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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

chega a mim o eco...



chora o sino da torre
na aldeia vão carpindo
despedida de quem morre
paz pra alma vão pedindo
da fonte vem o queixume
a virgem chora no altar
já não tem a quem amar
fica a vida sem perfume

e o ninho do passarinho
treme com a brisa no galho
a voz do povo no caminho
coração feito em frangalho
esperança verde na manhã
belo o rosto d'outra aldeã
que passa alegre e fogosa
orvalhada que nem  rosa

choram também os laranjais
ferida aberta no peito
por aquele amor que jamais
será um amor perfeito
definha a noiva em lamento
molhando a fronte saudosa
é tão grande seu sofrimento
murcha, caída pétala de rosa

chora ela a dor sentida
dobram os sinos da torre
tão moço... perdeu a vida
a notícia p'la aldeia corre
mais uma grinalda de flor
posta ao lado do altar
soluça o perdido amor
toca o sino sem parar

natalia nuno
rosafogo

este poema tem uns anos, e resulta duma tentativa de conseguir fazê-lo em oitavas, primeiro criei-o como quadras, mas depois achei que assim não estariam mal. Agora podia dar-lhe um pequeno toque, mas não gosto de modificar, na altura sairam assim e assim ficam.
Suponho que é de 2005.