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sábado, 27 de abril de 2013

o que sinto...



o que sinto agora
me arde, me queima
acre melancolia
que em mim teima.

o caminho
é vinha vindimada
vagas de memórias,
sereno meu mar...
que tudo e nada me oferece
dia ameno,  dia  que adia
a morte,
o sol mne aquece
e  me mantém viva.

chove  apenas no olhar
e no rosto que um dia brilhou
e cantou e encantou
como um rouxinol,
hoje, terra morta onde bate o vento
e se foi o sol.
já nenhum espinho me fere
renego a compaixão
bati com  a porta
meu coração só quer
paz,
não se queixa, faz
que dorme....
num batimento uniforme.

natalia nuno
rosafogo
imag.net

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Poeta está aqui!


o tempo leva meu rosto
rompe-me o coração na passagem
faz de mim  sombra
nesta viagem
abra-se a ferida
nesta casa abatida.

ficam os alicerces
feitos de raízes afeiçoadas
que já mal recordo,
com palavras magoadas
me deito e acordo.
voltam meus olhos ao passado
a querer resistir ao tempo
a querer reagir à crueza
até à exaustão
e o tempo a dizer-lhes ...Não!
agride-me violento
e me rasga o sono
ah...temo o esquecimento!
já me dói o que de mim perdi,
exausta sobrevivi...
resta o Poeta!
O Poeta está aqui.



segunda-feira, 22 de abril de 2013

simples, assim como quando brincava.



na memória
um tempo de passagem,
adormeço e acordo
deixo o poema em liberdade
ele é de meu rosto a imagem,
do coração a saudade,
da minha esperança um vôo maior,
a alegria que toma posse de mim,
o som da noite que ouço melhor.
é ponte onde atravesso o ribeiro
é do desejo o meu desejo primeiro

e tudo o que é lonjura
se torna perto...
perto na recordação,
que faz frente ao tempo
às minhas veias diz que não
e põe o pensamento em contradição.

vou fiando o fio do destino
neste tempo de passagem
sou entre o nevoeiro um peregrino
que deixa poesia na aragem.

meus pés ensopados no chão
e o poema a abrir-me o coração
vou bebendo o vento,
e gritando
um grito que não se ouve,
mas que alivia o pensamento
e nestas palavras agitadas
a emoção se move e me atrai
como uma chama
e por instantes me alucina
e lá volta a saudade
dos meus sonhos de menina.

e é desta substância que faço
o poema, simples assim como
quando brincava
e nada me aprisionava.

natalia nuno
rosafogo
imag net