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sábado, 16 de abril de 2011

BANCO DO JARDIM

flowergarden-sm~moon_thumb[6]

Banco do jardim solitário que nem eu
Só velhas arvores te fazem companhia
Nestas noites sem estrelas, nem o céu!
Quer saber de ti, completa tua nostalgia.

Quantos sonhos, quantos amores aqui
Tu ouviste na paixão de quem se entrega
Assenta agora o vento a poeira em ti!
Eu te canto esta saudade de amor cega.

Banco do jardim, bem pertinho do coreto
Com meu coração lembrando faço soneto
De quando o luar em ti ainda era suavidade

Reúno lembranças, minhas memórias de ti
Sonho sem cessar lembro amores que  vivi
Banco do jardim, te recordo com saudade.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog-imagens para decoupage

QUE DEUS ME VALHA



Hoje descanso os remos
Não faço um gesto sequer
Deito-me no fundo do barco
E neste mar vou adormecer.
E venha quem vier
Até o tempo pode vir!
Confundir a minha cabeça,
Colocar-me no fio da navalha
Que eu zombarei, tenho certeza.
E que DEUS me valha.

Embalada pelo vento?!
Que Deus me valha!
Que hoje não estou para ninguém
Libertei-me do pensamento
Hoje quero ficar aquém
Que importa o fio da navalha?

Escrevo para mim mesmo
Neste silêncio que me cobre
e me aquece.
Como cinzas ainda quentes,
do resto dum lume pobre.
Dum fogo que ainda aparece
Mas só na escrita permanece.

Escrevo, a efusão dos sentimentos,
Amanhã não será diferente
Sem abatimentos
Em silenciosas horas
Escreverei com vontade
Com devoção de corpo e alma
sobre a saudade!

Hoje descanso os remos!
Ouço melodias por outros tocadas
Descanso as mãos de canseiras carregadas.
Procuro na memória caminhar
Mesmo aquela que me faz chorar
Pode parecer obsessivo
Mas é com as lembranças que vivo.

Tocam as teclas dum piano
Enquanto vai passando mais um ano.
Meus olhos sem se fixarem em nada!
Porque hoje  a palavra é soluço abafado
Meu coração bate de forma delicada
E na memória trago o eco do passado.

rosafogo
natalia nuno
imagem ret. do blog imagens para decoupage

sexta-feira, 15 de abril de 2011

SE O RELÓGIO PARAR



Enquanto na luz dançam grãos de poeira
E o relógio taquetaqueia
Eu medito cansada e absorta
Sentada, com o livro à minha beira
Haja quem leia!
Que hoje não leio nada, estou morta.

Estou o tempo a controlar!
Ele que tanto me contraria
Mas se o relógio parar
E a poeira assentar
Talvez escreva poesia.

Não faço ideia da hora
A Vida está toda na minha mente
Agora até ela me ignora
Me dá sempre uma resposta diferente.

Gosta de me desencorajar
E o relógio continua a taquetaquear.

À minha frente minha chávena de chá
Olho fixamente a janela
Sózinha! Tanto se me dá!
Que ninguém se aproxime dela.
Escrevo meias palavras e ao de leve!?
Bebo meu chá, e um suspiro me susteve,
de dar um grito, prefiro a serenidade
Assim me deixo na sombra da tarde.

E o tempo tanto me contraria
Mas o relógio parou
A poeira assentou
E eu escrevi esta poesia.
Poesia de saudade!

rosafogo

APENAS EU



Sou naufraga
                    com vontade de afundar!

              Desta viagem de onde não quero
                                                          regressar!

Com o coração sem pavio
                                   desabitado!

                            Já sinto da morte um frio
                                                          antecipado!

Desencantada, apaguei do coração
                                            o Amor!

          Esqueci o corpo, mas na alma...resta
                                                                  a dor!

Fiquei um campo ermo e
                                  baldio!

                           A Vida ficou presa por um
                                                                     fio!

Resta agora um gosto a mágoa,
                                   um fel amargo!

                                 Desta Vida que quero,
                                                            mas largo!

Onde o mar se confunde com o azul
                                                 do Céu!

                               E no ventre da noite escura apenas

                                                                           -------- EU!-------

Poema de 2000
imagem do blog-imagens para decoupage

RESTOS



Morrem as noites
Nascem os dias
Os olhos adormecem
As mãos ficam frias.
Cantam pássaros negros
em ramagens sombrias.

Ali não há nada!
Não existem janelas
Nem murmúrios de portas
Há anjos e velas
E flores já mortas.

Há fotografias, já descoloridas
A alma em tábua rasa
E vozes caladas, na memória ouvidas
Peito que não bate, partida a asa.

Ali, não há dor, nem tristeza
Nem muita nem pouca
Mas há a certeza
Que a cigarra é rouca!

Ali não há resto de Vida
Nem muito, nem nada!
Anjos de cara lavada
Feitos de pedra esculpida.

Não há grades, nem guardas
Apenas restos de fotografias amareladas
E por ali, algumas almas penadas.

Ali, só há terra e céu
Alguns pensamentos
que alguém, na pedra escreveu!

