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sábado, 4 de junho de 2011

AMOR LEMBRADO



Os teus braços rodeiam-me
Entre nós não há distância
Mas as minhas horas odeiam-me
Penetram na minha lembrança.
Uma aragem perfumada me tráz
Tranquilidade do tempo distante
Assim te aproxima e me dás
Séculos de amor num instante
Sinto a tua voz
Chega através da brisa
Fugaz é o momento em nós
Uma gota que desliza.

Diz-me que também me ouvirás
Olha-me ainda, mesmo que ausente
Se te aproximares darás
Com meu coração ofegando de contente.
Ouvirás como dos pássaros o chilrear
No nosso olhar crescerá o jasmim
Lágrimas de felicidade, farão nosso mar
Assim a Vida não terá fim.

Não haverá mais pranto obscuro
Nem andarei mais perdida
Desmemoriada talvez no futuro
Mas de bem com a Vida.
Quando a memória estiver distante
Procurarei ainda os dias luminosos
Aqueles em fomos amantes
E esquecerei os outros, os tormentosos.

Meus olhos ainda verão o incendiar dos teus
Mas inseguros perderão a recordação
Que fizeram a estes olhos meus?
Que me distanciaram do teu coração?

natalia nuno
rosafogo
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sexta-feira, 3 de junho de 2011

OUSO PENSAR



Longo é o silêncio agora
Meu coração a noite atravessa
entrega-se de paixão
sem pressa,
Ao aroma da vida, noite fora.

E eu sou uma rosa  aberta
Vou dar-te as mãos com ternura
Tudo no meu corpo desperta
Tudo nele é doçura.
Ao longe a lua cheia
Cheia de esplendor e longitude
E em mim ainda se ateia
O fogo da juventude.

Mas que sentir tão forte
Nosso amor é desmesurado
Pode até chegar-nos a morte
Que ele segue obstinado.
Nosso amor é assim magia
Tem o esplendor profundo
Envelhece dia a dia
Mas é o maior do Mundo.

Serena é a felicidade
Forte o sentido de viver
Mas à memória chega a saudade
E o medo de te perder.

O PESO DOS ANOS



O tempo é como um novelo
Que desenrola em menos de nada
É melhor até esquecê-lo
Que a linha não volta a ser dobada
No tempo, o sonho e a vida rasgada..

A linha em nós enrolada
A vida em nós acabada.

E eu sem nunca me encontrar
Já vou perdendo a vontade
Deixo-me pelo tempo enganar
Iludindo-me com a saudade.

E cativa, não mudo de cativeiro
E o novelo vai-se desfazendo
Enredada nele como se estivesse inteiro
Vou a vida entretendo.
O meu corpo p'lo tempo vencido
Ainda acompanha as horas
De sentidos já despido
Desenrola-se sem demoras.

Sem sentidos...porque chora?
Pergunto num ai dobrado
Responde-me sem demora
Ando aos anos pregado
Cansado deste meu fado!.

natalia nuno
rosafogo
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quinta-feira, 2 de junho de 2011

AMOR VAZIO


Outro tempo invento
Desprendo o cabelo,
ao vento.
Faço outro traçado
E a ele prendo-me devagar
Levo a vida com cuidado.
Não quero á morte me entregar
E na morna tepidez das tardes
Lembro o amor com saudades.

Deixo os dias esquecidos
Liberto-me e sou mais eu
Disfruto dos sentidos
Rasgo a sede e vou ao céu.

Esqueço até quem me ignora
Os caminhos que não andei
Esqueço a raiva de certa hora
E a mágoa que calei.
Deixo mansamente voar
O pássaro que há em mim
Invento outro tempo de estar
Solta em  ti e tu em mim.

E se este tempo acabar
Deixa-me ir no desvio
Que eu quero caminhar
Na memória,
deste amor vazio

natalia nuno
rosafogo
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POEMA Á TRISTEZA



Anda a tristeza em mim triste
Sem saber o que fazer
Não a quero, mas insiste
Quer-me ela tão bem querer
Anda perdida na garganta
Dentro de mim atormentada
Ora chora, ora canta
É grito, raiva ou é nada!

Tristeza que me pertence
Que reclama noite e dia
Que às vezes já me vence
E eu a desprendo em Poesia.
E quando surge a alegria
O meu rosto não se entrega
Que importa a trégua dum dia
Se a tristeza não se nega?

Sempre recorda o ciúme
E com raiva sempre inventa
E deixa dor e queixume
Ainda quando se ausenta.

natalia nuno
rosafogo
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quarta-feira, 1 de junho de 2011

RIO DA VIDA



Frágil, meu rio faz-se ao mar
Indiferente segue viagem
Às leis do tempo não se quer sujeitar
É tanto o tempo gasto na passagem.
Deixa a tristeza p'lo caminho
Segue ora perseverante,
ora som vontade
Lava a mágoa na saudade
Corre ligeiro, como um desejo
Como sonho por despertar
Leva o tédio, que só eu vejo
E uma lágrima sempre teima em ficar.

