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sábado, 16 de abril de 2011

QUE DEUS ME VALHA



Hoje descanso os remos
Não faço um gesto sequer
Deito-me no fundo do barco
E neste mar vou adormecer.
E venha quem vier
Até o tempo pode vir!
Confundir a minha cabeça,
Colocar-me no fio da navalha
Que eu zombarei, tenho certeza.
E que DEUS me valha.

Embalada pelo vento?!
Que Deus me valha!
Que hoje não estou para ninguém
Libertei-me do pensamento
Hoje quero ficar aquém
Que importa o fio da navalha?

Escrevo para mim mesmo
Neste silêncio que me cobre
e me aquece.
Como cinzas ainda quentes,
do resto dum lume pobre.
Dum fogo que ainda aparece
Mas só na escrita permanece.

Escrevo, a efusão dos sentimentos,
Amanhã não será diferente
Sem abatimentos
Em silenciosas horas
Escreverei com vontade
Com devoção de corpo e alma
sobre a saudade!

Hoje descanso os remos!
Ouço melodias por outros tocadas
Descanso as mãos de canseiras carregadas.
Procuro na memória caminhar
Mesmo aquela que me faz chorar
Pode parecer obsessivo
Mas é com as lembranças que vivo.

Tocam as teclas dum piano
Enquanto vai passando mais um ano.
Meus olhos sem se fixarem em nada!
Porque hoje  a palavra é soluço abafado
Meu coração bate de forma delicada
E na memória trago o eco do passado.

rosafogo
natalia nuno
imagem ret. do blog imagens para decoupage

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