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quinta-feira, 3 de março de 2011

OS DIAS POISAM EM MIM



A solidão é uma pedra no peito
O tempo esse passou
Ficou para trás em bocados feito
Como água no cais que enlodou.
Só meu coração
Ainda está quente
e sente,
a cada momento,
um novo alento.
Entre o tempo e a eternidade
Vive nele a caber
multiplicada a saudade.
Neste entretanto que é viver
e morrer.

De súbito vejo cair a tarde
É mais um dia que finda
Mais um que me trouxe a verdade
Que tudo é efemero, nesta vida
desavinda.
Raras vezes conseguida
a paz que tanto se anseia
Á espera dum sentido p'ra vida
Ao lusco-fusco volta e meia.

Há sempre um não sei quê
A vergar-nos os ombros
E eu insisto porquê?
Encher o peito de escombros.
Os dias poisam em mim
Tão velhos quanto eu
E este chegou ao fim
Levando um pouco do que é meu.

Nada sei...

Só sei
Que o dia passou a correr
E eu aqui fiquei,
nesta solidão,
onde me invento e sinto a desvanecer.
Ou será ilusão?

Mas isso não importa,
Importa?!
Que hoje ouvi o som do ribeiro
O chilrear do passaredo
Senti das mimoseiras o cheiro
Respirei o ar puro do arvoredo.

Assim me encontrei a sós comigo
Lembrei quantos amei verdadeiramente
Alguém me falou ao ouvido
Amanhã terás outro dia, de presente.

rosafogo
natalia nuno

imagem retirada do blog-imagens para decoupage

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