Este rio da minha vida
Já vai longe...do outro lado!
Partiu e me deixou esquecida
Tonta de sede, num morrer magoado.

Porque canta tristezas sem fim?
Porque partiu de mim...assim?
Tantos anos correu gentio
Tantos anos de calor de estio
E outros tantos de inverno frio.

A corrente, leva um rítmo lento
Carregada de saudade
Leva por companhia o vento
O desalento
E a esperança calada.
Rio sem norte, que não pára de correr
Leva o sonho que eu sonhava
O sonho que vi nascer.
E o caminho inpercorrido
De ansiedade em mim contido
Continua a doer.

rosafogo
natalia nuno
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Poema lido por JOAQUIM SUSTELO

http://www.4shared.com/audio/Lyr_XBtZ/Menina_do_povo_Natalia_Nuno.html

terça-feira, 31 de maio de 2011

NÃO ME FALEM DO TEMPO



Não me falem do tempo
Atormentam-me os receios
A saudade entranhada em mim
vive
Não me falem do tempo
Povoa os meus sonhos,
os meus devaneios.
E se ilusões tive?
São agora rios de desespero
Partiram as esperanças
Mas eu espero
Pelas folhas que hão-de verdejar
As lembranças,
hão-de voltar!

E hão-de rebentar flores
Passarão rios a cantar
Hei-de lembrar todos os amores
Até o derradeiro olhar apagar.
É grande a minha esperança
Meus olhos são ainda os da criança
Onde habitam assombros
Ainda acreditam na felicidade
Ainda que carregue nos ombros
Uma menina morta de saudade.

Se meus olhos partirem
Minhas mãos caírem
Com tantos cansaços
Não me falem do tempo
Deixem que siga meus passos
Que mais dias possa colher
Que sejam seara de trigo a crescer.

rosafogo
natalia nuno
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segunda-feira, 30 de maio de 2011

LEMBRAS-TE AMOR?



Lembras-te amor
Do beijo roubado ao anoitecer
Lembras ainda seu sabor?
Como podes esquecer?
Lembras-te das mãos dadas,
do calor.
Recordo com saudade
este tempo do nosso amor.
Das caminhadas, do olhar
que me deitavas,
Da saudade quando me deixavas.

A réstia de sol que nos acompanhava
O sortilégio que nascia.
Quanto eu te amava!
Dia após dia...
Vestida de lua
Cerro agora os olhos e vejo,
A primeira vez que fui tua
O nosso primeiro beijo.

Lembras-te amor
Como sempre me quiseste pura?
Como apagar da memória?
Na lembrança, vence a ternura
E eu lembro a nossa história.

Hoje estão desvanecidos
os traços,
meus e teus.
Mas ainda aos meus ouvidos
As mesmas palavras de alvoroço
Atráz de mim os teus passos
Teu coração batendo, eu ouço!

Tua boca, descobrindo
a minha boca
Teus gestos eu preservo
como louca.
Mas é só lembrança
Que eu tento defenir
Na esperança ainda de poder sorrir.

Hoje resta a poeira
E o caminho que é morno
Quando estás à minha beira
Lá atrás eu retorno.

Tudo neste sonho suspenso
Nas horas desta tarde macia
Fui mais feliz do que eu penso
Tudo passou...e um dia?
Tudo se apaga no traçado
Dos sonhos de agora e d'outrora
Por amar-te e tanto te ter amado
Tenho pavor de ir embora.

natalia nuno
rosafogo
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LÁGRIMA PERDIDA



Esta lágrima teimosa
Que me desliza na face
Vai morrer silenciosa
Como se a vida já se afastasse.
Mais uma e outra ainda
Desta tristeza que não finda.
Talvez seja mesmo a última
Que triste morreu sozinha
Deixá-la ir!
Errante, esta lágrima minha!

Saída quem sabe do coração
Ou d'algum beco da Vida
Ou d'alguma lamentação
Que resta na despedida.
Andam meus olhos perdidos
Morrem nos teus em lamentos
Já de lágrimas despidos
Quem sabe o brilho volte
E me alegre os pensamentos.

Deixo fugir esta tristeza
Da lágrima nem quero saber
Não hei-de cruzar os braços
Nesta sede constante de viver
Chegará com destreza
de novo
A loucura dos abraços.
Tudo será como um sonho belo
A vida não será mais incerta
e vazia
Cuidarei dela com desvelo
Deixo para trás a angustia.
Sem lágrimas, um novo dia.

rosafogo
natalia nuno

domingo, 29 de maio de 2011

QUERO SABER


O que ensombra meu rosto?
Que vejo nele aves de lembrança
Dolorosa sombra, algum desgosto
Entreteço sonhos de esperança.
Já o sinto a empalidecer
O frio na garganta contraída
O abismo dos olhos a querer
Deixar-me sem saída.

