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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

entre uma lágrima e outra...



janelas fechadas
e, eu caindo na desmemória
já pouco volta ao calor do meu olhar
as pessoas amadas são lembranças
de negro azuladas, como violinos nas trevas
tempo fantasma é assim que me ensombras e me levas...
em cada degrau da imaginação
vive uma ou outra recordação,
desdobro um sorriso
vivendo como papoila abrindo-me ao ar,
na estreiteza do medo
de num só golpe a morte me arrancar.

a face retida na prisão do tempo
tantos sonhos acabados de quebrar
viver sem si mesmo, quem pode festejar?
o tempo disparou a flecha, quebrou a força
da m'alma comovida,
sitiou-me a vida entre uma lágrima e outra
dos meus olhos esburacados
talhados, para serem a flor do teu olhar
devastados por poder ser ou já não ser
e na inquietude do sonho ousar despertar

espelho de mim que ao de leve toca
para recolher o resto da flor que é nostalgia
não ouvirá um gemido da minha boca
que atormentada, vai ficando de palavras vazia.

natalia nuno


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

fala-me de amor



fala-me de novo com a voz de outrora,
diz-me palavras d'amor ardorosas de promessas
e eu dar-te- ei tudo inda que não peças,
que arda em nós essa antiga chama
mais rubra que a aurora...

procuro-te em mim e rasgo-me de emoção,
o amor é minha ventura, a mais bela memória
do passado, é ternura q' extravasa em m'coração
nesta última e efémera estação.
estás a meu lado e por vezes não te alcanço
sinto-me, como se  fosse uma folha despida
que ninguém socorre, neste poema que escrevo
com o rumor da agonia,
poema que não morre... vive da minha utopia
é ele que me arranca à solidão e me dá vida
traz-me a chave do teu amor, o sonho do teu
leito, levanta o meu capricho, o meu desejo
e eu sei que vais amar-me do meu jeito.
e eu sei...que darei tudo inda que não peças
que as tuas palavras serão promessas que
se espreguiçam aos meus ouvidos,
para acalmar a sede dos meus sentidos,
desse fogo d'amar ainda não extinto.

fala-me... fala-me por favor...
palavras ardorosas d' amor.



natalia nuno
rosafogo




terça-feira, 6 de setembro de 2016

à tua espera...



os dias parecem longos
sobretudo quando as flores morrem depressa
e logo a ânsia com que a saudade regressa...
espreguiçam-se as recordações na memória
e longas são as emoções.
vai a morrer a tarde,  sigo contigo
de mão na mão, cabelos ao vento
e tu acendes em mim o desejo
dum beijo, outro beijo, e eu sonhando possuo o mundo
neste desejo tão profundo...
os dias parecem longos, passo por eles a medo
a dor não passa,  a dor da saudade
desse amor, que vou recordando em segredo.

os dias passam... para mim minto
crendo que ainda plantarei flores na primavera
à chegada dos pássaros dir-te-ei o que sinto
e assim, remoendo o tempo, reenvento sonhos
à tua espera...
os dias não me trazem recados teus
por detrás das cortinas há lampejos de lua
deixam remediados os sonhos meus,
é a hora da loucura, dos abraços,
dias repetidos de saudade nua
da carne a envelhecer ...do sonho a morrer.

o tempo, vai agora bordando o silêncio
é tempo do coração quieto e sereno, da solidão
e dos dias que parecem longos, doridos, vazios,
onde adormeceram as emoções, uma ou outra dor ainda,
a saudade que não finda e
uma peregrinação de recordações.

natália nuno
rosafogo


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

sigiloso fogo...



virá a madrugada...deixará na noite a última constelação e trará o cheiro a ribeiros e a rosas do teu coração. voltarás, são os pássaros que me dizem... estendem-se os teus olhos dentro dos meus olhos, a esperança será a estação onde viveremos de novo com a vontade sedenta dos jovens...revivendo poemas abandonados...

natalia nuno

grato é recordar...



o passado vai caindo para um lugar que é o esquecimento, estilhaçado em bocados, numa névoa perdido...extinto no nada, conto agora com um futuro incerto e um presente inquietante entre a luz e a tristeza... lembro noites de ternura e o meu sorriso detém-se enquanto o sono não chega, na memória cruzam-se e inquietam-se os pensamentos, vendo-te deslizar de súbito pelos lençóis, o teu olhar a reflectir-se no escuro e o contínuo desejo de nada perder, perto dos sonhos ébrios ainda a vontade de me deixar quebrar entre teus braços...

natália nuno

domingo, 4 de setembro de 2016

borbulhar de ideias...


não sei quem me encurta a passagem, quem me deixa aturdida, só sei que em mim, ainda assim, ascendo por entre o uivo dos pensamentos, e num instinto de sobrevivência consigo sempre despertar e voltar a amar, a harmonizar-me com a vida, a reviver os momentos doces deste caminhar imenso e intenso...


natalia nuno

meu grito...


ninguém me ouve, meu tempo vai-se gastando e eu vou emergindo do vazio com as mãos afogadas num rio de águas turvas, um dia distante elas foram vida, já não há saída para este labirinto, ninguém me ouve, ninguém, eu sinto que nem meus risos e nem minhas lágrimas, busco uma palavra, uma mão por entre a multidão... o peito permanece frio de mágoa, na água turva do rio, que não volta a ser água...

natalia nuno

ansiedade...



minhas pulsações são dum ser vivo...vivo, mas que vive às vezes na obscuridade, na solidão daquelas páginas de penumbra onde mora a saudade, ouvindo um sopro que me chega dum poema indizível com o qual procuro renovar meu sol...

natalia nuno

momentos...





é na noite que levanto asas nas minhas mãos e olho nas minhas entranhas o mundo de palavras que as faz mover, e aí encontro o enigma do jamais escrito... e nos vestígios que escolho, brota sempre a saudade do instante, de todos os instantes.

natália nuno