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quarta-feira, 11 de maio de 2016

silêncios...




deixem-me os versos
são tudo o que me basta,
deixem-me alimentar
desta quimera, deste sonhar
são eles e a saudade
o que me resta de verdade
tudo o mais que quisera
amor, companhia, ou alegria
fazem parte de dias lendários
do sigiloso fogo da felicidade
lanterna que nos alumia...
fecho os olhos e agradeço a Deus
e é delirante este meu sonho
mas vibrante de harmonia,
e ardentes são os desejos meus.

a luz  me envolve e inspira
neste tempo que me aprisiona
jamais desalento algum me aniquila
trago o desejo de ser feliz...de mim ser dona
se houver sofrimento, também
haverá ventura
que haja desalento, também fervente ternura.

ardem de doçura os meus silêncios
entrego-me à poesia com paixão
e é a saudade com toda a sua longitude
que preenche este meu desmesurado coração
me dá sentido ao viver
e assim me sinto grata, a caminho do envelhecer.

natália nuno
rosafogo



terça-feira, 10 de maio de 2016

sombras de outono....

anjos decoupage laurie

sou alcachofra perdida
incapaz de ao vento resistir
cicatrizes trago da vida
algumas marcas da idade
mais algumas que hão-de vir
que mas trará a saudade.

não esperes mais por mim
acabou o tempo de mão dada
passaram décadas sem fim
perguntas não têm resposta
não há certezas de nada...
nem da vida faço aposta

recordo domingos à tarde
velhas fotografias desbotadas
hoje lembro com saudade
e com o coração a bater
recordações abandonadas
sombras de Outono a crescer.

não esperes mais por mim
os dias já não são dias
noites são quase nada... assim,
nem sei se as horas estão certas
pulsações batem sombrias
silêncios, pisadas incertas.

já não posso mais ousar
olhar à noite as estrelas e a lua
e nem o fogo do luar
prefiro o rumor da ventania
que me traz notícias tuas
ao coração dia a dia...


rosafogo
natalia nuno
aldeia 19/01/2003

segunda-feira, 9 de maio de 2016

palavras que florescem...



palavras são pombas que voam sem medo
têm asas que rompem o silêncio
palavras de amor e ternura,
que te digo ao ouvido bem cedo
perfeitas, sabendo-as eu de cor
são como beijos, como frutos sumarentos
sementes de desejos e amor que semeio em mim
e que florescem como flores no jardim
e se a saudade traz a tristeza presa
ficam as palavras sombrias
lá se vão os alicerces de esperança
voam os dias, pois pouco já me resta
vai longa a vida na velhice nos lança

meus olhos tombam sobre os teus
e o que dizem são palavras paridas
de ternura, são lírios a lembrar a desventura
do nosso tempo a terminar...
a ti, entrego-te as últimas as verdadeiras
palavras de mágoa, infinitamente tristes
como se fossem as primeiras,
que eu não consigo calar

em meus ouvidos cresce a surdez desolada
fica a vida enlutada. surgem feridas abertas
e já todas as palavras ressoam incertas
como inventar os sonhos e escutar a alegria?
na alma uma espécie de resignação
fica o silêncio a cercar-me a memória
e as palavras que não me abandonam
na solidão...


natalia nuno
rosafogo