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sábado, 18 de junho de 2011

QUANDO JÁ NADA RESTAR



Hoje sinto-me no final de todos os finais
Porquê? Porque estou madura, cansada
Apodreço na monotonia,cada dia mais
Viagem, passagem continuada.
Hoje não li nem uma linha e pensei!?
Como lembro de ensaiar primeiras palavras de amor
Os primeiros contactos excitantes
Os primeiros sorrisos, como o abrir duma flor
Os primeiros beijos apaixonantes.

Os primeiros olhares a mel desenhados
Nesses anos já tão recuados.

Hoje é pouco o meu vigor
A tarde de repente fica triste
E eu relembrando momentos de amor
Fingindo para mim que ainda tudo existe.

Trago a fadiga nos olhos estampada
Minha pele viva envelhece de sombras coberta
P'lo tempo bruto, desenraizada
Como flor que morre cansada de estar aberta.
Quando pisarem as cinzas minhas
Quando já nada restar?!
Sempre restarão estas linhas
Que não consegui calar.

rosafogo
natalia nuno

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