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sábado, 23 de fevereiro de 2013

lembranças miúdas IX

 


pequena prosa poética

Esqueci a fórmula mágica de a agarrar, corro atrás dela, mas ela não pára, corro ainda mais
mas ela não espera por mim...decido então passear entre as árvores, entre os arbustos em flor,
não me sujeito ao tempo...! E aqui está a felicidade sem correr atrás...
À chama da candeia, nasceram minhas primeiras palavras, com a limpidez da água, o vermelho das amoras, o chilrear dos pássaros e o rio era a travessia entre o sonho e realidade, dele nunca me afastei, ainda hoje é lugar no pensamento, ele é a voz da felicidade que me transporta ao passado, por entre o nevoeiro e as tílias, ali, corre entre o céu e a terra, como se estivesse à minha espera. Bate-me o vento na memória, as palavras são agora as pegadas onde me reconheço, soltam-se como cinzas na terra que pisei, e ali meus olhos de criança vão morrendo aos poucos. Já o sol declina, e meu coração fica preso à água que canta e corre sem retorno, tal qual esse olhar à espera de morrer...
O entardecer me conhece, tantos entardeceres passaram, tantos murmúrios ecoaram, tantos dias e noites vencidos, que o pensamento adormeceu...e o silêncio se instalou, nem uma folha mexe, nem um sussurro do vento, morrem minhas palavras inacabadas e assim...saudades de mim.

natalia nuno
rosafogo
imag-net

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