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sábado, 6 de setembro de 2014

meia ponte...



Meia ponte...dói a recordação
no seu chão
a história de tanta gente
só se ouve a linguagem da natureza
a alegria perdurável do rio que passa
insistente e com graça
mas na ponte já ninguém passa
meia ponte...dói a recordação
quem se acostumará à morte?
Por ali vai pulsando o verão
tudo vive, só a ponte não teve sorte.

visitam-na os ocasos e as auroras
e o azul do céu é omnipresença
a luz branca da lua sem demoras
e os sapos cantando fazem presença

Quiméricos sonhos aqui passaram
enigmas dum tempo que já não volta
quantos pássaros por aqui voaram
quanta fome de liberdade
quanto sobressalto, quanta gargalhada
quanto rancor, hoje é meia a ponte
e todos a recordamos com amor.
Maldição ou desamparo
destas tão pálidas defesas?
Minha memória não descortina!
E a ponte  veste-se de presságios e
de  silêncios,
do que recordo de menina.

natalia nuno
rosafogo




6 comentários:

Edith Lobato disse...

E como dói ver memórias destruídas, digo isto porque sinto uma profunda tristeza ao olhar para o patrimônio histórico do lugar onde nasci e ver tudo saqueado e destruído. Belo e triste poema. Lindo domingo.

Edith Lobato disse...

E como dói ver memórias destruídas, digo isto porque sinto uma profunda tristeza ao olhar para o patrimônio histórico do lugar onde nasci e ver tudo saqueado e destruído. Belo e triste poema. Lindo domingo.

Natalia Nuno disse...

Obrigada Edith pela visita e apreço do poema, tens razão, é triste e ao mesmo tempo comovente porque lembramos o tempo em que por lá caminhávamos em meninas e como na nossa memória as coisas se conservam intactas...

A nossa terra, ainda que tenham desaparecido os que nos deram vida, é sempre um lugar querido.
Beijinho boa semana.

© Piedade Araújo Sol disse...

e ficam as memórias que estão bem vivas.

e doí pensar no que foi e já não é.

a foto está muito bem para o poema.

um beijo

:)

© Piedade Araújo Sol disse...

e ficam as memórias que estão bem vivas.

e doí pensar no que foi e já não é.

a foto está muito bem para o poema.

um beijo

:)

Natalia Nuno disse...

Olá Piedade a foto é mesmo da minha aldeia, a ponte ruíu um destes invernos pois já tem talvez 200 ou mais anos e embora o povo tenha pena os que mandam acham que a recuperação não faz sentido.
Para mim mesmo assim neste estado como lá passei tanta vez, sinto um carinho especial e inspirou-me...

obrigada por leres

bjinho