Restos, só restos de quem amou
De quem viveu
A  quem o tempo se negou
E assim morreu.
Dos vivos?
De quando em quando lamentos
Que o coração assim ordena
Lembranças, tormentos
Que causam dor, de ouvir dá pena.

Tudo se perdeu!
Restam restos, só restos, do
que somos feitos tu e eu!

natalia nuno
rosafogo

Poema do ano 2000
imagem do blog-imagens para decoupage

quinta-feira, 14 de abril de 2011

HOJE HÁ UMA RAZÃO



Não deixo o olhar perder-se na tristeza
Procuro a felicidade
Procuro nas rosas a beleza
E na saudade?
Colho lágrimas de orvalho frio
Que vêm não sei de onde
Correm no meu rosto em desvario
Mas são lágrimas de alegria
que não esconde.

Porque hoje há uma razão
Uma alegria que não se nega
Trago chamas vivas
de amor no coração
E este amor... meu amor,
faço-te entrega.

Diz que me amas que eu preciso
Diz que me queres, outra vez me diz!
Faz florescer nos meus olhos o sorriso
Que eu a mesma sou,
a mesma que sempre te quiz.

rosafogo
natalia nuno
imagem da net.

FAÇO DE CONTA



No espelho, já só resta o vidro
Em mim o silêncio me habita
Saudade branda, rosto esquecido.
E o sabor acre da desdita.
Bebo a taça a transbordar
O resto que de mim sobrou
Levo a vida a representar
Que sou, o que já não sou.

Digo adeus num aceno furtivo
À vida que foge a cada instante
Que eu sei já não muita, mas vivo,
A um emurchecer... semelhante.
Só as lembranças me detêm
Pois perdi o rumo
Não sei de onde as forças me vêm
Na vida que me leva, que é fumo.

Faço de conta que ignoro
O que sou, e o espelho quer
Por um pouco de paz imploro
Pedindo aos olhos que esqueçam de ver.
Sonho-me como é minha vontade
Salto a imagem do espelho obscurecida
No interior do meu olhar a saudade
Esqueço o tempo e a vida
Conspiro contra a realidade.

rosafogo
natalia nuno
imagem-imagens para decoupage

PARA TI



O que resta de ti e de mim
É esta recordação que não acaba
Fogo posto a arder sem fim!
Quando o fim sobre nós desaba.
Como uma guerra que se ganha
Neste Outono, quase perdido
Resta a saudade que é tamanha!
Da lembrança do amor vivido.

Morre-se a cada instante
Até nos abraços que trocamos
Mas o teu fogo já distante
Ainda me acende quando nos amamos.
Sonhámos sempre com o dia seguinte
Como se o presente não nos bastasse
Pedindo amor, como roga esmola, um pedinte
Como se o sonho do tempo nos libertasse.

Tu, és ainda a minha paragem
E eu o tecto, onde tu te abrigas
Rendidos ao amor nesta viagem
São para ti minhas palavras amigas.
Vamos sair à rua de mãos dadas!
Pondo um final feliz na nossa história
Esquecemos as rugas, já vincadas
Numa entrega de amor igual ao da memória.

rosafogo
natalia nuno
poema do ano 2001

imagem do blog-imagens para decoupage

quarta-feira, 13 de abril de 2011

POEMA DE AMOR



A velocidade do vento traz o odor
Que chega a mim puro e leve
Na recordação do nosso amor
Ainda a memória se atreve.
Um perfume, um sabor
Um momento vivido
Que é presente, foi passado
Tempo puro, eterno, querido
Tempo de todos os sentidos
Ao amor dedicado.

O tempo tenta abalar a solidez
Como se já tivesse triunfado
Mas ainda não chegou a vez
Nosso amor é sólido e perpetuado.

Pelo Sol iluminado
Sem qualquer vestígio de treva
E tanto o nosso cuidado
Não venha a morte e se atreva.
A frescura primaveril passou
Sobra uma agradável loucura
E a saudade que ficou
Nos corações com ternura.

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 12 de abril de 2011

CALEM-SE OS SINOS



Hoje esperei que os sinos se calassem
Pelo silêncio  ainda espero
Talvez até ... que se me amassem?!
Esquecesse as badaladas de desespero.

Fico neste torpor
Embalada pelo vento
De espírito vazio
Coração vazio de amor
Vazio o pensamento
Contemplo o vôo dos pássaros incessante.
Rezo umas Avé-Marias
Vou espiando outros dias
Presa a outros instantes.

Quando os sinos se calarem?
E os tempos me levarem?
Liberto meu  pensamento,
Qua anda parado, estonteado...
E os anjos cantarão meu sono
Ao mar e ao vento.
Palavras ficarão ao abandono
Em silêncio...

No silêncio dum pedestal.
Saborearei  o resto com suavidade
E não me levem a mal
Quero lembrar a flor da idade
Demoradamente
Com saudade
Como se fossem tempo presente.

E depois se voltar a acordar?
Uma alma nova vou achar.

O tempo me apunhala o coração
Jovem tinha a ilusão da eternidade
Mas a juventude, já é ela uma ilusão!
Que acabou, deikxando saudade.

natalia nuno
rosafogo