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quinta-feira, 19 de abril de 2018

ontem chorei, hoje não!




ontem chorei, hoje não!
ontem foi sombrio o dia
caíram ramos pelo chão
e eu, tive a saudade por companhia

que levas de mim perguntei
o tempo, agarrou-me p'los braços
não é ilusão nem sonhei
segue-me a sombra, os passos
passei m' tempo convencida
que o sol não obscurecia a m' vida
soltava um pássaro na retina
e seria para sempre menina
o silêncio queima-me os sentidos
como se nada houvesse além da solidão
dia após dia, tantos dias perdidos
meu sentir caído ao chão.

procuro a lógica do pensamento
enquanto o silêncio é eternidade
conjugo o destino neste momento
mas sei, viverei eterna saudade

ontem chorei, hoje não
não é meu intento olhar atrás
embora o olhar insista na comtenplação
dos verdes anos e, me traga
cativa do tempo...já tanto se me faz!

natalia nuno
rosafogo


sexta-feira, 13 de abril de 2018

tudo não passa de ilusão...



soltaram-se as águas dos meus olhos
testemunhas da minha solidão
de tanto que te esperaram
em vão...
são lágrimas que não pude adiar
pranto até chegar as madrugadas
com a saudade que não sei calar
noites de insónia atormentadas.
enquanto as noites envolvem a terra
e a minha alma pelo silêncio erra
- o vento chora
eu espero por ti tristemente
e vou escrevendo um verso dolente.
vou percorrendo meus dias à espera
talvez assome um pálido sol
o céu se tinja de azul
as aves voltem do sul
e o arco-íris fique ausente

mas a paz há-de chegar-me
e o teu amor incendiar-me
voltar a sentir o pulsar da vida
esquecer a hora que trago em mim adormecida
e depois será tudo ou nada ao mesmo tempo
beijar-me-ás os seios como da primeira vez
será tamanha a ousadia,
tuas mãos em rebeldia
deixarão meus sentidos em avidez

tudo não passa de ilusão
de mais um sonho caído ao chão,
o passado me perdeu ou eu o perdi
os anos não volverão
mas eu espero, com saudade de ti.


natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 6 de abril de 2018

a ilusão do eterno...



em mim tantos Janeiros
de abençoados sonhos
bons decerto os primeiros
hoje meus dias tristonhos

rumoreja baixinho o vento
passa a lua,  tão prateada
inconfidente o pensamento
no coração nova toada...

mastigo as horas, teço fios
tudo dou, tão pouco recebo
semeio palavras em vazios
se florescem nem m'apercebo

meu retrato, retrata a dor
agora de tristeza me visto
sou despetalada flor...
na moldura onde m'avisto

uma esperança feita de nada
rosa rubra, já sem alento
gestos indolentes, agastada
dor q' não se vê e é tormento

é agora outono nos m'braços
afogo-me num lago de emoção
de nada serve apressar os passos
nem apressado trazer o coração

natalia nuno
rosafogo






teu amor...


rosto sépia sorriso fugidio
súbita sombra na alegria
horas de solidão
que só a saudade remove.
um suspiro lamentoso,
vindo do coração, que ninguém
ouve...
os sentidos em chamas
abraço-te no silêncio, sei que ainda me amas...
teu AMOR é minha manhã de luz
é sol nascente ocre doce, e forte
algo profundo, amadurecido
às vezes confundido no coração
aberto à sorte,
é folha que treme
onde pousa um pássaro cego,
pássaro que bate asas, num céu imaginário
repleto de estrelas
acalentando meu ego.

meus olhos mudam de cor
há muito deixaram o fulgor
anda minha vontade errante.
não sou sol nem lua
de ti meu desdenhoso amante
sou terra fresca, garça alada
entrelaço minha mão na tua
meu corpo é tua morada.

natalia nuno
rosafogo
2009




sábado, 31 de março de 2018

sopro morno...


nas margens do coração
onde os sonhos desaguam,
há sentimentos e uma porção
de afectos que se perpetuam.
por lá vivem as lembranças de criança
como um leve sopro morno
e é a sonhar que a elas retorno
de quando em quando voltam-me
á lembrança, a incendiar o meu outono
em pedaços chamados saudade,
e neles me abandono.

lá habitam os beijos que jamais florirão
a esperança, qual trepadeira que desfalece
ah...meu pobre coração
deste jeito esmorece
o tumulto por dentro me invade
numa imprevista emoção.
minha voz tremula perdidamente
o tempo, sempre o tempo
só a saudade embala o meu peito novamente

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 30 de março de 2018

amanhecer primaveril...



amanhecem as saudades em mim
sacodem-me com ternura
e desenrolam-se nas letras que escrevo
assim, com frescura nascem
palavras  de maresia,
versos de melancolia
frutos tardios de outono
sonhos onde me abandono,
acordam na criança que fui e sou,
sentimentos e emoção
num solitário abraço que não desatou

lembranças tímidas e impacientes
parecem luas florescentes
aninham-se no meu regaço,
e o silêncio é a minha arte
os sentidos a flutuar,
meu tempo escasso
enlouquecido de solidão
meus olhos a pingar,
e o poema sorridente
num vôo inocente
a fazer-se chegar ao coração.
lembranças em delírio, cobertas com mantos
de saudade... memórias de tenra idade
iluminadas por dentro, descobrem o caminho do verso
aquecem-me e são a minha verdade.


natalia nuno
rosafogo







domingo, 25 de março de 2018

o último sonho...



solicito o meu quinhão de felicidade
abro o peito aos abraços
saboreio as lágrimas da saudade
crio à minha volta laços
de amizade e afeição...
separo das recordações os dias sombrios
cruzo comigo enternecida
e nego à amargura a entrada no coração
e sem saber porquê faço-me de novo à vida

cruzo com o enternecimento
poiso os olhos no papel e escrevo
com mãos de poeta e encantamento
de madrugada ergo-me do leito
os pensamentos ajeito
do travesseiro trago o último sonho
e de novo a sonhar me ponho

a aldeia está silenciosa, quieta
e a noite perfumada de luar
aqui sozinha eu e o Poeta
ouvindo apenas a os pios da aves
os murmúrios das folhagens, suaves
os soluços duma flor desfolhada
e eu devaneando no sonho, nesta hora
calada.

meu coração agita-se nas folhas de papel
o sonho é ilusão mas é amor que arde
sinto-o na pele,
e antes que seja tarde,
que o tempo tudo consome
deixo-me afagar pelo luar
deixo que nasçam na mente como flor
os versos que trato com amor...

natalia nuno
rosafogo
aldeia 10/02/2008