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sábado, 17 de outubro de 2015

madresilvas e alfazemas



a vida desabrida e repentina
a noite cai nas redondezas
virá a lua cristalina
não tarda bate a meia-noite.
atarantado o pensamento,
por perto o eco do sino
trazido pelo  vento
em notas melodiosas,
e eu segurando as rédeas da vida
acautelando o que não posso prever
o tempo que virá a enpardecer,
e tudo esboroar-se em cinza.

qualquer coisa que não se deixa adivinhar
neste sonho meditativo,
só uma palavra lenta a obstar
e um sentimento vivo
de saudade, saudade que é fado
ou maldição,
a mais límpida claridade que fui
quero em mim sempre o pulsar do verão
mas fico melancólica
e dói-me a recordação...

madresilvas, alfazemas e de repente
das giestas o fervor
traz-me uma subtil melancolia
sinto-me de novo gente
com o coração cheio de amor.

natalia nuno
rosafogo



a paz longínqua...



tinha sede de amar
inventava sonhos
era relâmpago a faiscar
agora nada procuro, nem espero!
apenas quero,
recordar...
deleito o pensamento em
madrugadas frescas e azuis,
escalo sonhos com agilidade
e num belo seguimento
logo o sorriso do destino
me traz a saudade

sonho, sinto-me uma gazela
livre e ágil, corro na praça, numa ruela
e a vida sonhando torna-se fácil
a mesma praça, o mesmo poço
o mesmo sol do meio-dia
a mesma saudade que alivia

e a sair a procissão
é dia de festa
hoje não há roupa posta no sabão
o rio vazio, a aldeia vive de alegria
e exaltação...

mas já tudo me escapa,
já pouca a memória, pouca
ou mesmo nada
o riso e o pranto fresca madrugada
o destino a prender-me, há muito domina
e eu a querer-me... para sempre menina.

natalia nuno
rosafogo




sexta-feira, 16 de outubro de 2015

lusco-fusco...sentimentos

O passado é já só lembrança, um caminho sinuoso de caminhantes cansados, no pensamento trazemos ainda vozes e risos, traçados no escuro, como segredos nossos...no presente a esperança germina devagarinho, vai rompendo como um raio de sol que traz um pouco de luz deixando o desânimo nos escombros ao lusco-fusco, hoje não quero nada nem sequer pensar no futuro que eu espero não seja uma noite de tempestade...é que tanto me encanto como me confundo com a loucura que vai neste mundo...já vi nascer tantas madrugadas, que em mim, nasce uma saudade infinita, é certo que o tempo tirou um pouco de luz aos meus olhos, mas eu faço força e não me deixo adormecer pelo caminho...

natalia nuno


sentimentos...

sentimentos

passeio para esticar as pernas...companheirismo
uma vida a dois é muito tempo, tanto que se esquecem as agruras passadas, se recordam os tempos bons, felizes, e se pensa agora na entreajuda e no aconchego...no inverno ainda há beleza e um poema por conquistar...


passou o esplendor da vida
extinguirão-se as forças
mas esta esperança obstinada
desliza no peito
a voz um pouco quebrada
o coração um violino e ondulação
e uma mão,
sempre espera que outra mão
a acaricie...
o relógio golpeia os dias
e o corpo se afunda
e daquele tempo quase esquecido
melancolicamente já confundido
é agora apenas saudade...

natalia nuno
rosafogo





sentimentos...

O AMOR é mais velho que o mundo, é fascinação, tempo sem tempo, amor é o sol que sempre regressa à sua fonte de aromas breves ou perenes, quando se contempla o «outro com os olhos do coração», quando se sonha até à alvorada e se tem sede de absoluto abandono, os dias são sempre azuis e a felicidade corre nos corredores da mente....


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

nos versos abandonados...



dispo as palavras
e deixo-as solitárias
sem memória,
assim nenhuma me interroga
e nas minhas lágrimas há sempre
uma que se afoga
deixo-as sós ante o vazio, ignoradas,
entre pensamentos azedos
fechadas, numa ânsia rendida
de medos, sussurrando na solidão
sem que possam encontrar outra paixão

que não procurem piedade!
nem decifrem o tempo de morrer
acalmem antes a saudade
da minha alma...
deixem-me o caminho percorrer.

nos versos abandonados
haverá rasto de meus passos
que é todo o consolo que me resta,
e palavras nuas lançadas no lodo
para encerrar esta vida
que não presta...

que não foi a escolhida.

natalia nuno