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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

À minha terra...




Hoje fui às hortas
uma estranheza tocou meu olhar
já não havia pássaros a cantar
nem moças no rio a lavar
meu olhar pereceu ali,
o entusiasmo aboli
enquanto o coração o vazio aceitou.
Há dias em que me afasto um pouco
já nada é o que era, já nem eu sou!?
Precisei de voltar lá, a ver
as hortas e o rio
mas nada é o que era
meu coração regressa vazio
e embora já nada possa ser
não vou maldizer o tempo perdido
trouxe o aroma das laranjeiras
nos olhos a luz de mais um dia amanhecido.

Trouxe o sereno da tarde
que consolou o meu peito
por mais que me digam a verdade
aquele ledo encanto é meu coração que sabe.

Quando me disponho a regressar
há sempre uma lembrança a despertar
no chão desta minha terra, ou no firmamento,
que valem o meu sorriso
voltar lá sempre preciso.
O que busco? Nem eu sei!
Talvez o canto do grilo,
talvez meus passos de criança,
talvez a serenidade
o meu grito de despedida ou de esperança
ou será a saudade?

natalia nuno
rosafogo





2 comentários:

Edith Lobato disse...

A necessidade de voltar a sentir o que se passou nas mãos do tempo e não volta mais, apenas deixou saudade, saudade. Belíssimo poema.

Natalia Nuno disse...

Olá Edith
a melancolia faz doer na recordação, vai talhando a tristeza em nós, mas o tempo não perdoa e assim vamos caminhando.

Um beijo com carinho, grata por tua presença.