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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

AS MINHAS MÃOS


















AS MINHAS MÃOS


As minhas mãos são moinhos de vento
Que moem incertezas
Saciadas momento a momento
Por avalanches de sonhos e fraquezas.
No papel em branco baloiçam
Correndo, correndo sem destino
Às vezes lhes peço que me oiçam
No tempo partem cada vez com menos tino.

Nunca sei o que as move
Voam, voam como pássaros loucos
Numa ânsia que até me comove
Por vê-las a morrer aos poucos.

São como flecha estes meus dedos
Neles solto meus olhos de menina
E no soltar dos meus segredos
Fico assim gaiata, traquina.
Solto palavras nesta folha em branco
E a saudade me baila na memória
Abro as portas ao meu sorriso franco
E vou desfiando o terço da minha história.

Sem paragem, entre a saudade e o que me dá frio
Fica o testemunho dum longo passado
Nas veias o sangue corre ainda como rio
Chegando à foz, dum coração, com a vida reconciliado.

rosafogo

1 comentário:

Eduarda disse...

Natália,

as tuas mãos são puro oiro, um calmo rio que sabe bem mergulhar para sentir todos os teus sentidos.

bj