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sábado, 8 de maio de 2010

BUSCA DE IDENTIDADE














Hoje me sinto um pássaro tonto.
Louco, em busca de identidade.
Já nem lembro se o que conto?!
É verdade!?
Ou se a verdade é só saudade.
É meia-noite...
A noite atravessa a ponte
Prestes a parir o novo dia.
Ía eu, beber àgua à fonte!?
Lembranças, que a memória paria.
Algumas me sorriram, outras não!?
Lembranças de pouco ou de nada.
Enchiam meu coração.

Mas hoje me sinto estouvada...
Não sei deste tesouro, me esqueci
Trazia nele todo o tempo que vivi
Procuro e sinto que o perdi.
Não me lembro de quem sou!?
Cativa sinto que estou.

Se me voltar a lembrar?!
Lhes abrirei de novo o coração.
Levá-las-ei p'ra toda a parte
Mas hoje? Não lembro não!
Lembranças que eram engenho e arte?
São hoje obscuridade
Mas se o Futuro chegar?!
E florir a saudade!?
O meu riso lhe vou juntar
O pouco que ainda resta!?
Mesmo vendo a vida a passar?!
Farei das lembranças a festa.

E se tombar uma lágrima sómente?!
Uma lágrima fugida?!
É a saudade ausente!
Já não me pertence a Vida.
Cansei de olhar em frente.



rosafogo
natalia nuno

sexta-feira, 7 de maio de 2010

DE ESPERANÇA EM ESPERANÇA














Deixei-me a matutar
No caminho que tomei
Sem dar conta daqui chegar!?
Mas com mil sonhos cheguei.

A memória está a tentar lembrar
Agora no ocaso da vida
E transparece no meu olhar
Uma névoa estendida.
De esperança em esperança

Hora a hora...
Para que não me gele o coração
Me trás à lembrança
Pedaços da minha história.
Lembranças de tanta afeição.
Lanço meus braços no vazio
A vida parece coisa estranha
Mas se o sonho me fugiu
E me deixou esta saudade tamanha!?

Memórias longuínquas,recordações presentes
Nevoeiros envoltos em maresia

Vontades desfalecidas, ausentes
No estremecer duma noite sombria.
Hoje deixo a janela aberta
À correnteza do vento
Quero no íntimo sentir pela certa

O Amor à Vida que ainda acalento.

natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 6 de maio de 2010

APETECE-ME CHORAR!








Apetece-me chorar
De repente apetece-me chorar
P'lo meu futuro sombrio
Pelos meus sonhos enterrados
Mas, retenho lágrimas e sorrio
Sorrio, sorrisos desesperados.
Não páro de me atormentar
Olho a noite que se esgueira
Apetece-me chorar
Esquecer este correr de dias
 não há maneira.

Dobro do pensamento a esquina
Surge à minha beira a saudade
Saudade de mim, enquanto menina
Recordo, Deus faz-me essa vontade
Vivo a recordar é minha sina.

Há dias e dias.Voltarei a ver mais um?
Tenho medo! Há momentos que sei de tudo
Sei que sonhos, não haverá mais nenhum!?
Estranha esta Vida, já não me iludo.
Apetece-me chorar
De repente, apetece-me chorar

Estendo-me na cama, vestida
Pensar?
Em quê? Para quê?!
Só meu coração é que não vê
Que não há contrapartida
Recusa-se a morrer
Mesmo não tendo nada a perder.
Prende-se à Vida!

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 5 de maio de 2010

NÃO PRECISO DE CAIXÃO















Com o tempo surge o desanimo da vida
Até o corpo não resiste às mudanças da lua
E a tristeza fica em mim retida
Nem ouço os passos das gentes na rua.
A cabeça parece a mó dum moinho
Andando sempre à roda
Das coisas que se aproveitam, nem adivinho
Tudo parece fora de moda.
Assim como estes caixilhos da janela!?
E até a ribeira ao longe que avisto por ela.

Trago secos meus gestos
Um mar dentro da minha cabeça
Do meu sol, já sobram os restos
Fecho a janela antes que adormeça.

Choveu no meu corpo inteiro
E de lama desfeita me deito
Olho a última vez os pássaros, respiro da giesta
o cheiro...
Deito a memória no lastro do peito.

Uiva o vento com alguma intensidade
As gentes vivem num arrastar pesado
Arrastam-se numa pesada saudade!?
Que do presente nada possuem, só o passado.


