mas a vida ainda me diz
Tens-las aí ainda bem vivas!

Nos meus olhos cresce o mutismo
Como se o presente se evadisse
Resta um profundo lirismo
Como se em mortalha me visse.
E o Céu para mim se abrisse.

rosafogo
natalia nuno
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domingo, 5 de junho de 2011

INSTANTES



Hoje os meus sonhos reuni
Trouxe-os das profundidades
A alma reabri
Abri o coração às saudades.
E como é meu costume
Fiquei solitária, envolvida
numa embriaguês
A saudade trouxe-me o perfume
da juventude, outra vez.

E ali no meio da solidão
Lembrei o freixo orvalhado
Agitou-se meu coração
Ao vê-lo velho e cansado.
Meus sonhos ali nasceram
Sonhos que inda hoje me embalam
P'la Vida fora cresceram
Mas que hoje já se calam.

Perfeitas as águas do rio, claras
Espelho de real beleza
Nas margens tu me amaras
Recordo com clareza.

E à nossa roda o vento
Quero voltar a ser tua, como antes
Travo um amargo lamento
Sinto frágeis nossos instantes.

Apesar da lonjura e obscuridade
Destes sonhos, já cegos pela bruma
Nos meus olhos detém-se a saudade
Do fragor, da felicidade
Ou já de coisa nenhuma!

rosafogo
natalia nuno
imagem ret. blog para decoupage

LÁ NA LOJA DO POETA


Lá na loja do Poeta
Pela porta a saudade entrou
E um grito que não foi em vão
Uma sombra se quedou
Quebrado seu coração.
Lá na loja do Poeta
Também se faz oração!
Ainda que ninguém responda
Ali também se dá a mão.
E é o levantar da onda
Uma canção que se canta
Uma lágrima chorada
Que lhe sobe à garganta.

Ali há vida, há promessas
Há dores, há estrelas e ilusões
Mas o Poeta não tem pressas
E escreve...escreve
Ao de leve
Toca em todos os corações.

Lá na loja do Poeta
Também há Poesia
Canta-a de olhos abertos
aos ventos canta amores e traições
e tantas, tantas ilusões.
De quando em quando tem pranto
E palavras...palavras que são encanto.
Tem mãos cegas que procuram
Que dedilham sem parar
Poemas que se emolduram
Nos corações de quem amar.

Lá na loja do Poeta
Tem recordações segredando saudade
E velhas conversas antigas
E há também amizade
Entre velhas raparigas.

Há também recantos escuros
Há sonhos para trás dos muros
Há gritos no tempo parado
E o Poeta só no seu Mundo isolado.

rosafogo
natalia nuno
Poema inspirado no Título do Poema de Dulce Saldanha minha amiga, dos Horizontes.

Imagem retirada do blog para decoupage (imagens vintage)



natalia nuno
rosafogo

A NOITE DEU-ME UMA ESTRELA




A NOITE DEU-ME UMA ESTRELA

A noite deu-me uma estrela
Mas morreu silenciosa
Como poderei esquecê-la?
Nessa noite nasceu meu fado
E uma lágrima teimosa
Foi caindo na guitarra
E o som desesperado
É loucura que me agarra.

A guitarra ainda chora
Num chorar arrastado
Recordo ainda agora
Que é meu destino, meu fado.

A estrela a noite me deu
Agarro-a entre meus dedos
Hoje sou errante judeu
Carregando fardos e medos.
E a estrela que veio do Céu
É talvez a última paixão
Deste pobre coração.

natalia nuno
rosafogo


imagem ret. blog para decoupage
Poema inspirado no verso da amiga Dulce «A NOITE DEU-ME UMA ESTRELA»









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