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sábado, 1 de maio de 2010

RAIO DE SOL

Um raio de Sol
Numa planície desolada
Solitária me sinto um girassol
À beirinha da estrada.

Rezo para dentro uma prece
Oculto os olhos humedecidos
A Vida é espiral que desce
Já se desvanecem meus sentidos.
Os meus passos já incertos
Começo a agitar-me
Os braços trago abertos
Deixo ainda à Vida abraçar-me.

De acordo com a minha consciência
Peço ao tempo um pouco de clemência.

Temo o que me vem ao pensamento
Visão que me deixa em aflição
Dum futuro avarento
Que me infunde confusão.
Mas dou conta que inda sou gente
Que nem tudo eu perdi
Trago lembranças na mente
Dos momentos bons que vivi

Os meus soluços não são de fraqueza
Nem querem piedade
Tingidos de cinzento, com certeza!
Mas todos, sinais de saudade.


rosafogo

sexta-feira, 30 de abril de 2010

HOJE ABRI UM SOBRESCRITO

Hoje abri um sobrescrito

Havia nele folha em branco

Nada nele me havias dito

Porquê todo este meu espanto!?

Também nada redigi, fiquei parada

Deixei correr o marfim

O amor em branco não é nada.

E este amor era assim.

Reconcilio-me com a solidão

Minhas forças restabeleço

Parto para outra emoção

Rasgo este sonho e esqueço.

Fico um pouco abatida

Depressa me recomponho

Se este amor não tem saída

Esqueço o sobrescrito e o sonho.



Que missiva impertinente

Que a mim não dá sossego

Que foi feito do amor da gente?!

Que ainda é grande o meu apego?!



Olho também o bilhete

Dessa mesmo ocasião

E uma flor dum ramalhete

Com que adoçaste meu coração.

Hoje estou resignada

Ouço ainda teus passos no soalho

Se este amor não deu em nada

Para quê tanto trabalho?!



Volto a esconder meu tesouro

Mas sou franca por natureza

Ainda p'ra mim vale ouro!

Era AMOR tenho a certeza

minhas penas...

Tarde pesada e nevoenta

As arvores parecem flutuar no Céu.

Já o tempo que há-de vir?

Curta estrada representa.

Já tudo é triste, tanto quanto eu.

Coaxanm as rãs na ribeira

Entristecem as manhãs geadas

Fica a vida sem eira nem beira

Minhas esperanças do avesso viradas.



Pássaros se escondem no arvoredo

Mais um dia o mundo velho a ruir

Meu olhar triste se deixa quedo

Finjo não ver nem sentir

Já é chegado o fim do dia

Não ouço mais das rãs o coaxar

Tomou conta de mim a nostalgia

Da vida vem o tempo se apossar.



Das horas que lamentamos

Umas duram muito, ou então?!

Duram pouco mais que nada

Dormem os pássaros nos ramos

Coaxam as rãs de aflição

Sigo ao peso dos anos vergada.