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sexta-feira, 15 de abril de 2011

RESTOS



Morrem as noites
Nascem os dias
Os olhos adormecem
As mãos ficam frias.
Cantam pássaros negros
em ramagens sombrias.

Ali não há nada!
Não existem janelas
Nem murmúrios de portas
Há anjos e velas
E flores já mortas.

Há fotografias, já descoloridas
A alma em tábua rasa
E vozes caladas, na memória ouvidas
Peito que não bate, partida a asa.

Ali, não há dor, nem tristeza
Nem muita nem pouca
Mas há a certeza
Que a cigarra é rouca!

Ali não há resto de Vida
Nem muito, nem nada!
Anjos de cara lavada
Feitos de pedra esculpida.

Não há grades, nem guardas
Apenas restos de fotografias amareladas
E por ali, algumas almas penadas.

Ali, só há terra e céu
Alguns pensamentos
que alguém, na pedra escreveu!

Restos, só restos de quem amou
De quem viveu
A  quem o tempo se negou
E assim morreu.
Dos vivos?
De quando em quando lamentos
Que o coração assim ordena
Lembranças, tormentos
Que causam dor, de ouvir dá pena.

Tudo se perdeu!
Restam restos, só restos, do
que somos feitos tu e eu!

natalia nuno
rosafogo

Poema do ano 2000
imagem do blog-imagens para decoupage

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