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sábado, 26 de setembro de 2015

em busca da felicidade...












pequena prosa poética


como chuva de luz entram agora os raios do sol por entre os ramos despidos de folhagem,
também a vida vai diluindo a alegria antiga do nosso viver, como se fosse o único destino esta corrida contra o tempo...
na tranquilidade dos meus lábios vão-se as palavras calando, enquanto no meu corpo corre aquele rio de amor antigo, que jamais deixará de correr e que fiel amar-te-à ...
anseio por uma palavra que me abra uma porta de saída e procuro-a de pálpebras cerradas.
sair desta mentira de que sou testemunha silenciosa, e que assim vai gastando meu tempo... falar para quê,  ninguém me ouve!
parece não haver saída, para a procura da felicidade, mas busco a vida no aroma frondoso da natureza, nas aves, no vento, no perfume das flores e nos meus olhos há luz, ternura e paz, meus lábios uma avalanche de beijos, o coração acolhe de novo com ânsia o amor, e no meu querer rutilantes flores de jasmim,
desvanecendo-se num aroma intenso que vem até mim.

natalia nuno

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O beijo...




















pequena prosa poética





O beijo



Quanto tempo diz-me?! O mito dum amor silencioso que nos envolve, que corre como águas felizes e brisas de mil sombras...em plenitude no mais amplo aroma da juventude, como se ontem fosse hoje... diz-me quanto tempo levarei a acostumar-me à tua ausência e à ansiedade em que a minha alma navega... a folhagem do outono que cai, talha esta tristeza em mim e deixa-me alucinada e só...cai a lua sobre a buganvília, nas videiras o vinho, na ramada as borboletas e faz-se noite, ouço ao longe sussurros de flautas e sinto uma presença como se estivesses de volta, assomo à varanda do sonho onde a terra é jovem, solta-se já o esplendor da manhã, abandono-me à alba deste dia novo e recordo o teu beijo...com saudade!

natalia nuno

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

UM ROSÁRIO DE PENAS


Como te afundas coração de menina
na dor da tua saudade
de lembranças e luas
amores e solidões só tuas
no peito um rosário de penas
e sonhos que ao vento espantas
em versos que choras e cantas.

Em delírio e fantasia
tanto tempo perdido
é agora tempo de outono tardio,
tempo que digo e desdigo
morro pois nas ruínas do tempo
tempo fugaz e eu de asas presas
tempo que levo por castigo

O tempo traça o arco do destino
deixo-me levar pela roda do tempo
meu raio de sol é agora, fino...fino!
Se eu fosse uma calhandra voaria
nas pálpebras do vento
onde nem a morte me acharia
até me perder no esquecimento.

rosafogo
natalia nuno

enamorados de esperança...


pode o amor ser uma garra
ou uma terrível desdita
muita uva pouca parra
primavera que em nós habita.
estando longe é saudade
lonjura mesmo estando perto
a ausência do amado uma eternidade
e a vida é solidão, é deserto

voltar lá a outras primaveras
decoradas com amor e ilusões
e desenhados corações c' heras
p'las paredes dos caramanchões
enamorados de esperança, ali de pé
nos recantos que o tempo favorecia
logo a lua audaciosa, também ali se perdia
a observá-los no seu amor louco,
passando vagarosa, como se da noite
se tivesse esquecido, até que pouco
a pouco, surgiam os gorgeios e o
aroma da manhã e, se fazia dia

o amor é como a água...livre
é bom enquanto dura...enquanto vive!
e só o esquecimento é uma garra
e uma terrível desdita
só comparado à morte súbita
ou à reduzida cinza duma brasa aflita

natalia nuno
rosafogo

O Poeta e a Poesia...




O Poeta e a Poesia

No meio da solidão
o Poeta tem a noção
do muito que pode amar
do que tem e pode partilhar,
na solidão cria
uma cumplicidade com a Poesia
profunda.
Ilumina-se lhe o sorriso
na jornada,
na Poesia estão suas asas
êxtase da sua loucura
uma guerra entre a dor e o prazer
entre o existido e o caminho a
percorrer...
O vazio, a solidão,
eterna e fiel companheira
a Poesia é orvalho, é lua
é sonho , é ilusão,
alguém e ninguém
é rosa e espinho
é do Poeta o caminho.

O Poeta entra numa bebedeira
mesmo acompanhado está só,
e os sonhos em fileira
se cruzam em chama
enquanto o coração do Poeta
a Poesia ama.
A alma sofre trovões de vento
e o tormento
é a palavra
A vida então, ou é aurora
ou sol-pôr
no viver de cada hora
sempre maior o amor
até que seu sonho quebre
e se ouça apenas um breve rumor.

natalia nuno

rosafogo