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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

espero-te...



Aquele doce cansaço
depois do amor é ouro
sobre prata, que de satisfação
quase nos mata,
depois dum mar tempestuoso
ficamos um lago sereno
um sorriso quase de adolescência
deslumbrados de amor
dispostos a amar a vida
como se esta fosse primavera em flor

espero-te
sempre com o mesmo fogo
e a frescura duma manhã orvalhada
e no regaço da noite nos amamos
pela hora calada
chegaste à minha vida
quando tudo era sol em mim
água sedenta, num infinito frenesim
éramos asas do mesmo pássaro
num voo sem medida
numa felicidade sentida
entregava-me numa ânsia de ti
e palavras de amor ressoavam
aqui e ali...
hoje basta-me o teu olhar
para os sonhos inventar.

nossos dias esvoaçam
qual cortina dançando ao vento
e eu menina, ainda acalento
uma insólita espera de voltar no tempo
em que tudo era primavera.

natalia nuno
rosafogo



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Guardo o sonho...


Guardo o sonho na calma
serena do poente
não quero de mim o sonho
ausente.
O tempo é amargo
saudade é o que trago
e o que sinto, enquanto
a noite desce e o dia finda
em breve o silêncio se instala
e a lembrança vem comigo
à fala.
Traz-me a alegria viva
ou o a tristeza cinzenta
lembra-me os passos que dei
e tudo a saudade inventa,
ignoro por onde andei
até que aqui cheguei
já a noite desce e o dia finda
mas o sonho encanta-me ainda.

Efémera a juventude
como uma flor que desabrochou e morreu
meus dedos reconhecem-lhe a ausência
e amiúde, choram por mim,
o tempo roubou o sentido
e de solidão a vida encheu
levo horas vazias
já a luz se desvanece
voam meus olhos em busca da alegria
mas logo a saudade aparece
e traz com ela a nostalgia.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

o outono da vida...


paisagem de folhas caídas
grito dum outono sem sentido
negadas promessas...esquecidas,
inúteis, como meus pensamentos
dia a dia repetidos entre
ais e gemidos, em silêncio ajoelhados
por entre muralhas algemados.
outono que se despede com um abraço
folhas mortas pelo chão e com
sonhos no mais profundo do coração

paisagem de folhas despida
caídas dos velhos choupais, tal qual
meus ais, lembra minha face ressequida
meu caminho e nada mais...

paisagem de folhas mortas e frias
rumando ao sabor das ventanias
no jardim que meus sonhos inventam
onde corações se amam e se complementam
outono amargura dum tempo
envenenado, dum esperar desesperado
lembrança sombra duma vida inteira,
janela duma casa velha
onde a luz já não entra
a boca arrefece e o coração esventra.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

poema efémero



este poema que é meu segredo
e das minhas mãos a pureza
agora o partilho a medo
numa asfixiante incerteza
este poema é  meu espelho
minha sombra escurecida
um sonho velho
palavras trémulas... mas com vida!
este poema é meu desejo e
meu capricho, a minha sede
abrasadora
o privilégio de seguir vida fora
com o fulgor do sonho
faz parte de mim, voa no meu sangue
é o meu pulsar na palavra
o sopro da minha voz
meu rio a chegar à foz

este poema é a harmonia
do meu instante
é o meu mundo partilhado
o agasalho que me cobre
- o meu fado!

este poema tem asas na minha mão
traz com ele a minha história
e sua efémera glória
de tão vasta imperfeição
ouve-se nele o rumor da tempestade
e da palavra sente-se a inquietude
- é a minha bagagem da saudade.


natalia nuno
rosafogo