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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

meus sonhos de vidro






Meus sonhos de vidro
colorido,
há uma canção que os embala,
sussurro de vento meio perdido,
acalentando-me na saudade.
Começa o dia a clarear,
há um sentimento de proximidade
nossos corpos se entrelaçam
tuas mãos me acariciando,
em febre fumegando
de paixão...

os planetas à distância vão girando
enquanto em nós a chama vai ardendo
desta vontade constante de amar,
e meu sonho vai revolvendo
o mar da nossa fantasia,

sem o sonho como a vida seria?

dentro de mim há longos rios
que sonham o impossível
vindos das lembranças do tempo,
desta saudade incurável,
que me amarra e cinge para sempre,
a este amor  irrecusável,
amor perene, amor vivido,
e eu dormito neste sonho
de vidro colorido.
O sonho vai-nos dizendo adeus.

rosafogo
natalia nuno
imagem da net

poema de 11/09/2012...Fuzeta, Algarve.




quinta-feira, 13 de setembro de 2012

nestes tímidos versos




Tremeluz a lua no mar
reflectida na onda que quebra
reacende-se a esperança
meu sangue corre e avança,
p'los caminhos da memória já varridos
olhamo-nos dois seres envelhecidos,
incansáveis andarilhos,
da vida e seus cadilhos,
de sedução embevecidos.

E a noite é quente e acetinada
há lilases no auge da floração
e uma promessa de vida falseada
a aquietar-me o coração,

e uma vontade constante de gritar
um grito, feito de gritos
nesta noite de breu...
anda o vento a gargalhar
rasgando-me o pensamento,
levando o sonho, roubando-me o céu.

É no silêncio das tardes
que as lembranças chegam e partem
da mente
e a premonição de verdades
ladeadas de sombras
que aguardamos brevemente.

Nestes tímidos versos
que sangram no meu peito
há lembranças doloridas
há um caminhar de mansinho
de duas vidas unidas
que há séculos fazem o mesmo caminho.

A lágrima sempre pronta
o sorriso sempre aberto
à morte fazendo afronta
e sempre a saudade por perto.

rosafogo
natalia nuno
imagem da net

Poema criado junto ao mar em Islantilla,  8/09/2012



quarta-feira, 12 de setembro de 2012

o mar da minha lembrança



Perco-me de quando em quando,
ando de mim desencontrada,
magoa-me a saudade tanto
que ando de alma agastada,
no silêncio a solidão,
e ao ribombar dum trovão,
vai-se o destino traçando
por céu azul ou céu escuro
e a vida se vai calando,
sem nunca mais se recompôr!
Entre nós não há muro
E ao acordar das estrelas
morre o sol do nosso amor.

A memória feita em espuma
de todo o peso duma vida
escalei o tempo destemida,
ao fim da viagem a bruma
dia a dia repetida.

Lá onde tudo nasce
onde tudo recomeça,
perdi o instante!
Agora viver é urgente
antes que o dia faleça
vou abraçar o presente,
recordar o que vai distante.

Urgente é o dia de hoje
vivê-lo... que já me foge.

A terra grita em mim
e o mar me reclama
a palavra é sonho sem fim
e o amor por mim chama,
e não quero que ele sobre,
quero todo o que me resta
de amor não quero ser pobre
morrer de amor será festa!

Continuo de mim perdida
num perpétuo movimento
como ave destemida
que se aventura ao vento.

natalia nuno
rosafogo
poema de 2001

terça-feira, 11 de setembro de 2012

SONHOS SOLTOS




Lembro a doçura das horas,
o chamamento dos sinos
 às avé marias.
O correr às eiras sem demoras,
a labuta dos dias.

Lembro as andorinhas a rasar
os telhados,
lembro os braços onde me aninhava,
das tardes dos corpos suados
lembro o tempo sem cuidados,
e lembro o pião que na minha mão
dançava.

Lembro as papoilas nos trigais,
lembro o regresso a casa à noitinha,
andorinhas recolhidas nos beirais
e a sombra triste de quem pouco tinha.
Lembro o canto dos rouxinois, das cotovias,
da água que canta enquanto corre,
trago no pensamento o sabor dos dias
Nada esqueço em demasia...
Só o meu olhar cansado já morre.

