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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

lenta existência...



é tarde, geme a escuridão
fim do dia, noite negra de solidão
a aldeia está morta, cheira a terra molhada
gotas caindo do arvoredo
desperta-me uma sombra alada
pousa perto uma pomba sem medo
hoje nem o sol lavrou o céu
nem deixou cintilação dourada
a nostalgia atravessa a rua
chega fervorosa a lua...
lenta existência, cega ilusão
restamos nós, os de então!

mato o tempo sem pressa
a aldeia enche-me os olhos
cegos de ternura, a infância regressa
à emoção do caminho,
com a imagem e os sonhos
que tive então, amo o silêncio,
nele me aninho.

passaram anos velozes e lentos
restarão as chuvas dos esquecimentos
em evidência a menina nos seus pensamentos
espanta o frio que à vida lhe chegou
sente a liberdade
e ainda o fogo da felicidade
que em si perdurou...

natalia nuno
rosafogo






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