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terça-feira, 11 de setembro de 2012

SONHOS SOLTOS




Lembro a doçura das horas,
o chamamento dos sinos
 às avé marias.
O correr às eiras sem demoras,
a labuta dos dias.

Lembro as andorinhas a rasar
os telhados,
lembro os braços onde me aninhava,
das tardes dos corpos suados
lembro o tempo sem cuidados,
e lembro o pião que na minha mão
dançava.

Lembro as papoilas nos trigais,
lembro o regresso a casa à noitinha,
andorinhas recolhidas nos beirais
e a sombra triste de quem pouco tinha.
Lembro o canto dos rouxinois, das cotovias,
da água que canta enquanto corre,
trago no pensamento o sabor dos dias
Nada esqueço em demasia...
Só o meu olhar cansado já morre.

Lembro quando o corpo não crescia
à medida do meu desejo,
hoje sofro quando ao espelho me vejo
mas o tempo anestesiou a dor,
lembro tudo com amor.

natalia nuno
rosafogo
poema de 2001








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