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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ser ou não ser Poeta




a aragem perfumada da saudade, traz-me alguns suspiros, algumas lágrimas,  sonhos sem fim que quase sempre esvoaçam na memória ao entardecer... surge então aos meus ouvidos como que uma revoada de aves que quase se atropelam e, qual orvalho matutino me caem na alma aquelas lembranças que me deixam a sonhar, por vezes melancólicas, é que o Poeta sente seu coração imortal, nele existe sempre esse alimento que não o deixa morrer...a POESIA. há sempre qualquer coisa que surge, que abala, que é difícil traduzir em palavras e que lateja em nós como uma ânsia, um grito, um desejo profundo, um ímpeto, ânimo, também um desânimo,  nos dá ou nos tira a força. assim vou vazando a minha inspiração, não sou literata mas sinto -me Poeta, pois como eles eu canto, choro, deixo em cada verso uma mágoa, um riso, um sonho, e a cada estrofe um pedaço da minha alma.

natália nuno
rosafogo
ao pé do mar me sinto mais verdadeira!
12/09/2013 ...Algarve

terça-feira, 17 de setembro de 2013

só eu e o mar...




Hoje o mar alterou-se, sabe-se lá porquê... ficou paranóico, avassalador, mas depois, deixou-nos a fúria de o amarmos em liberdade, mais tarde passou-lhe a cólera e veio-nos beijar com paixão e delicadeza...e ali mesmo fiz um verso e foi o desvario, nele adormeci o sol , coloquei cigarras a cantar nos canaviais e acreditei que era verdade o sonho que eu, o mar e o sol sonhávamos...fiquei na quietude para sempre, sonolenta,  num lugar onde me contaram lendas de um tempo passado, ali perto o mar e o sonho e eu aqui com minhas palavras, meus gestos lentos, meu sorriso, continuo viva, aguardando o outono, depois o inverno e quem sabe ainda a primavera próxima, coberta de malmequeres na ladeira das lembranças, dizendo-me adeus e cantando-me uma melodia para que adormeça num manto de silêncio...e no areal só eu, o mar e os meus versos a rimar com a(amar).

pequena prosa,
dia 12/09/2013 Fuzeta.


natalia nuno

confidências...

 
 
 
Hoje o mar derramou-se sobre a areia num ímpeto de paixão, como se fosse um tapete voador e eu paralizei de espanto por tão grande afabilidade...
Confidenciou-me ao ouvido, que era apenas uma cena de ciúmes feita ao sol, que amargurado resolveu esconder-se, derramando algumas lágrimas, testemunha dessa humilhação resolvi, logo ali fazer um verso de amor e saudade, deixando deslizar a imaginação, v...
erso que o vento levou para outras paragens, para um lugar sem tempo nem memória, apenas imortalidade, verso tecido de sonhos insatisfeitos mas sem tristeza nem mágoa, assim o oceano tranquilizou e ficou só meu coração em silêncio com o calor do teu sorriso.

sábado, 14/09/2013
natalia nuno...
pequena prosa feita de mar, sol e saudade e duma memória que subsiste

presença perturbadora



louca a aranha do tempo
vai sulcando meu rosto
sou velha lembrança saudosa de tudo,
enfeitiçada apesar da crueldade
piedade? nada traz de volta,
apenas este silêncio mudo
e minhas mãos ávidas e macias
aguentando o desprezo dos dias
que passam prontos a cegar-me
e a vida sem nada para ofertar-me,
resta esta lembrança que sou
de memória enlouquecida
a arrastar-se sem remédio
num tempo que a modulou
tempo de tédio...

se queres compreender
o que me vai
na alma,
entra cá dentro
ergue-te ao jeito
dentro do meu peito
aí verás a que escreve insatisfeita
dia a dia, desde que a manhã desponta
essa sou eu
de rosto corroído a verdadeira
a outra? a outra morreu!

natalia nuno
rosafogo