Lembro quando o corpo não crescia
à medida do meu desejo,
hoje sofro quando ao espelho me vejo
mas o tempo anestesiou a dor,
lembro tudo com amor.

natalia nuno
rosafogo
poema de 2001








a vida... um mar imenso!



Transporto a morte nas mãos
o medo trepa no coração
será a morte a sorte?
será ela libertação?
a vida é uma aventura
mal nascemos e é ventura
ou desventura.
Tanto caminho desbravamos
tantos, tantos pensamentos
tanto que nós amamos
momentos de vitória
de desilusão
simbolizam a nossa história
tudo o que sonhamos
e tudo o que foi em vão.

rasurado, neste momento
trago na mente
o passado,
mas o coração sente
e traz nele calado
o sentir
e o medo do porvir.
Dum tempo inimigo,
e eu impotente...já nem
o afugento apenas aguento,
continuo a sonhar
e vou morrendo pouco
a pouco
enquanto o sol brilha delirante
enquanto meu coração fôr da vida
amante.

natalia nuno
rosafogo


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

NASCE O POEMA DA DOR



A dor é um vazio que se sente
Quando não há nada a esperar
Quando a luz da alma não acende
E o coração deixou de saber amar.
Sente-se nas entranhas
doloridas, profundas, estranhas...
Deixando-nos o coração a sangrar
Quando não há nada a esperar.

Nasce o poema da dor
Na esperança de esquecer a morte
O tempo, da vida é senhor!
Sem tempo segue à deriva
a vida, sem rumo,
sem sorte, sem norte.

Difícil é a dor suportar
Quando a vida está presa por um fio
Quando a morte se deixa adivinhar
E na alma se agita o frio.

É tarde para alterar
o caminho a percorrer
Deixo-me no rio da imaginação vogar
E como vela acesa continuo a arder.
Caberá no poema a saudade e a dor
Restará ao Poeta  morrer por amor!

rosafogo
natalia nuno
imagem da net.



domingo, 9 de setembro de 2012

sonho de amor





a noite estremece ao redor
da nossa cama,
o amor ainda fulgura,
ainda por nós chama
é grande a ventura,
apesar da memória já obscura
povoa-se de fantasia
enquanto eu sou
e tu és
a minha força, a tua força,
dia a dia.


o fogo é esse,
ainda temos muito prá andar
deixa nos teus braços descansar,
do cansaço que o inimigo tempo
em mim plantou
quero sempre voltar a te ofertar

o amor
que em nós nunca se recusou.

entra a lua pelas frestas
esquecemos o mundo á nossa volta
afecto é o que nos resta
só o tempo me traz revolta.
e o sono sem saber
se deve ou não aparecer
assim nos amaremos
até Deus querer.

natalia nuno
rosafogo








nasce sempre mais uma rosa



Dou valor novo
a cada dia que passa
encontro sempre motivo
no que me rodeia
a tristeza calei-a!
E a alegria de novo se incendei,
soltam-se-me das mãos os queixumes
os dias morrem aos molhos,
de longe chegam pássaros da infância,
Trazendo a incerteza nos olhos.
E eu sinto-me hoje
e a cada dia regressada
vinda nem sei de onde,
talvez do nada
ou de tudo o que me foge

sacudo a cinza da lembrança
fica de novo a descoberto
e no azul do céu leio a esperança
a céu aberto.

Minha alma é um rio
onde a chuva cai generosa
mesmo estando a vida por um fio
no seu solo sempre
nasce mais uma rosa.

natalia nuno
rosafogo

calou-se a saudade





Encerro meu coração
enquanto o sol se esvai
no horizonte...
o corpo fica a descansar num tempo
vindouro,
a tarde é de ouro,
ouço de Deus a mensagem
perco o temor, fica a coragem.

Vêem-me as lembranças
da infância adornada
e crescem em mim as esperanças
que não deixam meu sonho afastar-se
amanhã haverá nova alvorada,
serei toutinegra ou rouxinol
farei do olhar um girassol,
amadurecerão os frutos
cairão folhas pelo chão,
o fim da tarde chegará,
tudo chega ao fim...
a saudade cala em mim!
só o sonho não findará.

natalia nuno
rosafogo