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sábado, 30 de abril de 2011

UM DIA ADIADO



Há uma força que urde o meu destino
Que deixa sempre uma data em aberto
Uma força que não domino
E me dá um certo aperto.
Meu coração se entrega
Já se desvanece
Um dia adiado,
mais outro que chega,
E meu corpo não esquece,
sofre obstinado.

Estou para lá da flor da idade
Emoções adormecidas
Só me acompanha a saudade
Saudade de tantas vidas.

Emoções ainda explodem no peito
E na minha pobre mente
E eu vivo-as do meu jeito
Os anos passam pesadamente.

Quão mudada estou!
Mas a mesma de sempre me sinto
Passa a multidão sem saber quem sou
No meio do bulício, eremita me sinto.
Se o tempo se dignasse esperar!?
Ah...mas é erro pensar assim
Me envolvo em nevoeiro cerrado
Nada nem ninguém espera por mim
Só o tempo o rosto me trás marcado.
O tempo não cansou de marcar.

No meu olhar há gotículas de orvalho
Mas eu vou vencer esta demanda
E é da saudade que me valho.
Porque no coração ela manda.
Saudade! Saudade!
Na minha alma sequiosa
Faz do sonho realidade!
Nesta caminhada penosa...
Mas a minha fé foi urdida
Por um destino maior
Não tem tamanho nem medida
Chega e sobra para aliviar a dor.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog-imagens para decoupage

sexta-feira, 29 de abril de 2011

PÁSSARO NEGRO



Escuto indiferente
A chuva que bate
É como se estivesse ausente
Também a saudade hoje é amarga
Deixa meu coração a saque!
Porque o que nos une?!
Tem poder e não nos larga.

Em vão, em vão...

Bate meu peito sem conseguir
Que o sangue em turbilhão
Faça meu coração desistir.
Há fogo nos meus dedos
E em cada olhar uma esperança
Esqueço fantasmas e medos
Faço da vida uma dança.

Do tempo que foi, do que houve
Pulsa-me o coração dolente
Um coração que não me ouve.
Que esquece que inda sou gente.
Dentro de mim uma aridez
Um grito...uma ave estranha.
Um pássaro negro talvez!
Que em segredo me apanha.

natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 28 de abril de 2011

UM POUCO DE PAZ



Deixo-me pelo silêncio fora
Não me obrigo
Nem aceito mais recados
Passou a hora!
Não quero mais por castigo
Ver  meus sonhos gorados.

Meus dias são folhas caindo
São gaivotas de asas quebradas
Bando de pássaros no céu sumindo
Minhas noites estrelas espantadas.

Sonhos, são caruma levada pelo vento
Vento que ouço a gemer
Saudade é meu sentimento
No rosto, há linhas a endurecer.

Ausenta-se meu olhar
No coração a mesma toada a bater
Procuro-me sem me alcançar
Renasço para em seguida morrer.
Me faço e desfaço
Me volto a rasgar
E o sonho me foge,
já não lhe apanho o passo
É como sombra a deslizar.

Desfolho palavras dum jeito só meu,
Hei-de gritá-las,
Hei-de chorá-las!
Porque o jeito de mim nasceu.
Nos meus sonhos guardadas
Em pedaços rasgadas.

Minhas vontades mirraram
São murmúrios de orações
Carcomidas ilusões
Que para sempre calaram.
Em jeito de quem implora
Quase num sussurro rouco
Meu coração só pede agora
Um pouco de paz! Um pouco!

Minhas memórias renascem do nada
Sou p'lo temporal da Vida levada.

terça-feira, 26 de abril de 2011

OH!DESESPERO...



Passa um vento lento
Aragem  lenta e doce
E o céu cinzento,
de nostalgia pesado
Se esta vida simples e clara fosse
Não seria  o ventre dum tornado!?

Há flores que florescem em Maio
Sulcando o chão em liberdade
No meu céu perpassa a saudade
A ela me entrego, nela caio.

Desacerto o passo...
Nasce o cansaço
O meu chão já flores não dá
E  o sonho jamais renascerá.

Alegre já me chamaram
De Poeta me fadaram
Mas tudo isto é tão pouco!
Já fui raio, já  fui trovão
Como foi meu dia louco!
Talvez o vento tenha razão

Vejo-me menina  ainda
A quem o vento o cabelo alinda.
Vejo-me  menina no largo
Ao domingo da missa voltando
Chega a mim o travo amargo
É apenas sonho, estava sonhando.
Recordo a tarde que caía
O toque da Avé-Maria
E o luar que chegava, cedo demais
Recordo tudo com ternura
E às vezes dá-me a loucura
De seguir o odor dos laranjais.

E o vento perde-se no caminho
E o céu magoado num pungente sofrer
E meu sonho que estava tão pertinho
De novo me deita  tudo a perder.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

NÃO ENTENDO! NÃO ENTENDO!



Meus olhos são como pássaros
Que voam sobre o mar
Deixo-os ir de mim
Todo o tempo que restar
Preciso mantê-los vivos longe do fim.
É a certeza de viver
A certeza de que se vai de viagem
Ver...ver para crer!
Que a Vida não tem paragem.

No coração, também levo bagagem
E os passos são lentas passadas
Lentas já, porque é longa a viagem
Embaciam-me as vistas cansadas


Sinto a benção do vento
Levo as palavra quieta
E tantas coisas no pensamento
Que nasceu para morrer poeta.

Como o tempo nos gasta!
Como nos quebra em pedaços
Como apetece dizer-lhe, basta!
Deixa meu rasto, larga meus passos.

Não entendo! Não entendo!
Somos como chuva que vive
Enquanto está batendo
Não entendo! Não entendo!
Que venha a morte e nos prive.
Do pouco que estamos vivendo.

natalia nuno
rosafogo

imagem do blog-imagens rosas e flores

domingo, 24 de abril de 2011

QUERIA FAZER UMA CANÇÃO



Queria fazer uma canção
Uma canção de mil abraços
Mas está cinzento o coração
E já são curtos meus passos.
Há silêncio no meu peito
Mas uma vontade de gritar
Gritar ao Mundo dum jeito
Fazê-lo despertar.

Amanhã é o dia dos cravos
Dos cravos dum destino ignorado
Somos mulheres e homens bravos?
Ou somos um povo cansado?
Tanto gesto de liberdade
Tanto peito mirrado
Mas amanhã haverá vozes no ar
Canções de mil abraços
Mil lágrimas a rolar
E não se cansarão meus passos.

Cantarei, contigo e... contigo
A Grandola Vila Morena
Vem e tráz um amigo
«Porque sempre vale a pena
Se a alma não fôr pequena».

Canção da Liberdade
Canção que não morreu!
Que há-de lembrar com saudade
Quem porventura dela esqueceu.
Que não se calem as bocas
Todas as palavras são poucas.
Fiquemos de atalaia
Para que a Liberdade não caia.

Aconteça o que aconteça
Há que ter esta certeza
Só nós podemos responder
Ao que tiver de acontecer.

natalia nuno
rosafogo
imagem ret. da net