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sábado, 25 de outubro de 2014

dói a ausência...



apagaram-se os ecos,
do fumo triste emergem feridas
choros de quem a ausência chora
saudade sobeja
e os dias não passam
sombrios, tristes,
como dor que se abraça,
quando a alma chora

ausência, mal que nos derruba
deixa a vida espavorida
rouba o bem que temos
por ventura ou por desgraça
o tempo passa e não passa
e lá se vai a mocidade
o futuro hirto
o corpo cansado
o rosto enrugado
na alma a saudade

acata-se o destino,
e quando anoitece
lá se foi a graça, logo
amanhece para limpar o pranto
por quem se anseia tanto.

natalia nuno
rosafogo




quinta-feira, 23 de outubro de 2014

versos d'água...




Lembranças vão e voltam
como as ondas do mar
a um ritmo alucinado,
assim a tua vida na minha
é como um verso abandonado
o coração em versos d'água
e a mágoa sempre mais forte,
uivando como o vento norte...

Lembranças morrerão comigo
em silêncio, em meu abrigo,
são agora minha fuga, o
valor que me resta
na solidão desamparada
outonal melodia
aos meus ouvidos assobiada
a noite as aproxima
eu as canto numa rima


Lembranças refrescam a mente
do que ficou ausente
têm o odor a alfazema intensa,
trazem à memória o que o tempo
roubou, são a ponte entre o passado
e o inesperado,
numa saudade imensa
poeta sou num verso as engendro
são meus sonhos ardentes
caudal da minha memória
são estrelas na noite, cadentes
são pássaros em meus olhos
voando por entre lírios de solidão.

Trago a poesia p'la mão, nas
lembranças que arrebato de mim
onde quer que esteja, pra onde me vire
só elas e o tempo a partir...
tudo o que a vida  deu e não deu
nesta viagem a que me dou
sou chão sem flor...já lembrança sou.


natalia nuno
rosafogo


confesso-me...




confesso-me... nestas linhas ardentes
nosso amor não cristalizou pouco a pouco
prende-me a ti julgando ser amor q'sentes
é na volúpia da m' paixão que ficas louco...

no momento vi em ti homem enamorado
candidamente me entreguei e sem receio
- logo ali nosso amor julguei eternizado
doce o morrer de desejo que em ti ateio.

mas, meu coração é flor que já definha
esqueço até de mim, teu amor é sina minha
como o sol que traz  ao meu dia claridade...

resta o cofre das cartas d' amor guardadas
com promessas e juras por ti inventadas
que são o riso e o pranto da minha saudade.

natalia nuno
rosafogo








terça-feira, 21 de outubro de 2014

meu coração se aperta...







dias de verão tão lentos
sento-me na margem da tristeza
olhando o tempo e a distância
ouço soprar o vento da incerteza
enquanto a vida avança.
à distância um longo caminho
o tempo de amor de antes
palavras mortas em pergaminho
palavras que guardam para sempre
num cantinho o amor dum coração
amante.

esquece-se a lágrima de rolar
o sangue deixa de palpitar
sonhos da vida, ai sonhos meus
de forma clara. dizendo-me adeus...

letra a letra deixo escrito
nos muros da m'inha alma
o que vai...
o silêncio, o vazio...o grito
hoje e amanhã que de mim sai

natalia nuno
rosafogo



pensamento



as nuvens percorrem o firmamento navegando nas alturas, as recordações percorrem o pensamento trazendo-lhe despertares de ternuras.

natalia nuno
rosafogo