Quero saber que foi feito de mim
Privo-me de chorar durante o dia
Aguardo a noite sem fim
E bebo lágrimas de melancolia.

Junto as palavras que escrevo
a medo
Faço com elas poemas inesperados
Conto-lhes alguns segredos
Que trago no coração fechados.
A saudade sempre volta e fere
Me deixa a vida alquebrada
Mas eu quero e ela quer!
Ficar em mim e eu por ela enfeitiçada.
Na memória ainda nada se perdeu
Assim posso  sempre o passado evocar
Nos meus olhos nada desvaneceu
Chega a saudade e chega  sem avisar.

rosafogo
natalia nuno
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COMO UM FADO



Hoje lembrei... nasci num dia em que o rio galgou as margens e alagou as hortas, soltou-se livre.
Tal como ele, eu, brava nascia, não sorri nem pestanejei, gritei, trazia comigo a impetuosidade e a curiosidade p'lo Mundo onde acabava de chegar.
Dentro de mim ainda essa criança pequena, num sopro de inspiração, lá volto à infância, onde a vida tinha outro sabor, e é um amargo doce que a recordação me provoca. Para além da criança, lembro a adolescente que conservo com comovido afecto, feliz, descontraída, assim a recordo.
Orgulho-me da aldeia, amo os que lembro com saudade, pobres materialmente. mas ricos interiormente, foram eles que deram sentido e esperança ao meu desabrochar.
Hoje lembrei também dos rapazes de mãos rudes e gestos desajeitados e dos bailes onde tanto me divertia. Há uma história que conto a mim mesma diáriamente que jorra desta fonte que é o meu passado.
Passeio pelo Mundo onde me deixo enfeitiçar por belos recantos, mas é sempre a volta à aldeia que profundamente mais me absorve, onde a memória fica viva e clara.
A aldeia e eu seduzimo-nos mútuamente, há recordações que acarinho e evoco nas minhas horas silenciosas e sombrias.
E assim me vou distanciando, sentindo-me um ponto ínfimo no final do caminho.
Meu corpo já não me pertence, devora-me o tempo, mas a Poesia reconforta-me um pouco, e a memória é guardiã do arquivo das minhas lembranças.
Repito para mim:

«Tu és ainda muito nova»
Tudo não passa de ilusão
A imagem que vês no espelho
pedindo socorro não és tu,
essa não!
Carrega aos ombros aquela que só tu vês
Tu és, a que vive dentro da tua memória
Essa é que és!
A que sonha que há-de ir mais além
Já sem nada de seu
Há-de sorrir como ninguém
Como águia, voar p'lo céu.
Conquistar a Vida
Pois nasceu para voar
Olhos bem despertos
Ouvidos bem abertos
E de emoção gritar
Que és eternamente jovem!

Sofres da passividade
de ver o tempo a passar
Mas na saudade
Sabes o coração reconfortar.

natalia nuno
rosafogo
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NÃO CANSO



Na solidão deste meu mar
O medo instala-se como nós

Não canso neste encanto de amar
E digo até me enrouquecer a voz.


Em ti vejo o sol brilhar
Quero ver o que não estou vendo
Não canso neste encanto de amar
Olho tua indiferença, não estou crendo


Este o meu derradeiro olhar
Lanço meus murmúrios ao vento
Não canso neste encanto de amar
Tu ficas neste nostálgico lamento.


Não me importo de esperar
Em ti vejo toda a minha vida
Não canso neste encanto de amar
Olhando além do nada, a despedida.


E se meu olhar se apagar
Levo com ele teu corpo de quimera
Não canso neste encanto de amar
Em ti vejo ainda a minha Primavera.


Meu caminho e hora hão-de acabar
Num dia em que o vento vira norte
Não canso neste encanto de amar
Venha o vento me rasgue, traga a morte.


rosafogo
natalia nuno

LINHA A LINHA



Perscruto as profundezas
do teu olhar
E meu coração muda de lugar
Sem que dê pela mudança,
esquece o tempo, julga-se imortal
Cresce nele a esperança,
É seu destino amar
Assim, é fatal.

Para as tristezas afogar
Vai ocultando a sua dor
Seu murmúrio tem o som do mar
Quem o escuta ouve a voz do amor.

Ouve-lhe os segredos
Sente-o perdido em nevoeiro baço
Escondendo os medos
A vida do avesso
Procura acertar o passo
Ai...como eu o conheço!

Mas deste mal eu padeço
Olhar teus olhos bem fundo
E achar que os não mereço?
Se acaba o chão e o mundo.
Resta-me ainda a lembrança
Neste peito nu é ventura
Quando choro me traz bonança
Passa a dor, torna clara a noite escura.

E neste meu viver singelo
Recordo com natural tristeza
Não quero esquecer o que foi belo
Deixo em palavras de singeleza.
E à vida que eu amo tanto
Tanta vez ela me afronta!
Lhe deixo este meu canto
Na esperança,
que a vida não me interrompa.

rosafogo
natalia nuno
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