Por que há-de a Vida condenar-me
Até sonhando me traz inquietação
Há-de vir a morte roxa pegar-me!
Pois me entreguem à terra, não preciso de caixão

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 4 de maio de 2010

FALEM,FALEM...


Para quê tanta vozearia?!
Se estou à beira de quase nada
Sómente a solidão e mais um dia
E o velho abrigo da memória cansada.
Já o tempo em mim se perdera
E eu sorri mesmo com o dia feio
Mas o tempo só tristezas gera
Esqueço a mulher que se escondeu p'lo meio.

Espreito a gaveta dos retratos velhos
Como cisne, chega a hora, choro e canto.
Lembro a outra que se via aos espelhos,
Já a noite me cobre com seu triste manto.
Trago meus pulsos cansados
Dias partidos, gastos de sentimentos
Palavras gastas, gritos estrangulados

Caminho a passos lentos.

Sinto a morte a crescer lentamente
No meu corpo e eu ainda viva
Para quê ao meu redor tanta gente?!
Se não há gesto, nem embalo que me sirva!?

Falem, falem, digam o que lhes aprouver
Chamem-me louca, ou sombra de mim
Que hei-de ouvir-vos enquanto puder
Pois estando viva, me sinto morta sim!

rosafogo
natalia nuno

segunda-feira, 3 de maio de 2010

COISAS PERFEITAS E IMPERFEITAS















Meu linguajar é feito de humildade
Semeio o que colhi
E colho o que semeei
Dum tempo tecido de saudade.
Da vida que então já vivi
A esvanecer-se, agora que o tempo é rei.

Ainda assim tenho força como dantes
Fico nos meus dias à espreita
Que a vida é feita de rompantes
E de repente fica desfeita!?

Em mim faço arrumação
D'alguns desmonoramentos que a vida causou
Não é loucura minha...Não!
Feitos em silêncios de quem muito sonhou.

Mas dos bocados um todo farei
Como quem chega ao fim dum livro
Também assim episódios arrumarei
Fecha-se a vida, mas meu dia está vivo
Coisas perfeitas e imperfeitas!?
Mas estou viva, assim o provarei.

A viagem é irreptível, não me iludo
O que quero deixar, cabe numa mão
É já ùltimo tempo e nele me escudo
Debaixo da pele bate ainda o coração

rosafogo
natalia nuno

domingo, 2 de maio de 2010

A VIDA FEZ RASGÂO


Trago rugas no rosto
Rugas duma vida inteira
Dia a dia me é proposto
Assumir mais uma mensageira.

Mensageira de dor e ausência
Põe meu pensamento em desalinho
Feita de lágrimas e insistência
Que a Vida pôs no meu caminho.

Insistência de permanecer aqui
Sem vida, como nuvem descendo ao chão
Faz tempo que a ternura escondi
Num recanto escondido do coração.
Minha palavra trago esfarrapada
E o vento já não me acaricia
Sinto minha carne pisada
Por ver passar mais um dia.

Carne pisada dos anos donde venho
Prestes a desfazer-se em pó
Nem a solidão por compaheira já tenho
Por me sentir tão só.

Companhia nenhuma, sufoco na escuridão
A Vida fez rasgão após rasgão
Há séculos se repete esta Primavera
E eu a mesma ave a esvoaçar
Talvez haja outra ainda à minha espera
E eu terei, na boca um pássaro para cantar.

Se o resto de esperança
de mim não abalar...


rosafogo

natalia nuno

DE ESPERANÇA EM ESPERANÇA

Deixei-me a matutar
No caminho que tomei
Sem dar conta daqui chegar!?
Mas com mil sonhos cheguei.


A memória está a tentar lembrar
Agora no ocaso da vida
E transparece no meu olhar
Uma névoa estendida.
De esperança em esperança
Hora a hora...
Para que não me gele o coração
Me trás à lembrança
Pedaços da minha história.
Lembranças de tanta afeição.

Lanço meus braços no vazio
A vida parece coisa estranha
Mas se o sonho me fugiu
E me deixou esta saudade tamanha!?

Memórias longuínquas,recordações presentes
Nevoeiros envoltos em maresia
Vontades desfalecidas, ausentes
No estremecer duma noite sombria.
Hoje deixo a janela aberta
À correnteza do vento
Quero no íntimo sentir pela certa
O Amor à Vida que ainda acalento.


rosafogo

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