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terça-feira, 5 de maio de 2015

no fervor do sonho...



Vão morrendo as estrelas
na madrugada já se ouve o galo e seu clarim
a manhã gloriosa, já tanta claridade
e tu alheio nem dás por mim
termina a noite em saudade.
amei-te inda menina era aurora venturosa
amar-te, ainda é minha sina
e esta noite tão misteriosa...
Quero ainda ser a flor do teu olhar
incendiar-me no teu fogo
no fervor do sonho que nos faz sonhar,
e logo tu seres a emoção
com que escrevo, nestes breves momentos de ilusão

Não adormeças ainda dá-me a tua mão
que as palavras sejam luz em nossa vida
farei com elas versos belos e intensos
e no teu amor me sentirei protegida,
imensos são os anos que nos levam
vamos morrendo como as estrelas...
e eu esculpindo versos tentando detê-las!
inventando esperanças, acalmando o vazio
esquecendo a sombra do olhar
e deixando-me no teu coração habitar
hoje, escrevo sonhos como estrelas cadentes
e escuto o amor com infinito desejo
dum beijo d'amor
que eu sinto... e tu sentes.

natalia nuno
rosafogo



segunda-feira, 4 de maio de 2015

Desce a sombra...




Duvidosa é sempre a morte
é destempero da vida
anda em nós arraigada
certa, disposta a fazer-nos a cilada
e ainda a mostrar-se compadecida.

Desce sombra sobre nós
sucumbe-nos o pensamento e a voz
não somos mais donos da vontade
inquieta-nos o rosto, fatalidade,
retira-nos dos pés o tapete
faz em nós o estrondo dum foguete.

Golpeia a cortina dos nossos olhos
espia-nos noite e dia
o pior está por vir, que ironia!

Como foi que sempre nos iludiu
o pulso já bate descompassado
o destino traz tudo determinado
...traçado! Sei que ela virá um dia.

natalia nuno
rosafogo

( homenajeando um amigo seciliano TóTó Lombardo que faleceu aos 58 anos inesperadamente)









domingo, 3 de maio de 2015

condenação da poesia...



posso queimar todos os poemas
há só um senão
nada restará, nem o sonho
que vem dar-me um dormir doce
às vezes,
e que a seu tempo acabará
quando a respiração for sustida
ao final desta alameda que é a vida.

aos poemas dou nova oportunidade
retiro a condenação,
mas há um senão,
que faço da saudade?
poemas ilusões por mim geradas
fazem parte de mim mesma
são mais fortes que todas as razões
são minha carne, meu pão
meu prazer, minha paixão
ilusões? pois que sejam ilusões!

o bálsamo com que mitigo a dor
o azevinho com que enfeito o natal
a quietude e o vendaval
a corda que me prende ao cais
custa-me a acreditar
que os queimaria e não os sentiria vivos
jamais...
vou mantê-los em liberdade
como o perfume das flores pela campina
e dizer-lhes da minha saudade
desse tempo de menina.

as flores encherão a terra
os versos flutuarão alheados ao tempo
só restará o eco da adolescência passada,
virá ao ouvido ainda...derradeiro eco
neste poema que finda.

natalia nuno
rosafogo