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domingo, 21 de setembro de 2014

o trinar dos pássaros...


procuro o aroma da infância
tudo a minha mente imagina
o rio os arvoredos, o moinho
o açude, as videiras, o fazer do vinho
os besouros as borboletas e eu menina.
os sons, os reflexos, as sombras
o trinar dos pássaros...terra minha,
a ladeira, o adro e eu ave ao vento
papoila do campo, incendiada
de cores, num voo livre, no coração
amores.
no eterno salgueiro o pintassilgo
a fazer-me vizinhança
cantando comigo ao desafio
e eu tão pequena, tão criança.

nasci olhando o rio, amei-o,
meus olhos rasgaram o arvoredo
hoje trago no rosto sombras do estio
que o embaciam de medo
e que meu coração intuí
que não volto a ser quem fui
mas guardo ainda no íntimo a esperança
e o sonho ainda me cabe
e sou de novo a ave e a criança
o mesmo aroma, a mesma febre de felicidade
e sempre intacta a saudade.

natalia nuno
rosafogo





6 comentários:

Edith Lobato disse...

Penso que este é o melhor tempo da vida. Lindo poema.

© Piedade Araújo Sol disse...

memórias que ficam.

e voltamos a ser crianças novamente a recordar.

boa semana.

beijo

:)

Natalia Nuno disse...

Sem dúvida Edith, por isso permanece na memória para sempre.

Bjinho, grata pela visita

Natalia Nuno disse...

é a maneira menos penosa de nos lembrarmos dos que partiram e de tudo o que deixamos porque a vida assim o exigiu.

Obrigada Piedade pela tua presença e carinho.

bj.

PÈTALA disse...

Olá Natália

Alma que se deixa espreitar
Indo até á ponta dos dedos
É tao formoso o seu amar
Deixa a nu, belos segredos!

O cérebro tem milhentas gavetas. Abre sempre as que te der mais prazer e deixa-te ficar, esquecendo as horas! Recordar, também é viver. E só recorda quem viveu! E as boas recordações nunca podem nem devem ser esquecidas!

Beijo.

Natalia Nuno disse...

E eu sempre falando de saudade, tema que quer queira ou não surge repetida na minha mente e aí está sempre como da 1ºª vez...
Obrigada João

Um beijo