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terça-feira, 17 de setembro de 2013

presença perturbadora



louca a aranha do tempo
vai sulcando meu rosto
sou velha lembrança saudosa de tudo,
enfeitiçada apesar da crueldade
piedade? nada traz de volta,
apenas este silêncio mudo
e minhas mãos ávidas e macias
aguentando o desprezo dos dias
que passam prontos a cegar-me
e a vida sem nada para ofertar-me,
resta esta lembrança que sou
de memória enlouquecida
a arrastar-se sem remédio
num tempo que a modulou
tempo de tédio...

se queres compreender
o que me vai
na alma,
entra cá dentro
ergue-te ao jeito
dentro do meu peito
aí verás a que escreve insatisfeita
dia a dia, desde que a manhã desponta
essa sou eu
de rosto corroído a verdadeira
a outra? a outra morreu!

natalia nuno
rosafogo

2 comentários:

PÈTALA disse...

Olá Natália

Essa dor que te consome
É mais forte que a razão
Assim a alma não dorme
Nem descansa o coração.

Desci até ao fundo da alma. Entrei dentro do peito. Pude ver e observar tudo o que motiva a angústia das palavras. Tens razão. A alma da outra está morta! Mas a do rosto corroído está bem viva! E é esta que importa! Rei morto rei posto! É esta que faz e fará correr agarrando a vida! Que nos presenteia com belos poemas! Que encanta todos aqueles que gostam de ti! É a aura cujo perfume se dissemina no tempo, e para além dele!

Beijo

João
PS. Amigo, sim. Poeta?…Não!
Volta, ao barco á vela


Natalia Nuno disse...

E isso é que importa, está viva embora dorida, masé bom ter oportunidade de ver nascer um novo dia, ver a beleza que a natureza me proporciona, e nem o tempo apaga este gosto que tenho do campo, do mar da liberdade e lá vou escrevendo que é para mim outro prazer.
Fico sempre emocionada com as palavras que me deixas.

E te agradeço do coração, Poeta sim e amigo.

beijo